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Editado pela
FÁBRICA DO CONHECIMENTO - Rio de Janeiro
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Atualizado em: 30.6.05
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80 anos de muita tristeza e vergonha
“O tempo é justiceiro e volta a pôr tudo no seu devido lugar”. Voltaire, pensador francês (1694-1778)
Qualquer empresa, em qualquer parte do mundo, estaria festejando em delírios orgásticos os seus 80 anos. Afinal, quantas podem chegar a esta idade, principalmente no Brasil, país onde o fisco ávido e insaciável se apodera do seu sucesso? Qualquer país, em qualquer regime econômico, teria motivos para jogar todas as suas fichas numa empresa octogenária do ramo da aviação comercial, com sua marca cravada em todos os continentes e uma história que se confunde com a própria história do transporte aéreo. Qualquer governo, em qualquer país do mundo, estaria atento ao desempenho e aos percalços de uma empresa octogenária que leva a bandeira nacional e garante a mais sólida ponte num universo cada vez mais integrado, até mesmo pela rapidez que a tecnologia da aviação proporciona. Qualquer cidadão, de qualquer profissão ou atividade econômica, estaria querendo saber o porquê da omissão e de ações predatórias de governos em relação a companhias que são siglas emblemáticas missionárias em ramos altamente sensíveis, que em países europeus foram (e ainda são em alguns deles) da responsabilidade do Estado. Qualquer formador de opinião, seja na imprensa, na cátedra ou na esquina, em qualquer tempo, assumiria uma postura de vigilância e defesa intransigente de uma companhia octogenária que há muito deixou de ser um mero negócio para se converter numa ferramenta cultural que levou informações a mais de 120 aeroportos do país e a dezenas de cidades importantes no exterior. No entanto, onde qualquer coisa vira medalha, poucos são os que se dão conta da importância histórica do dia de hoje para a aviação comercial brasileira. Operação suja e perversa E, infelizmente, entre esses assassinos da melhor memória nacional estão os que agiram como verdadeiros abutres, valendo-se de todos os ardis e de todos os poderes públicos, dedicando-se a uma operação suja, imoral, que levou à transformação da mais tradicional companhia aérea brasileira num deprimente arremedo de si mesma. Operação suja e perversa, que transformou numa impiedosa arapuca, numa ficção deletéria, num monstrengo torpe, o que seria o mais bem concebido fundo de pensão complementar. Operação com todos os requintes de sadismo, que começou numa ilegalidade desafiadora - a autorização de um órgão de aeronáutica para o seqüestro de receita de um fundo previdenciário – e passou por vários governos, cada um querendo ser o mais terrível na ignomínia devastadora. Operação que hoje sinaliza para uma infamante tragédia: daqui a uns dias, uns dias apenas, 9 mil inocentes contribuintes do Aerus serão submetidos a um verdadeiro genocídio social. São homens e mulheres que voaram com garbo e destreza por todos os céus e agora ingressarão no exército dos desvalidos, por terem sido literalmente roubados em suas poupanças. Ingressarão, não, corrijo: há mais de um ano só vêem algumas patacas do que depositaram porque, nessas nuvens carregadas da impunidade, as patrocinadoras foram faltando com suas partes ante os olhares lânguidos e cúmplices de quem calou certamente pelos mesmos motivos do juiz que dá uma sentença descabida. O Dia da Vergonha Hoje, 7 de maio de 2007 é o dia da vergonha da aviação brasileira. Antes do júbilo pela travessia de tantas procelas, a sigla que povoou o imaginário dos brasileiros por décadas, parece mais uma desbotada estrela cadente, aprisionada pelo que há de mais indecente e despudorado nesses dias em que se conta a dedos as reservas morais, os homens realmente com vocação para a vida pública. Hoje a Viação Aérea Riograndense – a nossa VARIG – faz 80 anos, desde aqueles dias de sonho em que se constituiu com um hidroavião, com capacidade para 9 passageiros e apenas uma linha: Porto Alegre-Pelotas-Rio Grande. Hoje, a pioneira, a estrela brasileira do céu azul, é uma morta-viva, embora tenha a seiva necessária para voltar a ser a grande líder da nossa aviação comercial: uma corporação da mais alta competência, que está disposta a qualquer sacrifício para vê-la transportando seus milhões de fiéis passageiros; muito dinheiro a receber do governo federal e dos governos estaduais, uma marca emblemática e os melhores slots conquistados por 8 décadas de obstinada atuação e reconhecido desempenho. Por isso, não se faz festa como o marco histórico exige. Não festejam os milhares de funcionários e ex-funcionários humilhados pela mão grande que lhes amputou não apenas os empregos, mas, o que é tragicamente mais grave, os elementares direitos trabalhistas que ainda garantem verbas indenizatórias e aposentadorias lastreadas em contribuições complementares. Não festejam os que contribuíram para uma insolvência comprovadamente urdida, nem os que dela se beneficiaram em golpes sucessivos e dignos de um novo Tribunal de Nuremberg. Estes podem se considerar acima das leis e da Constituição, contando com a pusilanimidade e a conivência de quem devia vigiar-lhes ou deflagrar sobre suas cabeças lombrosianas o rigor de uma operação policial que vá ao âmago da trapaça, como tenta hoje, quase heroicamente, a CPI presidida pelo indomável deputado Paulo Ramos, na Assembléia do Estado do Rio de Janeiro. Apesar de todo essa trama montada há anos, muitos anos, tenho a certeza de que a verdade ressurgirá quando menos se espera. Há hoje um ministro do Trabalho da escola de Getúlio Vargas, aquele que plantou todas as sementes da economia nacional. Não sei, honestamente, até onde Carlos Lupi pode ir. Mas tenho certeza de que ele fará das tripas coração para restabelecer a lucidez onde o lobismo pontificou na encomenda antipatriótica destinada tão somente a franquear os céus de uma Nação continental à ganância alienígena. Eu só peço do governo – e ainda é tempo – que não seja diferente de outros de países muito mais capitalistas, como o dos Estados Unidos, que ofereceu do bom e do melhor para recuperar suas grandes empresas – United, American e Delta Airlines. Eu só peço, nesses 80 anos em que a estrela brasileira ainda está em nossos corações e mentes, que alguém nesses poderes todos entenda que o mal que se está fazendo contra os aposentados da Varig e toda a sua corporação é um mal que atinge a todos os fundos de pensão, fadados, assim, a serem novas capemis e novos montepios de militares. Justiça, novelão da Varig e liminares
MINHA COLUNA NA TRIBUNA DA IMPRENSA DE 30 DE ABRIL DE 2007
"O próximo julgamento agora deve acontecer no STF, onde já há um precedente favorável à Varig, que é o caso da Transbrasil" Alexandre Wald, advogado da verdadeira Varig.
Você, que não tem nada a ver diretamente com a tentativa de dinamitar a Varig e os direitos elementares (ainda vigentes) dos seus empregados e aposentados, deve estar se perguntando por que nessas últimas colunas eu não mudo de assunto. Vejo-me no dever de esclarecer com toda sinceridade: o que está em jogo, agora nas mais altas cortes do país, não é apenas destino uma empresa, um fundo de pensão e os direitos de quase vinte mil profissionais, aposentados e pensionistas. Mais, muito mais do que um pleito pontual, estamos diante de um mau exemplo que poderá balizar conflitos futuros. Em todos os ângulos da questão, registram-se tentativas solertes de cavar armadilhas para a remoção indolor do arcabouço legal na relação desigual entre a cidadania e os gestores do Estado, subordinados conscientemente a interesses alienígenas. Demolindo a Justiça Não é por acaso que, no desvio de conduta de alguns magistrados, tenta-se irresponsavelmente enlamear toda a Justiça, convertida na própria vítima da insegurança jurídica. Tudo se lança contra a instituição judiciária, a partir de qualquer sopro de desconfiança, tentando-se desqualificar o que nela se faz, para atingir indiscriminadamente seus titulares - de um concurso questionado (ameaçando a todos os que passaram) à definição dos seus proventos, menores do que de qualquer gerente de estatal. Nesse episódio da Operação Furacão em que o ministro Cezar Peluso separou os processos e determinou a soltura dos magistrados envolvidos, houve uma grita um tanto insana: há um fundamento do Direito segundo o qual todos são inocentes até ser julgado. E não se pode querer que se dê a um juiz o mesmo tratamento dispensado a contraventores com extensa folha penal. Mas é fácil simular espírito de justiça até porque a venda de liminares tem efeito demolidor sobre a imagem do Poder Judiciário. Cria-se, por deletéria manipulação, a idéia de que a Justiça virou um balcão de negócios, o que não é verdade, além de lançar uma cortina de fumaça sobre os desvios de conduta específicos. Uma minoria ínfima que não representa nem de longe o conjunto da magistratura não pode servir de emblema, só porque são audaciosos seus movimentos: os dois desembargadores federais apontados nessa operação queriam ser presidente e corregedor da Justiça Federal na II Região (Rio e Espírito Santo) e isso foi evitado por seus próprios pares. Mais que o presidente, o corregedor, cargo aspirado pelo desembargador Regueira, é sumamente estratégico, pois ele é o fiscal dos colegas. A Justiça, como um todo, é a última fortaleza do regime de direito. A decisão da 1ª Seção do STJ sobre o agravo regimental no caso da Varig expôs a sua verdadeira face, ao cingir-se com sobriedade ao seu aspecto técnico, em apoio à decisão anterior da 1ª Turma. STJ bate o martelo Por 7 a 1, o STJ seguiu a posição do relator, ministro Castro Meira, que havia votado pelo não-provimento do agravo por compreender que a argumentação da União e do MPF era baseada em provas novas, que não haviam sido apreciadas nas instâncias ordinárias. No entanto, pouco se observou a respeito do caráter da decisão. E quase ninguém sabe que o Supremo Tribunal Federal, última instância dessa pendência, já se manifestou a respeito no caso semelhante da Transbrasil, que pleiteava R$ 2 bilhões e fez acordo com o governo, recebendo R$ 700 milhões. A Varig verdadeira (não esse simulacro que pretende apossar-se de seus bônus sem arcar com os ônus) tem direito a R$ 6 bilhões, em números atualizados pelo ministro Herman Benjamin, já que o pleito é de 1992. O governo não pode contar que o Supremo, com composição diferente, vá divergir do entendimento adotado em relação à Transbrasil. A Justiça hoje, mais do que nunca, dá sinais de que não se dobrará por conta dessas campanhas de desmoralização, a que me referi antes. Recorrer a artifícios protelatórios é um erro de avaliação política semelhante ao caso da CPI do Apagão Aéreo na Câmara Federal. O governo obrigou sua base a derrubar a investigação: agora terá duas comissões de inquérito. Em qualquer atividade, pública ou privada, vê melhor quem vê longe. No caso da Transbrasil, ela venceu no STF em 1997. Em 1999, no desespero, fez um acordo com o governo que não impediu sua falência em 2001. A indenização da Transbrasil ficou em R$ 725 milhões, em valores de 1998, incluindo correção monetária e juros. Ela foi "trocada" por débitos com a Receita Federal, a Previdência Social, a Infraero e o Banco do Brasil. No caso da Varig, o processo teve início na mesma época. Sua primeira vitória, em primeira instância, foi obtida em 1995 – há 12 anos. Calculou-se, então uma indenização de R$ 2,23 bilhões. Em 1999, o Tribunal Regional Federal de Brasília confirmou a decisão, pela pena da então desembargadora Eliane Calmon, hoje uma das mais respeitadas ministras do STJ. Em 2004, o pleito chegou ao STJ e o relator, ministro Francisco Falcão, seguiu a mesma linha de Eliane Calmon. Foi quando o ministro Luiz Fux pediu vistas. Voltando à 1ª Turma, a maioria acompanhou o voto do relator. Então, esperava-se que a matéria fosse para o STF. Mas a Advocacia Geral da União entrou com o agravo regimental que só agora foi decidido pela 1ª Seção do STJ. Esse calvário ainda pode perdurar. Para a opinião pública o que parece estranho é o poder de uma liminar que garante o funcionamento de bingos ilegais numa simples penada de um desembargador federal. Já o caso da Varig virou novelão, apesar da tragédia que levou à insolvência a maior empresa brasileira de aviação e à demissão sem direitos de seus funcionários, com o desmonte paralelo do fundo de pensão que atende a 9 mil participantes. Como disse um dia o ministro Maurício Corrêa, o maior responsável pela demora das decisões judiciais é o Poder Executivo. Isto é, digo eu, quando esse é seu interesse. Porque esse mesmo Poder Executivo nunca foi tão eficiente diante de liminares como essas dos bingos, que perduraram até que o próprio STF autorizasse o Ministério Público Federal a deflagrar a “Operação Furacão”.
VEREADOR PEDRO PORFÍRIO COMUNICA AUDIÊNCIA PÚBLICA NA CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO SOBRE VARIG E AERUS COM A PRESENÇA DO MINISTRO DO TRABALHO, CARLOS LUPI Embora este comunicado seja do interesse direto dos funcionários da Varig e aposentados do Aerus, convido a todos para audiência pública que realizaremos no Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, DIA 4 DE MAIO, SEXTA-FEIRA,às 9h30m, com a presença do Ministro Carlos Lupi, de autoridades federais, estaduais, membros do Judiciário,parlamentares, OAB, ABI, CNBB, Igrejas Evangélicas, centrais sindicais e setores diretamente ligados a ao destino da mais tradicional empresa de aviação do país e de seu pessoal.
A audiência foi decidida após encontro Fizemos a primeira reserva e, na terceira-feira, daremos entrada de requerimento formal do espaço. Ao mesmo tempo, esperando contar com a colaboração dos interessados na divulgação, dedicaremos os próximos 15 dias do nosso Gabinete à mobilização e organização do evento. O meu telefone na Câmara é (21) 38142163. O celular – (21) 78350680. O Gabinete é o 806 do anexo do Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia. A chefe de Gabinete (coordenadora do nosso coletivo) é a advogada Deborah Salvador, mas desde já estão designadas para tratar da mobilização as companheiras Vânia Cabral e Renata Gonçalves. PRESENÇA DO MINISTRO
Na própria sexta-feira, dia do encontro
realizado Ele mostrou grande interesse, anotou o dia, mas, como estava no Rio de Janeiro, pediu que entrássemos em contato com seu Gabinete no Ministério do Trabalho a partir de segunda-feira, dia 16. O convite foi feito considerando as posições do PDT e dele próprio em defesa da Varig e de seu pessoal. Já havíamos tido uma primeira conversa a respeito com o ministro e ele, por sua vez, já falou sobre o caso com o presidente da República. Por conhecê-lo de longa data, considero que o Ministro Carlos Lupi poderá ser um legítimo interlocutor do pessoal da Varig e Aerus no primeiro escalão do Governo Federal. Não obstante, estaremos formalizando convites a outros ministros, inclusive o da Previdência, Luiz Marinho, e a ministra do Turismo, Marta Suplicy. Como me comprometi com os variguianos com quem tenho contato, o MEU ÚNICO INTERESSE é encontrar uma solução justa para o problema criado para o pessoal da aérea mais querida do Brasil, que, além de um pessoal dedicado e competente, tem em seu programa de milhas 6 milhões de passageiros. Portanto, sinto-me com autoridade para pedir que todos tentem superar conflitos e resistências, a fim de que possamos almejar o resgate do emprego de todos os funcionários da Varig e o restabelecimento dos benefícios a que fazem jus os seus aposentados e pensionistas. Acredito sinceramente que ainda é possível reverter o quadro. UMA MOBILIZAÇÃO AMPLA Tão logo o Plenário da Câmara aprove a cessão do Plenário (exigência regimental) emitirei novo aviso através deste jornal eletrônico. Da mesma forma, espero já então ter confirmado a presença do ministro Carlos Lupi e de outras autoridades e parlamentares. Nossa Assessoria de Imprensa se dedicará com toda a carga a manter contatos com todos os veículos de comunicação. Assim também espero que as associações profissionais e quem têm meios de mobilizar nos ajudem. Como a audiência irá até às 13h30m, estudamos prolongar o ato nas escadarias da Cinelândia. Gostaríamos que você nos enviasse sugestões sobre a idéia de uma concentração com distribuição de panfletos – ou até jornais – à população. Há uma sugestão de, após a audiência pública, realizar um CULTO ECUMÊNICO nas escadarias da Câmara. Queremos que o 4 de maio seja um marco importante numa luta que está longe de ter chegado ao fim. Para isso, peço que você já repasse esse comunicado, com a ressalva de que tudo será confirmado nos próximos dias. PEDRO PORFÍRIO Pedro Porfírio MINHA COLUNA NA TRIBUNA DA IMPRENSA DE 27 DE ABRIL DE 2007 STJ abre o caminho para a recuperação da Varig “Frustrar, mediante fraude ou violência, direito assegurado pela legislação do trabalho” - Art 203 do Código Penal Pena - detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena correspondente à violência. (Modificada pela L-009.777-1998) A decisão do STJ não deixa dúvida e ainda abre uma grande estrada para o governo reavaliar sua política em relação à aviação comercial, agindo a tempo para preservar a presença de nossa bandeira em aeroportos estrangeiros e impedir que se forme um oligopólio num setor que não pode ser carterlizado sob nenhuma hipótese. Por 7 votos a 1, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça rejeitou o agravo regimental interposto pela União e pelo Ministério Público Federal (MPF) para reverter decisão da Primeira Turma da Casa que garantia indenização devida à Varig. A empresa cobra da União cerca de R$ 3 bilhões – em valores de 1992 – relativos aos prejuízos causados pelo congelamento de tarifas durante o governo do ex-presidente José Sarney, na segunda metade da década de 80. Interrompido desde o dia 22 de novembro do ano passado, o julgamento recomeçou na tarde desta quarta-feira (25) com a apresentação do voto-vista do ministro Herman Benjamin, que divergiu do relator, ministro Castro Meira. Apesar desse voto divergente, prevaleceu o entendimento do relator, ministro Castro Meira, que havia votado pelo não-provimento do agravo por compreender que a argumentação da União e do MPF era baseada em provas novas, que não haviam sido apreciadas nas instâncias ordinárias. O voto divergente suscitou caloroso debate no plenário da Primeira Seção. Para o ministro José Delgado, não havia “matéria jurídica remanescente” que demandasse o julgamento dos embargos. Já o ministro João Otávio de Noronha afirmou que o ministro Herman Benjamin teve que buscar argumentos fora do acórdão contestado para dar provimento ao agravo. Além de Noronha e Delgado, os ministros Humberto Martins, Denise Arruda e Teori Albino Zavascki votaram com o relator Castro Meira. Com isso, fica mantido o resultado do julgamento da Primeira Turma que negou provimento ao Recurso Especial no qual União e MPF tentavam derrubar a decisão da instância ordinária em favor da Varig. A volta da Varig A ser coerente com seu novo discurso e atento aos efeitos da crise aérea que gerou duas comissões parlamentares de inquérito, o governo deve chamar os seus ministros mais ligados à questão do transporte aéreo e do direito ao trabalho para adotar a única medida plausível a esta altura dos acontecimentos: pagar à verdadeira Varig com o compromisso de voltar a ocupar seu espaço nos céus do mundo. Essa é, de fato, a única saída honesta para o impasse criado com a sucessão de erros, desacertos inexplicáveis e tentativas primárias de ludibriar a opinião pública, os magistrados, as autoridades aeronáuticas brasileiras e a ICAO - Organização da Aviação Civil Internacional. O governo que teve a iniciativa de incorporar alguns dos seus críticos mais radicais – como o PDT e o agora ministro Mangabeira Unger – que foi muito até agora mal orientado na questão dos transportes aéreos, tem a oportunidade de desatar o nó dado por uma meia dúzia de sabidinhos, monitorados pelo Martln Paterson, um fundo abutre, especializado em maquiar empresas caídas. Os três bilhões de reais devidos à Varig não serão nenhum “dinheiro do contribuinte desviado para uma empresa falida”. A sábia decisão do STJ trouxe no seu bojo o reconhecimento implícito de que desde o presidente Sarney e o estelionato eleitoreiro do Plano Cruzado, o governo federal vinha corroendo as principais companhias aéreas de então, tanto que nenhuma delas suportou a pressão, beneficiando as concorrentes novas que são hoje as donas do pedaço. Não há crime perfeito A sorte é que não há crime perfeito. Tudo o que se tentou nesses últimos anos foi livrar os compradores das elementares obrigações trabalhistas, sem a perda da marca consagrada há 80 anos e, o que é mais complexo, dos slots (reservas de pousos e decolagens) nos aeroportos daqui e dalém mar. Daí estar o sr. Constantino Jr totalmente iludido, pensando que vai ganhar a Varig limpa de dívidas e com o melhor dos mercados, só porque a arrematante do leilão - Aéreo Linhas Aéreas ençãS.A - mudou sua razão social para VRG S.A e criou um novo CNPJ. No primeiro caso, para dizer que a Varig é a mesma, preservando os slots conquistados através de décadas; no segundo, que não é a mesma, livrando-se principalmente das obrigações trabalhistas,com o que pretende desconhecer os artigos 10 e 448 da CLT. O que esse grupo abutre conseguiu foi tumultuar a outrora competitiva aviação comercial brasileira. Num dos “apagões”, você deve recordar, a TAM tinha deixado de cumprir seus compromissos por estar com seis aparelhos em manutenção. E nesse ramo não se pode agir como numa serralheria, que atende uma encomenda em 24 horas. Com as decisões do STJ e do STF (este, por unanimidade,mandou instalar a CPI do Apagão aéreo) o governo deve se convencer de que esgotou a tolerância com seu amadorismo no trato com uma transporte tão essencial a um país continental, que tem no crescimento das exportações um dos pilares de sustentação. De nada vai adiantar contrapor novos recursos protelatórios. Isso pode até acontecer com base na fartura de variáveis do nosso arcabouço legal. Mas e daí? A solidez da decisão do STJ é um indicativo que se basta. Ou há insensíveis nesse governo que prefiram esperar pela morte dos milhares de dependentes do Aerus, cujas reservas estão praticamente exauridas? Não é crível que um governo de coalizão com o discurso do crescimento acelerado continue na área da aviação comercial subordinado a manipulações espúrias que, em essência, só servem para favorecer às companhias estrangeiras, que já estão recebendo de mão beijada mais de 1 milhão de passageiros brasileiros. Daí a importância do crescimento unitário da mobilização de todos os profissionais – aeronautas, aeroviários e aeroportuários – para a audiência pública do dia 4 de maio, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. MINHA COLUNA NA TRIBUNA DA IMPRENSA DE 23 DE ABRIL DE 2007 A Varig vale muito e não pode parar “Nós entendemos que a transação compreende a compra de uma empresa VRG, que opera a marca Varig, livre de qualquer passivo”. Constantino Junior, presidente da Gol Quando eu disse na sexta-feira passada que poderemos estar chegando perto do resgate da justiça para os funcionários e aposentados da Varig, algumas pessoas entenderam que estava apenas aplicando uma injeção de ânimo numa corporação que ainda vive amargando uma solução judicial que lhes custou tantos anos de serviços prestados. Pode até ser que, na pior das hipóteses, uma injeção de ânimo valha por si. Mas o que penso é que o Brasil não pode abrir mão de profissionais altamente qualificados e nem pode transformar um plano complementar de aposentadoria num mau exemplo de arapuca. Não pode, igualmente, abandonar uma companhia de alto prestígio internacional e presença na maioria dos aeroportos brasileiros só para abrir caminho a um oligopólio que poderá nos levar a situações muito mais dramáticas do que as vividas até agora nos já crônicos “apagões aéreos”. Quando eu abro minha trincheira em defesa do pessoal da Varig é certo que afirmo minha solidariedade a um núcleo de trabalhadores logrado por uma Lei que se antecipou à extinção da CLT. Mas também reajo como um brasileiro de 64 anos que já viu muitos filmes parecidos antes. Só que, quando a ditadura massacrou a Panair, os tempos e a capacidade de recuperação eram outros. Não tínhamos nem cinco milhões de passageiros/ano e não havíamos entrado sequer na era do avião a jato. Demanda estratégica Hoje, há uma demanda de 50 milhões de passageiros/ano (chegamos a 40 milhões em 2006) e o transporte aéreo de carga aumenta vertiginosamente, apoiado até mesmo pelo comércio cada vez maior através da Internet. Quando a Varig começou a dar sinais de debilidade, o governo tinha obrigação de intervir, sem pestanejar, ainda que essa intervenção significasse sua estatização temporária ou sua entrega real aos empregados. Ao contrário do que muita gente pensa, a Fundação Rubem Berta deixou de ser representativa, em face de casuísmos pelos quais as políticas de gestão e as mudanças na cúpula da empresa e do fundo de pensão atendiam tão somente a conveniências de um pequeno grupo que, investigado, terá muito o que explicar. É preciso considerar também que a Varig pagou um alto preço pela incúria das políticas governamentais incompetentes e mal intencionadas. Ela entrou no redemoinho da globalização sem pai e sem mãe, enquanto outras empresas foram apoiadas em seus países. Ao longo de sua história, os governos usaram e abusaram da Varig. Muitos dos vôos que fazia eram reconhecidamente deficitários, mas havia interesse político em atender a determinadas cidades ou regiões. Isso nunca foi levado em consideração. Enquanto ela cumpria religiosamente sua função de integradora entre cidades de todo o país, as concorrentes novas, a começar pela antiga Táxi Aéreo Marília, que nunca “entrou em dividida”. A TAM de hoje sempre principalizou o mercado paulista, onde se concentram 50% do nosso PIB. Tal também foi o aparecimento da Gol. Esta, já sob égide de uma política de custos baixos, inclusive em relação ao pessoal, no que não estava sendo nem um pouco original. É preciso deixar claro que essa empresa foi crescendo no espaço da Vasp, que ia sucumbindo inexplicavelmente, apesar de privatizada e em mãos de um empresário que foi glorificado pelo governo Collor. O Rio sai perdendo De qualquer maneira, o que o presidente Luiz Inácio tem que saber; o que o governador Sérgio Cabral precisa atinar; o que o prefeito César Maia não pode esquecer é que a simples extinção da Varig com sua absorção pela Gol trará prejuízos irreversíveis para o Estado do Rio e para o Brasil. Houve uma transferência capciosa de pousos, escritórios e oficinas de manutenção do Rio para São Paulo. Essa é uma concentração perniciosa, até porque aqui no Rio o ICMS dos combustíveis de aviação é muito inferior ao do Estado de São Paulo, sem falar nas disponibilidades do aeroporto internacional. A marca Varig vale mais do que todas as demais juntas, porque ela representa os melhores índices históricos de segurança, pontualidade e conforto para seus passageiros. Não é à toa que tem 6 milhões de clientes em seu programa de milhagem. Não tem sentido desfigurá-la, num segundo golpe que só serve para legitimar o primeiro: porque a Gol deu 324 milhões de dólares por uma empresa que foi arrematada em leilão por 24 milhões? A transação recente ainda terá de ser confirmada pelo CADE – o responsável pelo combate aos trustes e oligopólios. A ser coerente, não aprovará uma operação que deixará a massa de 50 milhões de passageiros/ano em mãos de duas companhias, tanto para vôos domésticos, como internacionais. Você me perguntará: então, qual é a solução? Em havendo vontade política, a solução deverá ser discutida com as associações de funcionários da empresa, que elaboraram um plano próprio de recuperação, sem as perversidades que aconteceram. Aí, é contar que o STJ decida finalmente, quarta-feira, pela obrigação do governo em ressarcir às aéreas pelos prejuízos letais causados desde o Plano Cruzado. Se o governo tiver o mínimo de lucidez e patriotismo, saberá reconhecer a dívida, com a qual serão gerados os recursos para recuperar a Varig e cobrir o rombo do Aerus, a quem ela deve desde 2002. Aqui, para nós do Rio de Janeiro o que não podemos admitir é o esvaziamento do parque da Varig, da sua respeitada empresa de manutenção e de seus serviços de terra de alto nível. A Gol pode até aproveitar alguns profissionais da Varig, mas de sua base paulista. E, com essa mentalidade tacanha de que o avião é um ônibus que voa, deixará de aproveitar experientes comissários, em troca de moças que pouco sabem de um vôo, por um salário não muito superior ao de uma empregada doméstica. Nisso tudo, o que fez o sr. Constantino pagar quinze vezes mais o valor do leilão foi o que ele próprio admitiu: a certeza de que não receberá nenhum passivo, isto é, que 6 mil demitidos e 9 mil aposentados ficarão ao Deus dará. Daí a importância da audiência que promoveremos dia 4 de maio na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Ainda é tempo de provar que uma empresa do prestígio internacional da Varig pode se recuperar sem virar uma lotação. Varig: a hora do resgate está chegando MINHA COLUNA NA TRIBUNA DA IMPRENSA DE 20 DE ABRIL DE 2007 “E o Brasil perdeu a Varig! Perdendo a Varig , o Brasil perdeu sua posição no setor aéreo mundial”. Deputada Luciana Genro
Pode parecer um sonho, uma expectativa de milagre, mas eu ainda tenho a convicção de que a Varig pode voltar a ocupar seu espaço nos céus do Brasil e do mundo. Quando falo Varig, refiro-me ao seu pessoal – aeronautas, aeroviários e aeroportuários. E a todos os aposentados e pensionistas que têm direito à complementação pelo Aerus. Vou mais além: acho que a própria aviação comercial brasileira pode retomar sua pujança, com o resgate dos empregados que passaram e passam pela mais amarga das experiências trabalhistas: foram expurgados sem direito sequer aos salários atrasados. É por ter esta expectativa positiva que estou convidando para uma audiência pública no plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, dia 4 de maio, a partir das 9h30m. Esse encontro pretende ter um caráter afirmativo. Daí estarmos convidando vários ministros do Governo Federal, dos quais pelo menos um, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, já confirmou sua presença. Daí estarmos convidando o governador do Estado, o prefeito da Cidade, todos os deputados federais, estaduais e senadores do Estado do Rio, além de funcionários da administração pública ligados às questões do trabalho, previdência, turismo e transporte aéreo. STJ julga defasagem tarifária Nas próximas horas, há uma possibilidade de que o Superior Tribunal de Justiça se manifeste, em caráter definitivo, sobre o antigo pleito das companhias aéreas, comprovadamente afetadas pelo congelamento de tarifas em 1986. Há um reconhecimento incontestável dos prejuízos causados por aquela medida, que quase tornou inviável a atividade das companhias aéreas de então e que está na raiz das crises subseqüentes enfrentadas por elas. No caso da Varig, estima-se que o governo deve pouco mais de 5 bilhões de reais. Não sei se hoje ainda prevalecem os cálculos, mas esses valores seriam suficientes para garantir a sobrevivência da companhia, facilitando sua recuperação, e o atendimento aos compromissos do Aerus. A pendência poderá ser finalmente dirimida no dia 25 de abril, quando o ministro Herman Benjamin, da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) deverá levar a julgamento o agravo regimental referente a ação de defasagem tarifária. Há uma mobilização de todos os profissionais da ativa e aposentados para acompanharem o pronunciamento da Justiça. Nove dias depois, estaremos realizando o encontro na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Uma decisão favorável dará suporte legal para um desdobramento afirmativo em relação a todos os que padecem de salários atrasados e aposentadorias complementares reduzidas a quase nada. Mas poderá levar o governo também a repensar o quadro da nossa atividade aérea, considerando seu caráter continental e sua importância no mundo. A Varig, como você sabe, é uma marca que se impôs entre as empresas mais respeitadas e confiáveis da aviação internacional. Há indícios de que o governo federal poderá reavaliar algumas posições adotadas no passado, muitas das quais, como o abandono da Varig à própria sorte, sob influência de lobbies domésticos, capitaneados por quem confunde transporte aéreo com sabão em pó. A presença do PDT no primeiro escalão do governo e a nomeação do economista Luciano Coutinho para o BNDES são sinais de que algo de diferente está por acontecer. O BNDES é o maior banco de fomento do mundo, com orçamento superior a 60 bilhões de reais. Nos últimos anos, esse banco cuidou muito pouco de áreas estratégicas, como a aviação comercial. Preferiu socorrer empresas privatizadas, com as quais tem sido demasiado generoso. O resultado foi essa trapaça pela qual um fundo norte-americano classificado como “abutre” deitou e rolou. Em julho do ano passado, foi sozinho a um leilão por demais estranho, arrematou a marca e alguns ativos da empresa por 24 milhões de dólares, ficando por decisão judicial, com base numa perigosa Lei de “recuperação de empresas”, a salvo dos passivos de toda natureza, com o que ficaram a ver navios os empregados, aposentados e credores. Uma frente para vencer Oito meses depois, sempre através de testas-de-ferro, o fundo Martin Paterson revendeu a “nova” Varig à Gol por 324 milhões de dólares. Esta última transação ainda parece nebulosa, tanto pelo “negócio da China” conduzido pelo preposto Lap Chan, como pelas reais intenções dos novos proprietários da Varig. O presidente da Gol, Constantino de Oliveira Junior, fez várias declarações a serem conferidas. Uma delas, a de que dobrará rapidamente a frota de aviões da “Nova Varig” de 17 para 34, sendo 20 Boeing 737 e 14 Boeing 767, não fazendo referência aos MD-11 que ainda operam na companhia. Ele afirmou também que tem a intenção de trazer de volta o pessoal demitido da Varig para participar dessa expansão, segundo ele, a pedido do próprio presidente Lula. Mas nada disso pode ser entendido sem uma avaliação dos próprios funcionários que estão na luta pela salvação da antiga empresa desde 2002. O objetivo do encontro na Câmara Municipal do Rio de Janeiro é considerar todos os aspectos desse drama que atinge a milhares de famílias de todo o país. É bom que se frise o seu caráter afirmativo e sua preocupação com todos os segmentos envolvidos – aeronautas, aeroviários, aeroportuários e participantes do Aerus. Se tivermos o mínimo de lucidez e despojamento, estaremos abrindo uma frente capaz de resgatar o tempo perdido e de estruturar o envolvimento da sociedade e dos agentes políticos com forças suficientes para corrigir um dos maiores desacertos já cometidos no âmbito do transporte aéreo. Essa é a minha intenção. É a minha expectativa. Daí insistir numa mobilização unida que não se restrinja ao evento do dia 4. Eu diria que os ventos são outros. Pode parecer excesso de otimismo, mas nenhuma luta é vitoriosa se não parte do princípio de que sua justeza a levará a resultados positivos, mais dia, menos dia, de uma forma ou de outra. Portanto, espero que você compareça à audiência com pensamento afirmativo, acreditando que ela será um encontro importante para o resgate do direito de todos. E para o bem do Brasil.
Revelações de uma CPI à margem do poder MINHA COLUNA NA TRIBUNA DA IMPRENSA DE 26 DE MARÇO DE 2007 “O objetivo deliberado desde o início era entregar a companhia aérea ao fundo de investidores americano Matlin-Patterson”, Élnio Borges, presidente da Associação dos Pilotos da Varig. Enquanto uma solitária CPI da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro começa a mostrar um pouco do jogo de cartas marcadas para inviabilizar a maior companhia aérea brasileira, no front de Brasília os nossos distintos parlamentares só têm olhos para as benesses do poder. Aqui, o incansável deputado Paulo Ramos, à frente da CPI, faz das tripas coração para desvendar um dos maiores desastres de nossa aviação comercial. Lá, onde não canta o sabiá, os deputados aumentam em 27% seus próprios subsídios e enxertam um “por fora” de R$ 5.000,00, enquanto perseguem de olho grande todos os escaninhos do poder. Na capital federal, já não se fala mais em CPI do apagão aéreo. Ou por incompetência dos seus formuladores, que jogam muito mais para as arquibancadas, ou por medo pânico do governo, que quer controlar todos os movimentos do jogo, vamos permanecer na incerteza sobre o próximo vôo. Cartas marcadas Curioso: como relatou Renan Antunes de Oliveira, no JORNAL DO BRASIL, “a sessão da CPI (da ALERJ) não rendeu uma linha sequer na imprensa do dia seguinte, cujo noticiário estava ocupado com o sucesso do governo federal em evitar a instalação da CPI do Apagão Aéreo”. No entanto, Paulo Ramos, guerreiro teimoso e obstinado, junto com alguns colegas, está fazendo o que seria atribuição de um Congresso Nacional que já teve até uma frente parlamentar em defesa da Varig, presidida pela atual governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusis. “A decisão política de extinguir a Varig já estava tomada, para que um resultado adrede preparado fosse alcançado"- afirmou o parlamentar pedetista, ao exibir documentos trazidos à CPI por João Raymundo Cysneiros Vianna, primeiro administrador judicial da empresa, ainda em 2005, quando haviam muitas esperanças no ar quanto à possível recuperação da companhia octogenária e do Aerus, seu fundo de pensão. Vianna, aliás, deixou meio mundo perplexo ao declarar e assinar embaixo: os diretores da Varig não davam a mínima importância às determinações da Justiça, que ele queixou-se disso ao Judiciário por escrito e que os juízes não só ignoraram as queixas como ainda o afastaram do cargo. Isso levou Renan Antunes de Oliveira a escrever: “o apoio do governo federal à companhia em crise foi enganação; a administração profissional por um colégio de supostos notáveis só afundou mais a companhia; a intervenção, a recuperação judicial, os leilões públicos e, finalmente, o desmonte da Varig foram um jogo de cartas marcadas”. Pelo o que eu saiba, só a Assembléia fluminense está interessada na sorte de uma “empresa-escola”, que bem poderia estar sendo recuperada por seus próprios funcionários, se a proposta do TGV – Trabalhadores do Grupo Varig – tivesse sido homologada a tempo e se o governo federal tivesse a mesma atitude que teve com empresas privatizadas, como a Ferrovia Ferro-oeste e até a multinacional AES (dona da Eletropaulo) que tiveram mais do que o carinho do BNDES. Mesmo assim, a mais bem preparada das corporações de aeronautas e aeroviários ainda tem a mesma esperança do comandante Élnio: sonhar com a reversão do quadro não é coisa de doido. Afinal, o próprio ministro Mares Guya, que comandou o Turismo até agora, reconheceu que toda essa celeuma nos aeroportos tem a ver com o esvaziamento da empresa, com o sacrifício perverso de 9 mil profissionais da ativa e outros 9 mil aposentados e pensionistas do Fundo Aerus. E por falar em aposentados Enquanto Lula vai chegando ao fim da estressante tarefa de montar seu segundo governo ( o primeiro foi um fiasco), enquanto recorre a casuísmos para atender a gula de seus aliados (O PSB quer porque quer dois ministérios), vamos tomando conhecimento de um massacre em escala gigantesca – o dos aposentados e pensionistas de nossa Previdência Social. Valéria Maniero, do jornal EXTRA, calculou que nos últimos 11 anos (o apogeu do neoliberalismo) o poder de compra dos aposentados e pensionistas que ganham acima do mínimo caiu em média 55,78% (mais da metade). Ela cita Gilberto Braga, professor de finanças do Ibmec (e não o novelista): ‘Isso ocorreu porque, de 1995 para 2007 o reajuste acumulado do mínimo foi de 280%, enquanto o dos benefícios previdenciários atingiu 143%”. A repórter conversou com o aposentado Ivan Assis Cardoso, de 75 anos, e chegou a um número ainda mais alarmante: ele se aposentou há 27 anos com o equivalente a 8,37 salários mínimos e hoje recebe 1,66 SM. Isso comprova a previsão do ex-deputado Sérgio Miranda de que, muito em breve, as aposentadorias serão achatadas de tal forma que todo inativo terá que sobreviver com o piso, a menos que o novo ministro da Previdência convença o governo a revisar a Lei 8213/91, da lavra de Collor, que criou o indigno fator previdenciário. A respeito, aliás, tramita no Congresso projeto do senador petista Paulo Paim, que poderá ser um aliado na defesa dos direitos dos aposentados e pensionistas.
Em contra
partida, como informou Ana Cecília Santos, Para demonstrar o impacto do congelamento da tabela do imposto, a consultoria calculou quanto representou a mordida do Leão a cada ano no benefício desses aposentados. Ou seja, a alíquota efetiva. Em 1996, o aposentado que ganhava o teto máximo, de R$ 957,56, pagava 15% de IR sobre a sua renda. Mas a alíquota efetiva era de menos de 1%. Hoje o mesmo aposentado, cujo benefício máximo está em R$ 2.801,82, passou para a faixa de tributação mais alta, na qual o imposto incidente é de 27,5%, e a alíquota efetiva, de 8,76%. Quer dizer, em 11 anos o peso do IR no benefício deu um salto de 871% (9,7 vezes).
FUNDOS DE PENSÃO: UM PROBLEMA NACIONAL “As ilegalidades perpassaram diversos governos. Ao invés de recursos, ingressavam "contratos de refinanciamento". São as chamadas "operações mata-mata", absolutamente vedadas pelo Banco Central e vedadas entre fundos e suas patrocinadoras. A SPC, no entanto, aprovou cada uma das múltiplas renegociações. Houve fraude à lei, houve fraude ao regime de capitalização”.
Luís
Antônio Castagna Maia, advogado dos funcionários da Varig Nesse encontro, hoje, às cinco e meia da tarde na ABI, teremos depoimentos incontestáveis de alguns dos maiores conhecedores desses planos. Fui convidado como palestrante pela incansável Maria Augusta Tibiriçá Miranda por conta do que escrevi na semana passada sobre o massacre no Aerus. Mas tive a preocupação de transferir a maior responsabilidade do relato para alguém que é hoje uma das maiores referências da vida sindical dos trabalhadores da aviação. Nelson Cirtroli, que virá diretamente do Rio Grande do Sul para o evento, foi presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aéreos e curador do Instituto Aerus, na década de 90. Ele está, portanto, muito mais preparado do que eu para falar das próprias entranhas desse fundo de pensão que está levando 9 mil famílias ao mais dramático desespero. O efeito cascata O que me assusta nisso tudo é o efeito cascata. Como pano de fundo da tragédia dos participantes do Aerus – como do Aeros, da Vasp – está a inviabilidade do modelo de aposentadoria complementar, que foi urdido como uma panacéia quando começaram a desarticular a previdência pública. Graças à capitalização desses fundos que ganharam maior incremento a partir dos anos 80, há hoje no Brasil 360 entidades de previdência complementar, sendo 36 patrocinadas por estatais federais, com patrimônio chega a R$ 345 bilhões (18% do PIB). Pelo que acumulam, esses fundos, particularmente os das estatais, são utilizados em todos os tipos de manobras para dar suporte a decisões governamentais. Nos leilões de privatizações-doações do período FHC, eles foram usados sem parcimônia, contribuindo, inclusive, para favorecer certos grupos. Hoje, o ainda influente José Dirceu defende publicamente a apropriação dos seus recursos para envolvê-los nos anunciados programas de infra-estrutura do governo.“Se temos os fundos e o BNDES, com a TJLP a 6,85% reais ao ano, o que falta?” Os fundos de pensão ganharam silhuetas de hipocrisias e fazem lembrar os montepios que usavam os nomes dos militares, logo após 64, para ludibriar milhões de brasileiros. Talvez você não tenha vivido na década de 60 a festa do Montepio da Família Militar, da Capemi e do Gboex, entre outras arapucas que levaram muitos pensionistas ao desespero, por conta dos seus contratos indecifráveis: hoje, ainda existem pessoas com direito à pensões de R$ 10,00. No caso dos fundos atuais, tal como aconteceu com os aeronautas, eles começaram a mudar de figura a partir da influência dos fundos estrangeiros, ainda no período FHC, mas ganharam corpo quando Luiz Gushiken, da copa e cozinha do Palácio, passou a ditar as regras sob inspiração de Stanley Gacek, o homem da previdência privada sindical dos EUA. A grande mudança operada serve como prenúncio do fracasso futuro dos fundos, na medida em que ela impõe a substituição do benefício definido pela contribuição definida. No primeiro caso, o fundo poupava e operava com compromissos claros. O participante sabia que, ao se aposentar, teria a complementação necessária para manter pelo menos 90% de sua renda assalariada. No segundo caso, que está sendo imposto nas repactuações, você sabe quando vai pagar e quanto pagará a patrocinadora. Mas na hora de receber, vai depender do desempenho do fundo. Isso se ele e a patrocinadora não ficarem insolventes, como aconteceu com os fundos dos aeronautas e ferroviários. No caso dos trabalhadores em aviação, desde 1991 que ele vem sendo minado. Nesse ano, por iniciativa da VASP, o governo retirou sua contribuição de 3%, que eram incluídos no valor da passagem. Da contribuição definida ao caos O esvaziamento do Aerus se agravou em 2002, como relata Nelson Cirtroli: “Em 1995, logo após a 16ª ilegal renegociação da dívida, nasceu o Plano II no Aerus, estabelecendo a modalidade de contribuição definida com a pretensão desesperada de diminuir os compromissos das patrocinadoras. Aprovada pelo governo, a estratégia utilizada para incentivar a adesão a um plano menos vantajoso, foi oferecer benefícios de ingresso bem mais atraentes, utilizando-se para isso da reserva matemática (poupança) do plano original (agora chamado Plano I), em detrimento aos participantes que neste permanecessem. Em vista da liquidação ora imposta, o prejuízo causado pela irregular utilização da referida reserva se materializa, com os participantes do plano original, quedando-se sem benefício já a partir de março próximo. Em 2002 a Varig encerrou sua participação contributiva para o AERUS (mais uma vez de forma irregular, posto que a Lei não permite afastamento da patrocinadora sem que antes sejam quitados os débitos existentes). Com isso, a Varig repetia o comportamento do governo, quando em 1991 eliminou a chamada 3ª fonte de custeio. Ao mesmo tempo, tal alteração promovia uma diminuição drástica na reserva matemática (poupança) dos trabalhadores participantes, reduzindo artificialmente o déficit da empresa. Em julho de 2005, o governo impôs ao Aerus um Administrador Especial para os Planos Varig o qual, conforme a Lei 109, tinha por função primária saneá-los para resguardar os direitos dos participantes e assistidos”. Vamos saber mais no painel de hoje na ABI, do qual participa também o ex-deputado e ex-vereador Ricardo Maranhão, em nome dos seus colegas da Petrobrás.
AERUS:
UM MASSACRE SEM FIM “Não participamos do banquete e a conta sobrou para nós. Triste realidade a nossa”. José Jordão, aposentado da Varig. Às vésperas da folia, quando os tamborins já repicavam, os participantes do Fundo de Pensão Aerus (Varig e Transbrasil) foram brindados com a informação de que sofreriam novos cortes nos seus já minguados benefícios, em fevereiro e março. A circular assinada pelo novo interventor José da Silva Crespo Filho é mais uma ferida exposta sobre as perniciosas relações entre gestores de fundos privados de aposentadoria complementar e seus integrantes.
“Em 12 de janeiro de 2007, o Aerus recebeu
intimação da Receita Federal acerca de seu desenquadramento quanto ao
benefício previsto no art. 5º da Medida Provisória nº 2222/01. Segundo
a Receita Federal, houve recolhimento a menor da Contribuição para o
Programa de Integração Social – PIS, no período de junho de O valor devido, segundo a Receita Federal, é da ordem de R$ 59.000.000,00 (cinqüenta e nove milhões de reais). Esse valor deverá ser provisionado no patrimônio, implicando na redução do Ativo Líquido de todos os planos de benefícios. Além desta notificação, existem ainda outras, de menor valor, cujo total é aproximadamente de R$ 12.500.000,00 (doze milhões e quinhentos mil reais). Vale observar que, de acordo com o parágrafo 4º do art. 50 da Lei Complementar 109/01, “os créditos dos participantes não têm preferência sobre os créditos de natureza trabalhista ou tributária”. Por isso, o Aerus, por uma questão de cautela e legalidade, se viu obrigado a provisionar o valor total de aproximadamente R$ 78 milhões(*), que será rateado proporcionalmente ao patrimônio de cada um dos planos de benefícios, inclusive aqueles que não estão sob o regime de liquidação extrajudicial. No entanto, nos planos em liquidação extrajudicial, a conseqüência imediata é a redução do valor disponível para pagamento de antecipações da Provisão Matemática. Por esse motivo, foi necessário reduzir o valor a ser rateado entre os aposentados e pensionistas nos meses de fevereiro (pagamento em 02/03/07) e março (pagamento em 03/04/07). Portanto, serve o presente Comunicado para informar que o valor bruto da antecipação nesses 2 (dois) próximos meses será menor do que aquele informado nos Comunicados Aerus 001/07 (Transbrasil) e 002/07 (Varig)”. Mais uma amputação Esse não é o primeiro corte nos benefícios dos participantes do Aerus. Eles já vinham recebendo em torno de 40% do que tinham direito, sempre em nome de cálculos em função de gestões temerárias, sobre as quais não tiveram nenhuma responsabilidade. O mais dramático em tudo isso é que ainda não sabem até quando vão receber alguma coisa em resposta a anos de contribuição, cujo retorno consideravam sagrado, tanto do ponto de vista da necessidade, como do direito. Afinal, não reclamam nenhum favor. O sistema de aposentadoria complementar é regido por uma legislação definida e controlado por uma Secretaria especializada. O governo federal é o fiador do desempenho de cada fundo, na medida em que opera esse controle e intervém diretamente em sua administração. Isso presume responsabilidade subsidiária pelo cumprimento de suas obrigações, tal como entendeu uma juíza de Brasília em relação ao caso do Aero – o fundo da VASP. De uma certa forma, esses planos giram em torno das diretrizes estabelecidas nessa Secretaria, cuja responsabilidade é transcendente. Na medida em que um fundo entra em liquidação e abandona seus participantes á própria sorte, ele está disseminando insegurança em relação a todo o sistema. Há hoje no Brasil 360 fundos de previdência complementar, 36 dos quais de empresas estatais. Há crises em muitos deles, com conseqüente redução dos benefícios. Gigantes como o Petros vêm sendo questionados por uma repactuação que tem gerado revolta em boa parte dos seus beneficiários. Outros, como o fundo da Rede Ferroviária Federal, começam a fazer água. Neste caso, os aposentados serão afetados pela Medida Provisória 353, que considera encerrado o processo de liquidação da extinta RFFSA. É curioso que os fundos de pensão ainda são vistos como verdadeiras minas de onde poderão ser retirados recursos para os programas de infra-estrutura do governo. Essa tendência preocupa principalmente o pessoal do Banco do Brasil, que perdeu totalmente o acesso à gestão do PREVI. Um artigo assinado por José Dirceu dá uma mostra do que se pensa no interior do governo. Ele está de olho num patrimônio que chega a R$ 345 bilhões (18% do PIB) e critica sua política de aplicação em títulos da renda fixa. Para ele, o governo pode pôr a mão nos recursos disponíveis e aplicá-los conforme suas prioridades. A responsabilidade é clara Isso reforça a tese de que o governo tem obrigação de socorrer todos os participantes de fundos complementares, que estão no gozo de benefícios para os quais contribuíram. No caso do Aerus, bastaria que a Varig tivesse honrado sua dívida, que chega a R$ 5 bilhões, segundo cálculos dos aposentados. Da mesma forma que agiu para recuperar as perdas decorrentes do recolhimento a menor do PIS (um fundo para os empregados) podia e pode muito bem agir rapidamente para evitar que essa crise cada vez mais grave leve ao desespero 9 mil famílias brasileiras que não têm culpa nenhuma de nenhum descalabro administrativo.
O governo já viu no que deu abandonar a Varig á própria sorte.
Produziu um estrago maior do que a derrubada das torres gêmeas Se tiver o mínimo de lucidez e considerar o caráter continental do nosso país, fará um autocrítica e assumirá suas responsabilidades, encarando, como absoluta prioridade, os danos quase irreversíveis causados aos funcionários e aposentados da mais tradicional companhia de aviação deste lado do equador.
Notícias de uma falência mal contada
O calote trabalhista e suas perversas conseqüências
Minha coluna da TRIBUNA DA IMPRENSA de 28 de agosto de 2006
Quando se fala em moratória da dívida externa, a mídia grita. Mas diante desse calote nos empregados da Varig em nome de sua recuperação financeira, ninguém se toca.
Rodrigo da Matta era um piloto que preferia comandar um jato da ponte aérea para ficar mais perto da família, em Niterói. Temperamento alegre e comunicativo, doce no trato apesar dos seus mais de 1,90m de altura, corpo atlético, ele morreu aos 44 anos no final de julho, na semana em que o pai, o antropólogo Roberto da Matta, festejaria seus 70 anos. O sol já se ia, quando ele foi fulminado por um infarto. Naquele momento, o chinês Lap Chan, preposto de um fundo norte-americano de investimentos, confirmava a mais impiedosa guilhotina social de nossa história. Sem ver um tostão desde abril, seis mil competentes funcionários iam ser demitidos da Varig com um carimbo fatal: em nome da Lei de Recuperação de Empresas, eles passariam a ser tratados como se nunca tivessem trabalhado na empresa octogenária. Rodrigo perdia a vida, mas não era a única vítima de uma ciranda macabra. O mega-golpe não ceifaria apenas os trabalhadores em serviço. Estavam sendo surrupiados também os aposentados e pensionistas atendidos pelo Aerus, um fundo de pensão para o qual contribuíram por anos e que também por anos vinha sendo dilapidado ante a omissão dos órgãos públicos. Por trás das cortinas, os trabalhadores e aposentados da Varig viveram cenas dilacerantes de desespero e revolta. Afinal, no ano passado, a empresa dera sinais de que tinha tudo para dar a volta por cima. Julho passou e agosto está chegando ao fim. Numa hora em que a mídia se ocupa dos “presuntos” mais frescos, estão consumando na surdina o mais desonesto dos calotes, a apropriação dos direitos dos trabalhadores da Varig. E, enquanto um insípido burocrata da agência aérea governamental disse na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro que o governo não tem nada com isso, a opinião pública vai sendo tapeada com meias informações, como se tudo estivesse dentro dos conformes. Escondendo a tragédia Aos poucos, o tempo vai escondendo a tragédia. O que se fala agora é menos do essencial e mais de outras vilanias típicas da súcia que se vale de uma cortina de fumaça para perpetrar o crime por inteiro. Mal pôs a mão na massa, o preposto do fundo abutre tratou de fazer mal também ao Rio de Janeiro. Violando acordos firmados com o Governo do Estado, quer transferir para São Paulo o que restar de vida da Varig. A empresa de manutenção, os escritórios, enfim, o Rio só não desaparece do mapa porque é um bom aeroporto de passagem. No mesmo instante, a agência governamental precipita-se na transferência das linhas da Varig para suas concorrentes. É uma pena, uma grave constatação, que a opinião pública não esteja se sentindo igualmente lesada por esse golpe, no qual os atingidos de hoje são apenas os “abre alas” de um novo e perverso modelo de relações trabalhistas. Modelo inacreditável, mas que vai se cristalizando sob os olhares lânguidos de todos – mídia, políticos, formadores de opinião. Recapitulemos, já que nós desta TRIBUNA DA IMPRENSA estamos sozinhos tentando contar essa história suja de cabo a rabo. Havia uma respeitada empresa aérea, a maior do Brasil. Por causas próprias e em face de políticas governamentais, ela foi enfrentando turbulências quase intransponíveis. Embora os próprios empregados tivessem oferecido seus corações e mentes para assumi-la e recuperá-la com o mínimo de fraturas, o juiz empresarial optou por outro piloto. Que piloto! Com base numa lei nova, de 201 artigos e uma infinidade de parágrafos e incisos, aprovou um plano de recuperação que deixa seus empregados a pão e água. Para isso, é bom que se diga, contou com a solidariedade militante de um sindicato cuja única preocupação é postar-se como linha auxiliar do governo que, por motivos mais do que conhecidos, abandou à Varig à própria sorte. A vigília da verdade Nesse script, a ficção impôs-se como fato consumado. A empresa não faliu, mas seus empregados e os aposentados se tornaram buchas de canhão. Por uma alquimia em nome da Lei 11101/95, a Varig foi dividida em duas: a velha, com suas dívidas, e a “nova”, eximida de suas obrigações trabalhistas, com um brutal corte epistemológico em sua história, como é, aliás, praxe da súcia do PT. Resultado: seis mil demitidos não sabem a quem apelar para receberem os atrasados, e os seus direitos trabalhistas. O Sindicato dos Aeronautas tratou tão somente das autorizações para sacarem o fundo de garantia e recorrerem ao auxílio desemprego. O principal, que soma mais de R$ 300 milhões, fica para quando Deus quiser. Para consolidar essa ignomínia trabalhista, o preposto do fundo abutre joga com a divisão dos empregados. Anunciou a demissão de 6 mil ao arrepio dos próprios acordos coletivos de trabalho. E deixou outros 3.800 como sobreviventes, aferrados aos seus salva-vidas, o que é compreensível, considerando que o mar não está para peixe. Entre os demitidos e os mantidos criou-se um grupo de premidos pela esperança. Eu até gostaria que estivessem certos, mas estes preferem chorar baixinho, sem incomodar, esperando que um dia sejam lembrados e repescados. É para contar essa história aos seus antigos passageiros que comissários, pilotos e aeroviários da Varig fazem uma vigília hoje, a partir das 14 horas, no Aeroporto Santos Dumont. Se você passar por eles, não deixe de ouvi-los atentamente. Porque o que eles estão passando hoje pode sobrar para outros assalariados amanhã. Eles vão tentar manter a denúncia dos maus tratos no ar, já que para a quase totalidade da mídia o massacre que sofreram já é página virada.
Um crime com todos os
requintes de perversidade http://www.tribunadaimprensa.com.br/coluna.asp?coluna=porfirio
DIREITOS SÃO DIREITOS, ESTÁ NA CONSTITUIÇÃO "A lei trabalhista impõe a sucessão, ou seja, a nova empresa deve assumir todos os débitos, e estes devem ser pagos em dinheiro." Rodrigo Carelli, procurador do Ministério Público do Trabalho. Mais do que um crime pontual contra toda uma corporação, o desenlace do complô que abateu a Varig assume ares de uma grande ameaça: a consumar-se o calote trabalhista e previdenciário que deixa seus funcionários e aposentados a verem navios, todos nós estaremos expostos ao mesmo ardil, à mesma punga. De uma só cajadada querem extinguir obrigações patronais de pagamentos de salários e direitos, enquanto golpeiam os aposentados, numa sinalização macabra sobre o destino dos fundos de pensão complementar. Todo esse esbulho foi tramado num cenário paradoxal. Por trás da cortina está o governo de um partido que saiu das próprias entranhas das classes trabalhadoras e em seu nome alçou o poder com um balaio de esperanças e um rosário de ilusões. Não falo de um epílogo, porque, como é do processo histórico, não há crime perfeito. Mas digo que estamos no auge da farsa. É o momento mais perverso. Tão perverso que tenta desfigurar as próprias vítimas, com o canto dantesco do “salve-se quem puder”. Nesse ambiente de culto da indignidade, não podia ser mais chocante, como reflexo do cinismo em voga, a proposta de uma revista para que aeromoças matem a fome de 110 dias sem salários posando nuas, para saciar a tara sadomasoquista dos robôs forjados por um sistema sem alma, sem valores morais e sem princípios. O massacre da Varig é a ferida mais exposta de uma civilização autofágica. Eu poderia chorar com vocês as demissões funestas. Poderia apontar o efeito trágico com a morte do comandante Rodrigo da Matta, aos 43 anos, tocaiado pelas nuvens da incerteza. O ainda jovem comandante, mesmo de férias, realizou os exames que a atividade profissional exige a cada ano. Parecia tudo em ordem, conforme os aparelhos que vasculharam seu organismo. E, no entanto, no fim de uma tarde tensa, quando se anunciava para o dia seguinte a ceifa das cabeças, seu coração foi fulminado pelos nervos à flor da pele. Poderia falar tanta coisa desses dias tão ínvios e tão cruéis. Poderia transcrever depoimentos pungentes como a emoção da comissária ao desfazer-se de seu uniforme. Mas eu prefiro alertar para o óbvio: temos uma Constituição e vivemos num regime de direito, que ninguém vai rasgar de uma só penada. NÃO, MESMO! Como disse na Assembléia dos funcionários da Varig, que me ouviram como a um irmão mais velho, mais que o lamento de toda essa brutalidade cabe a cada um, e a todos juntos, dar a sua resposta em nome de oitenta anos de história que só orgulho proporcionou a todos os brasileiros. A todos juntos, insisto. O pior que pode acontecer a um profissional é perder a dignidade e expor-se a atitudes como daquele “antigo funcionário” que fez um discurso de encomenda no dia do leilão que ofereceu 11 mil cabeças ao chinês Lap Chan, o representante do fundo norte-americano de investimentos, tido por lá como “abutre”. A todos juntos, porque não adianta alimentar ilusões ou sonhar com atalhos. Esses que se apoderaram da estrela brasileira não são dignos da confiança de um cego, quanto mais de pessoas provadas num dia a dia de tantos serviços prestados no ar e em terra. Você acredita mesmo que só vão demitir 5 mil e 500? Você está fora do primeiro listão, se considera um afortunado sobrevivente e já começa a fugir dos parceiros? Você acha que mantendo o seu batente nada mais tem o que fazer para não contrariar suas chefias? Quanto desespero e quanta ingenuidade. Você que está por dentro da companhia sabe que está na mira de uma roleta russa. Sabe que só em salários atrasados, devem mais de 106 milhões de reais. Sabe que as verbas rescisórias chegam a 230 milhões. E sabe ainda mais, o que parece mais trágico, que os aposentados do Aerus podem ter suas pensões confiscadas com sua liquidação, até porque já estão sendo surrupiados na maior. Vá à luta ou se renda para sempre Você sabe ainda que não pode contar com sua ferramenta mais antiga – o sindicato. Esse pérfido partido, que pretende eternizar-se no poder sob o manto do embuste, tratou de “aparelhar” as entidades classistas, cujo comportamento faz inveja aos antigos pelegos que faziam o jogo dos patrões e do governo em troca de sinecuras como juizes classistas e outras vantagens nas tetas do Ministério do Trabalho. Com sindicatos inteiramente “dominados”, em que se pontificam as miniaturas da grande traição, você não terá para quem apelar, a menos que descubra, como os colegas de São Paulo e Porto Alegre, que ainda existe a arma do protesto, a greve, a manifestação, a ação trabalhista, o direito de espernear, de não ir mansamente para o abate. Nesta quinta-feira, haverá uma nova assembléia na mesma ABI de tanta história. Vá lá, chame os demais, inclusive os que ainda não foram alvejados pelo listão da arbitrariedade. Vá lá pensando no conjunto, no que você e seus companheiros representam como patrimônio de conhecimentos acumulados. Vá ao encontro dos seus e acredite no elo, na possibilidade de reverter tudo isso ou pelo menos garantir os seus direitos mínimos. Vá lá com a altivez que marcou sua vida profissional, que é um acervo de toda a aviação comercial brasileira. Vá sem medo de ser marcado para o caso de amanhã precisarem de mais gente – hipótese que acho remota. Se precisarem, vão recorrer é a você mesmo, que conhece a companhia por dentro, suas aeronaves e seus segredos. Se você tiver coragem de brigar pelos seus direitos, eles vão ter mais é que respeitar. Porque, com certeza, seu emprego nunca foi um favor. Ao contrário, se a Varig ainda voa se deve exclusivamente à sua disposição de lutar por ela. Vá lá, faça chuva ou faça sol, porque se você titubear, nada mais lhe restará senão mostrar o corpo dolorido para leitores da revista que mostra mulheres bonitas para o gáudio de insatisfeitos sexuais. Ou trate de buscar asilo onde não canta o sabiá. E se você entregar os pontos no barato, toda esse valhacouto de aventureiros contaminará a sociedade, porque com esses podres poderes, a retidão não conta. Vale, isto sim, a propina que a todos seduz como é da natureza dos nossos dias.
Nota Fúnebre Comandante da Varig morre de infarto aos 43 anos Já havia enviado minha coluna do dia 28 quando, às dez horas da noite, recebi a notícia triste:pressionado por toda essa crise, o comandante Rodrigo da Matta, de 44 anos, morreu de infarto em sua casa, em Niterói. Soube também que há casos não conhecidos de vários aposentados da VARIG que morreram nas mesmas circunstâncias nos últimos meses. Pela minha própria experiência de vida posso dizer: NÃO É FÁCIL SUPORTAR ESSA TORTURA CONTINUADA A QUE ESTÃO SUBMETENDO OS FUNCIONÁRIOS DA VARIG. Fica aqui a minha solidariedade á sua família e a seus companheiros. Para maiores informações, entre em contato com a Associação dos Pilotos da Varig
O grito cidadão que
estava
parado no ar http://www.tribunadaimprensa.com.br/coluna.asp?coluna=porfirio A respeito da novela VARIG, sem fim, fomos cobaias de toda essa tramóia. Minha mulher ficou 48 horas no aeroporto de Salvador enquanto eu e meu filho tínhamos nossos vôos cancelados em Porto Alegre.
Foram os funcionários da VARIG sim, foram eles que fizeram tudo o que
podiam e mais um pouco para conseguir uma forma de viajarmos. Sem
salário, com um sorriso nos lábios, atendendo a todos com a máxima
cortesia e ouvindo os maiores impropérios de passageiros desavisados e
que não estão entendendo o que se passa”. Permita-me iniciar nossa conversa de hoje com esse pungente depoimento do leitor Ari Cavedon. Porque ele espelha duas situações que estão se tornando dramaticamente rotineiras em nossos aeroportos e nos dos outros países onde os competentíssimos funcionários da Varig prestaram serviços. 1. Ninguém sabe mais o que fazer para viajar, por conta do massacre deliberado com a anuência do governo que abriu mais esse flanco na nossa soberania. 2. Apesar disso, salta á vista a dignidade e altivez do pessoal da VARIG, que, mesmo pagando para trabalhar há mais de 100 dias, conserva o nível de atendimento que é uma das razões porque os brasileiros estão solidários com sua causa. Os números falam E se uso essa carta escrita pelo sr. Ari Cavedon é para que os arrogantes manipuladores do governo e do PT saibam: se permanecerem de costas para essa crise de sua responsabilidade e de gestões temerárias que tiveram o seu beneplácito, isso vai lhes custar mais do que o sangue, suor e lágrimas vertidos hoje por uma corporação lançada ao limbo das incertezas, numa espécie de tortura coletiva. E não me venham dizer que a sorte já foi selada: agora é a cidadania quem dá o seu grito, que estava parado no ar. Ou o governo ajuda a restabelecer a dignidade da Varig ou será o caos crônico nos aeroportos. Ou o governo pensa Brasil ou a jeripoca vai piar nas urnas, quando outubro chegar. Eu, pessoalmente, tenho minhas dúvidas se a intenção desse fundo “abutre” é de recuperar uma empresa que até pouco exibia números reluzentes. Conforme a Revista Exame, “Melhores e Maiores — As 500 maiores empresas do Brasil em 2005”, edição de julho de 2006, a VARIG era: (a) a maior empresa de transporte do país; (b) a 5ª maior empresa da região Sul; (c) a 9ª maior empresa de serviços por vendas; (d) a 34ª maior empresa privada do país; (e) a 39ª maior empresa em vendas, com faturamento superior a US$ 2.800.000.000,00. De acordo com a petição inicial da ação de recuperação da VARIG, ajuizada em 17.06.05, a Companhia, em 2005: (a) mantinha 58 aeronaves em operação, com vôos regulares para 21 cidades no exterior e 32 no país; (b) em março de 2005, transportou 910,4 mil passageiros em vôos nacionais e 473,2 mil em vôos internacionais; (c) era proprietária da VARIGLOG (que, em 2005, faturou US$ 586 milhões), da VEM (que, em 2005, faturou US$ 156 milhões), do Smiles (que rendia, por mês, cerca de US$ 82.000.000,00), com mais de 6 milhões de associados, e de imóveis avaliados em mais de US$ 60 milhões. Tanto como os profissionais da Varig, é preciso que o governo petista saiba que também os brasileiros consideram toda essa monstruosidade uma agressão de cartas marcadas (e aí o príncipe operário não pode dizer que estava por fora). O transporte aéreo é administrado pelo poder público. Boa parte da insolvência das empresas decorre de políticas tarifárias que sacrificaram as companhias, como muito bem entendeu o STJ, que apontou a Varig como credora de R$ 5 bilhões. Nada acontece sem a interferência dos órgãos governamentais. O governo petista que não teve visão para entender a Varig como espinha dorsal das nossas aéreas, é o grande culpado pela verdadeira extorsão dos passageiros, ao ponto de uma viagem para Lisboa ter passado de R$ 2,3 mil para R$ 7 mil. Presentinhos De uma só tacada, o governo deu dois presentinhos para a concorrência, sobretudo na área internacional: franqueou os vôos e ainda lhes permitiu que nos cobrassem os olhos da cara. Uma imoralidade que, infelizmente, ainda não sensibilizou DEVIDAMENTE ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL e os nossos parlamentares, inclusive os do Rio – o Estado mais prejudicado. Os políticos, às voltas com campanhas eleitorais e riscos de aparecerem como corruptos nos vários inquéritos abertos e por serem gerados, não foram capazes de entrar de sola nessa manobra com uma CPI que poderia esclarecer muitas coisas. O governo é responsável por toda essa calamidade devido à miopia de quem não gosta da classe média e dos de escolaridade média ou superior (Freud explica) ou cumpre acordos que a gente nunca ficará sabendo, a menos que alguns representantes no poder legislativo tivessem peito bastante para proceder a uma investigação que, quem sabe, poderia se valer de uma “delação premiada”, da qual não escapariam, certamente, nem as representações sindicais que se associaram ostensivamente ao massacre. Você talvez não saiba, mas as outras duas companhias brasileiras – TAM e Gol – também não estão em céu de brigadeiro. E se conseguem pagar os pousos e decolagens em aeroportos como Guarulhos – mais caros do que o Aeroporto Kennedy, de Nova York – é porque recorreram ao mercado acionário. Vendendo ações e com as marcas preservadas, a TAM captou R$ 548 milhões só de junho a setembro de 2005, segundo a Bovespa. A Gol fez um lançamento de R$ 880 milhões, em junho de 2004. Entusiasmada com seu lançamento de ações, realizou uma segunda oferta em curto espaço de tempo, novamente com resultado positivo, e mantém sua prioridade no mercado de ações. Isso quer dizer que as duas companhias brasileiras poderiam enfrentar tempestades quando dependessem apenas das “receitas correntes”. Com o torpedeamento da VARIG, e a constituição de um cartel de fato, elas podem reforçar seus orçamentos com o aumento absurdo das tarifas e a absorção compulsória de passageiros. É isso que está deixando os cidadãos com a pulga atrás da orelha. Ninguém entendeu Se o governo não fizer sua autocrítica e agir, nossos céus se converterão no paraíso das companhias estrangeiras, que se apoderarão na maior de uma fatia significativa: a Varig não podia ter sido levado a essa situação, até por razões de segurança nacional. E também não precisava: os próprios empregados da companhia, reunidos na TGV, elaboraram um criterioso diagnóstico, que previa a recuperação com o mínimo de baixas. Por que o governo do Partido dos Trabalhadores não incentivou essa experiência, à semelhança de tantas outras, em vários ramos de atividade? Por quê? Pergunto, com sofrida indignação. Não me venham com Fundação Rubem Berta. Todo mundo sabe que de há muito ela se converteu num feudo de “um colégio deliberante” nada representativo. A FRB não eram os empregados. Era outra coisa. Sobre o posicionamento capcioso do governo, o “Jornal do Brasil” publicou em sua edição de 4 de maio de 2005 artigo do presidente da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e membro do Conselho Nacional de Turismo, Cláudio Magnavita, onde com dados precisos são reportados os principais absurdos que amarraram a Varig: Entre eles: a) ter conseguido em 2004 um lucro operacional de R$ 430 milhões e estar voando para o exterior com seus aviões lotados; b)ter ganho no Superior Tribunal de Justiça uma ação contra a União de R$ 3 bilhões, sem conseguir receber o pagamento; 3) não ter o apoio do governo como moderador nas relações com a Infraero, uma entidade governamental que pressiona a aérea, desconhecendo “o esforço de recuperação que toda a companhia faz”. Os paradoxos são evidentes: o governo “não move uma palha” para ajudar a empresa, se opondo a uma que inviabiliza, postergando até o pagamento da dívida autorizado pelo STJ. Enquanto isso pressiona a Varig como se “metade do governo federal estivesse pró-Gol e a outra metade estivesse pró-Tam”. O artigo conclui citando o “paradoxo maior”, que consiste na afirmação pública de que “não há crise na aviação comercial e, se ela existe, é de uma única empresa, a Varig”. O absurdo dessas palavras está no fato que se a Varig faturou em 2004 cerca de R$ 8 bilhões, equivalentes a 62% da receitas de todas as empresas nacionais ( e portanto maior daquela da Tam e da Gol juntas) e se detém 82% do share dos vôos internacionais operados por aéreas brasileiras a “sua” crise não é restrita, mas vale por toda a indústria. Magnavita encerra o artigo criticando o habito governamental de “enxergar a crise através da ótica das duas empresas que concorrem diretamente com a Varig e não negam o seu apetite em ocupar o seu lugar” e alerta sobre as conseqüências políticas se ao seu governo for imputado a culpa pelo “o maior colapso da história da aviação brasileira”. O caos em terra e
as
tarifas nas nuvens http://www.tribunadaimprensa.com.br/coluna.asp?coluna=porfirio
“Enquanto a Varig agonizava, a concorrência fez a farra. A passagem Frankfurt-Rio, que variava entre 900 e 1.100 euros,sai agora pela KLM - a companhia com a taxa mais baixa - por 2750 euros e pode chegar até 4000 euros. Os vôos estão lotados!!!” Ancelmo Góis, O GLOBO, no dia seguinte ao leilão. Enganaram-se redondamente os que pensaram que o aniquilamento da Varig será um mal restrito à sua inigualável corporação. Erraram nos cálculos os que miraram impatrioticamente no coração da nossa maior companhia de aviação para abatê-la e deixar todos os pousos e decolagens à disposição de ambiciosos concorrentes daqui e dalém mar. As maiores vítimas de toda essa conspiração torpe seremos nós, que precisamos pegar avião para chegar a destinos distantes neste país continental. E como seremos nós, como serão vocês, queridos leitores, os mais golpeados, estou consciente de que manter este país ligado no desdobramento nocivo desse crime imperdoável é uma tarefa do interesse de todos os brasileiros. E exatamente porque seremos nós que pagaremos a conta desse descaminho, vejo-me no cérebro tenso de cada profissional da Varig com a idéia fixa de que NÃO PODEMOS NOS DISPERSAR. Nas horas seguintes a esse leilão sumário, ao qual só tiveram acesso os prepostos do Matlin Patterson, um fundo de investimento norte-americano tido e havido no seu país como “abutre”, já deu para sentir o caos que se estabeleceu nos aeroportos onde a Varig prestava serviços de alto nível. Nas mãos de abutres Acostumados a movimentações nada éticas na sua especialidade – a compra de empresas em dificuldades a preços de banana – os donos desse “feliz ganhador da sorte grande” não estão nem aí para os compromissos elementares da transportadora brasileira. Já começaram a deixar milhares de passageiros a ver navios, enquanto se valem de um rito sumário jamais visto para assumir o controle de uma companhia que acreditou em duendes ao recorrer a uma fantasiosa faculdade de recuperação, na qual, contrariando toda a prática processual, as decisões ficaram enfeixadas nas mãos de um único juiz de primeira instância, aparentemente sem direito a recursos a instâncias superiores. Nesse ambiente, a situação foi-se agravando, refletindo-se na diferença de tratamento a propostas de compra. O lance da Variglog, já reduzido, foi homologado horas depois; já quando os trabalhadores fizeram sua tentativa, esperaram 11 dias para ter seu lance confirmado. Nesses 11 dias, aumentou a frenética campanha para desmoralizar a Varig, provocando, conforme a lógica elementar, o afastamento de prováveis aliados do primeiro arremate. E no dia seguinte a esse leilão, só por ter feito a oferta, a TGV, que representava os trabalhadores, recebeu uma notificação de 41 milhões de reais de uma dívida da Rio Sul com o INSS. Não fiquei sabendo se igual procedimento foi adotado agora. Os próximos dias ainda vão dar panos para as mangas. Acredito que toda essa trama pode ir de água abaixo. Em português claro: como puseram sem constrangimento as unhas de fora, da forma brutal como agrediram os interesses nacionais e fizeram as relações trabalhistas retroagirem ao tempo da escravidão, boa coisa não vão arranjar. Por mais que tenham conseguido a proeza de obter a cumplicidade de autoridades do mesmo naipe dos 40 denunciados por corrupção pelo Procurador Geral da República, por mais que tenham contado com o silêncio dos podres poderes legislativos, por mais que tenham se aproveitado de um Poder Judiciário que esquece as cláusulas pétreas da Constituição e vira as costas para os direitos sociais explícitos no artigo 6º , por mais que tudo isso tenha se conjugado milimetricamente, esse tiro poderá sair pela culatra. Há uma seqüência de golpes nas companhias de aviação do Brasil, numa gangorra infernal que, agora, com o desmonte da Varig, vai acabar tornando insustentável a prestação de serviços de transportes aéreos. Esse é um campo tão vulnerável que fará qualquer um pensar duas vezes antes de pagar os tubos para entrar em aviões num ambiente claramente nervoso. Por mais que o governo federal, que socorreu recentemente a Volkswagen sabe Deus porque, venha cumprindo religiosamente seu compromisso de abandonar a Varig à própria sorte, o caos que advirá desse golpe será tão insanável que poderá resgatar o mínimo de lucidez que se reclama numa hora dessas. Pode aparecer alguém, em uma esfera de decisão, para refazer toda essa trapalhada. Com essas estripulias, essa turma não vai poder ir muito longe. Porque não se faz uma companhia de aviação séria num abrir e fechar de olhos. O modelo da espoliação O que aconteceu até agora foi um grande pesadelo e um ensaio do projeto trabalhista que o sistema está forjando para o próximo ano. Se prevalecer esse modelo perverso que deixou toda uma corporação reconhecidamente qualificada sem saber para quem apelar, essa mágica de criar uma empresa nova no bojo da velha para evaporar suas dívidas com os trabalhadores e com o fisco vai virar rotina na próxima década. O pior que pode acontecer neste momento é a rendição dos funcionários da Varig, que são os únicos realmente habilitados a reerguê-la, através do novo modelo de gestão proposto com a maior clareza pela TGV – Trabalhadores do Grupo Varig. É, portanto, indispensável a presença de todos na assembléia convocada para o próximo dia 3 na ABI. A Varig chegou ao pódio pela dedicação e competência de seus profissionais. Assim como estes foram capazes de apresentar um criterioso plano de recuperação da empresa, assim também poderão valer-se do último fôlego para reconstruir a empresa, já que os novos controladores não parecem em condições de cumprir as exigências do leilão no prazo estabelecido. Na pior das hipóteses, conservar a unidade nas ações será essencial para a batalha trabalhista, que envolve valores em torno de 230 milhões de reais. Os trabalhadores da Varig já sabem hoje muito bem quem é quem, em quem podem confiar e quem está lhes traindo, como já fizeram nos casos da Transbrasil e da Vasp. Por isso, repito, como se também estivesse no mesmo vôo: não nos dispersemos. Preços nas alturas Agora veja esse levantamento da FOLHA DE SÃO PAULO de ontem: Com a redução dos vôos internacionais da Varig - e a suspensão temporária dessas freqüências depois da venda da companhia -, viajar para o exterior ficou mais caro e tornou-se mais difícil conseguir um assento. Quem quiser ir hoje para Paris, por exemplo, pagará na TAM US$ 3.477 (R$ 7.632). O preço parece de classe executiva, mas o bilhete é de ida e volta da econômica e inclui as taxas de embarque. Tarifa mais baixa da TAM só em setembro: US$ 2.045 (R$ 4.489). Em praticamente nenhuma companhia o passageiro encontra bilhetes promocionais, tendo à disposição apenas tarifas cheias. Com a procura aquecida em razão do câmbio favorável (queda do dólar) e com a menor oferta de assentos provocada pela crise da Varig, as empresas aéreas cortaram os descontos, aproveitando a menor concorrência, afirmam agentes de viagens ouvidos pela Folha. Mesmo apenas com passagens com tarifa cheia, a alemã Lufthansa tem lugares disponíveis para Londres e Paris só no começo de setembro, por US$ 1.992 (com taxas, o valor é de US$ 2.142). Na British Airways, há passagens para os dois destinos só a partir de 12 de agosto e ambas custam US$ 1.857 (US$ 1.707, sem taxas). Preço promocional, de acordo com atendentes da central de atendimento da companhia britânica, só em novembro - US$ 969, mais taxas de US$ 150. O mesmo acontece na Air France: a companhia não tem preços promocionais (a partir de US$ 919) no momento, dispondo apenas da tarifa cheia.
Para
a Europa, o menor preço encontrado de companhias internacionais foi o da
KLM: US$ 1.594 (US$ 1.764 com taxas) para Londres e US$ 1.496 para
Frankfurt (com as taxas, o valor sobe para US$ 1.646). Embarque, porém,
somente em 16 de agosto. Quem quiser viajar para os EUA nesta temporada encontra mais opções de partidas do que para a Europa. A TAM cobra US$ 1.649 (taxas incluídas) para viagem a Nova York no dia 26 deste mês. Neste mês, a tarifa para Miami está em US$ 1.530, mas baixa para US$ 1.250 a partir do fim de agosto. Para embarque amanhã, a United dispõe de bilhetes para Nova York a US$ 2.645. Se o passageiro viajar no dia 28 deste mês, pagará US$ 1.205. Preço promocional (US$ 1.250) somente a partir do fim de agosto. Nos três casos, deve ser acrescida a taxa de US$ 88. Segundo o agente de viagens Marcelo Herszage, dono da agência Waltat, houve uma queda "brutal" na oferta de assentos com a crise da Varig, que "cortou mais de 2.000 lugares por dia para a Europa". Tal situação, diz, fez com que as outras companhias reduzissem ou até mesmo cortassem os descontos, num momento de grande procura por causa da alta temporada e do estímulo da desvalorização do dólar. Outros agentes de viagem que preferiram não se identificar confirmaram que houve redução drástica na oferta de passagens com desconto pelas empresas aéreas. Crônica de uma tragédia aérea
no
dia de Santos Dumont http://www.tribunadaimprensa.com.br/coluna.asp?coluna=porfirio
A data não poderia ser mais infeliz: ontem, foi o dia do nascimento de Santos Dumont. Ontem também fez aniversário Ane Horst, uma comissária de vôo que, com seus vinte anos de trabalho, é a cara da própria companhia, espelhada num semblante que jamais a cometeu, nem nos momentos mais tensos de um longo vôo.
Entendam como quiserem, mas para mim, a Varig foi abatida no ar ao final de uma longa noite de conspirações contra o Brasil. Esse leilão realizado de frente para a pista do histórico aeroporto carioca, tendo ao fundo a Baía da Guanabara, chegou a ser para mim um espetáculo deprimente. Com certeza, os 80 anos da nossa maior embaixadora não mereciam tanta humilhação. Nem a memória de grandes empreendedores como Ruben Berta. Ao som de turbinas nervosas, um leiloeiro sem brilho batia o martelo de um grande desastre em terra – que fará pelo menos 8 mil vítimas, muito mais do que os vôos fatais que destruíram as torres gêmeas dos donos do mundo. A imprensa aí pode estar dizendo o que quiser. Pode até tecer loas para o Juiz Ayoub, porque a transportadora mãe ainda riscará algumas nuvens carregadas pelas asas de 1.500 sobreviventes. Mas para mim, que sou passageiro desde o tempo do “Convair” a Nova Varig que forjaram sobre o desemprego de seu pessoal da ativa e as incertezas de seus aposentados não será nem a caricatura da majestosa Viação Aérea Riograndense. Uma triste novelaAcompanhei de perto, como a mais patriótica das missões, toda essa novela como brasileiro que ainda espera conviver com seus símbolos pátrios. E, francamente, com que cara todos os senhores deste país vão pegar um avião, sabendo que em nossos céus, e nos céus de todos os continentes, pairará o fantasma da mais gloriosa de nossas companhias aéreas? Como chegamos a esse pouso forçado? A Varig, saibam todos, era a única companhia brasileira em condições de real competição com as grandes empresas estrangeiras. Era uma referência de primeira linha, de qualidade, segurança e carinho para com todos os passageiros. Eu disse aqui mais de uma vez: aviões e motores podem ser trocados e utilizados em sistema de leasing. Tripulantes e pessoal de terra, não. Vendessem os tapetes luxuosos das salas empavonadas de executivos pífios. Mas não podiam cometer o crime que em vinte anos ninguém conseguirá reparar: o desmonte danoso de toda uma corporação altamente preparada. Pois foi isso que aconteceu. Falo porque vi. Vi com a sensação traumática de que estavam desfazendo nossa mais visível fortaleza voadora. Você perguntará: - Ué, mas a Varig não foi salva? Salva? Salva de que? Quem foi salvo? Pelo que se sabe, e infelizmente não se fala, consumou-se ontem a terceira encenação de uma deprimente trilogia: primeiro, entregaram a VEM – Varig, Engenharia e Manutenção; depois, a Variglog, cujo principal comprador é o Fundo de Pensão norte-americano Matlin Patterson. No terceiro ato, fizeram da Variglog, leia-se fundo de pensão e o chinês Lap Chan, o dono de uma nova empresa sem os compromissos da antiga, inclusive com seus empregados, numa absurda inversão de toda a lógica legal. Vê se você me entende: a Varig começou a ser minada há muitos anos, como já disse aqui. Mas foi nesses últimos quatro anos que a idéia de sacrificá-la ganhou corpo. Para tal violência, não tenha dúvida, o governo federal fez de tudo um pouco. Ou, mais do que isso, fez das tripas coração. Não se limitou a lavar as mãos, como Pilatos, até porque há mãos que não se consegue lavar. E se deixou os trabalhadores da Varig a pão e água, não foi por mero descuido. Nesse triste affaire, há mais coisas no ar além dos aviões de carreira. A partir de agora, como preço mais degradante dessa novela, pilotos, comissários, agentes, recepcionistas, atendentes, ficarão num verdadeiro limbo sem ter como prover seu sustento com a dignidade que marcou sua caminhada. O mercado, que é o Deus do governo petista, não tem como absorver todos esses inigualáveis profissionais. Se muito, uns trinta por cento encontrarão emprego no ramo em que se especializaram como ninguém. E com salários aviltados, como o diabo gosta. Todos perderãoDaqui para frente, os serviços dos profissionais de todas as companhias não valerão um pote de mel coado. Com desmobilização do pessoal da Varig, as empresas ficarão com a faca e o queijo na mão para “negociar”, contando, alias, com a lânguida omissão dos sindicatos da categoria. No leilão de ontem, vi uma platéia entre confusa e iludida, bater palmas quando o leiloeiro disse que estava aprovada a única proposta levada em consideração. Ninguém falou que a Coop Data de São Paulo tentou se qualificar, mas foi desclassificada por não ter feito o depósito ontem. Mas que pressa foi essa, meu Deus? Não estou querendo aqui em hipótese alguma pôr nada em dúvida. Mas, estou acostumado a situações diferentes, em que há certos prazos e certos procedimentos antes de levar uma empresa ou um bem qualquer a leilão. Na Assembléia dos “credores”de segunda-feira houve uma votação. O juiz anulou os votos da GE, no que fez muito bem, mas convocou o leilão para 48 horas depois, em condições que excluíam a tão lembrada teoria da competição. Além da exigência de um depósito de 24 milhões, me pareceu que, vencendo outro grupo, a Variglog teria que ser ressarcida no que adiantou à Varig com um ágio de 10%. Seria isso mesmo ou eu entendi mal? Nesse caso, com esse prazo e em tais condições, teria de prevalecer o plano que criará a Varig-anã. Um horror. É bom que fique claro que também os 8 mil aposentados estão na mesma. Não há segurança de que serão honradas as dívidas com seu fundo de pensão. Nem que este, que está há quatro anos sob tutela do governo, tenha condições de cumprir com suas obrigações elementares. Só me resta dizer aos bravos variguianos, que isso não pode ficar assim. Do seu túmulo, Santos Dumont há de ressurgir no corpo e alma de bravos como a comissária Ane Horst, que ainda há de ter razões para lembrar seu aniversário de forma menos traumática. Em que possa sorrir e receber o afago do seu filho, da família e de todos os colegas.
Essa ignomínia que não me sai da cabeça
Coluna de Pedro Porfírio na TRIBUNA DA IMPRENSA de 14 de julho de 2006
“Já se evidenciam os primeiros sintomas do caos aeroviário que se aproxima, com o aumento abusivo de tarifas domésticas e voracidade insaciável, revelada pelas companhias estrangeiras que pretendem abocanhar as freqüências mais valiosas que não poderão ser atendidas pelas companhias nacionais.Haja entreguismo e alienação impatriótica de nossa soberania com a conseqüente evasão de divisas e as práticas monopolísticas que já se tornam evidentes”. Embaixador Edmundo Radwanski Ia escrever mais uma vez sobre a Varig, mas, como estou com o mesmo sentimento do Zidane a respeito, e como gostaria de ter bastante segurança na análise da mais inacreditável novidade – a redução do preço mínimo para o leilão do dia 19, desejo esperar mais alguns dias para tentar entender essa matemática que, para mim, tem uma conseqüência visível: vai ferrar literalmente os funcionários e aposentados, ainda mais com essa informação terrorista de que, em caso de sobrevivência da empresa, só ficarão 2.500 trabalhando. Ia escrever, mas neste momento me ressinto dramaticamente do fato de ser um deficiente visual: não consigo ver lógica e decência em mais nada em toda essa novela. E mais uma vez responsabilizo esse governo de hipócritas, que traiu a todos os seus discursos e a todas as suas arengas, por esse epílogo muito em sintonia com a “Belíssima”, do Sílvio de Abreu: nessa tragédia de cínicos protagonistas, vence o mal e pronto. Ia escrever, sim, porque enquanto não derem o tiro de misericórdia, enquanto não deixarem cair o último véu, ainda fervilha esperança no sangue dos brasileiros. E não é só dos funcionários da Varig. A população já demonstrou até através de pesquisas que considera tudo isso uma grande indignidade, um complô de baixo calão, um corte brutal e inexplicável na história da aviação do Brasil. Ia comentar as últimas notícias desta falência mal contada. Mas prefiro, por instinto de sobrevivência, considerando que sou um hiper-tenso de pavio curto, relacionar duas informações. Veja porque não sei mais o que escrever nessa página triste e obscena de nossa história vilipendiada: No dia 11 de julho passado, o jornal FOLHA DE SÃO PAULO publicou: “A Justiça do Rio marcou o leilão da Varig para o próximo dia 18. A venda só ocorrerá se os credores aprovarem em assembléia marcada para o dia 17 a proposta de compra apresentada pela VarigLog (controlada por um fundo norte-americano, representado por um chinês que adora fazer negócios da China – comentário meu). Após uma audiência de mais de sete horas na Justiça do Rio, a administradora judicial da Varig, a consultoria Deloitte, avaliou que a proposta da VarigLog, com modificações, merece ir a leilão. O preço mínimo de aquisição da companhia foi alterado de R$ 277 milhões, conforme o previsto na proposta da ex-subsidiária, para US$ 24 milhões (R$ 52,8 milhões). Segundo o administrador, o lance mínimo atual refere-se apenas à linha de crédito oferecida pela VarigLog para que a Varig sobrevivesse até a realização de um novo leilão. O contrato firmado entre VarigLog e Varig para o empréstimo de até US$ 20 milhões para a manutenção das operações da companhia terminou ontem. Para garantir a sua renovação, foi definido um percentual de 20% de remuneração, ou seja, a VarigLog vai receber de volta US$ 24 milhões, o equivalente ao preço mínimo, se não for a ganhadora do leilão. Ontem, a VarigLog fez o seu décimo primeiro aporte na Varig, que usou parte dos recursos (R$ 175 mil) para pagar tarifas aeroportuárias à Infraero referentes a hoje. Até sexta-feira, a VarigLog já tinha depositado US$ 11 milhões na conta da Varig”. Se bem eu entendi, dentro de alguns dias chegaremos a um quadro mais melancólico ainda: A Varig poderá ser arrematada por 1 REAL, com uma contabilidade em que seu competentíssimo pessoal ainda pagará multa por ter trabalhado na mais tradicional empresa de aviação da América Latina. E seus aposentados ficarão à míngua e ainda terão de devolver dinheiro para facilitar o negócio. Desculpe a ironia, o humor negro, mas neste Brasil de traidores vitoriosos, de corruptos impunes, de governantes assumidamente negocistas, tudo pode acontecer. Tudo e mais alguma coisa. Agora reveja esta matéria da mesma FOLHA DE SÃO PAULO, faça a comparação e veja porque eu não consigo escrever sobre o pior de todos os crimes que uma nação já viu: a desarticulação da melhor corporação de profissionais de um segmento de transportes em que a competência dos profissionais é condição primeira, segunda e terceira para a gente se meter numa aeronave e atravessar em suas asas estas nuvens mais do que nebulosas. Veja a mesma matéria sobre o leilão, só que do dia 8 de junho de 2006. “A Varig poderá ser vendida integralmente --operação nacional e internacional, denominada Varig Operações-- ou separada --somente operações domésticas, chamada de Varig Regional. Os preços mínimos são, respectivamente, US$ 860 milhões e US$ 700 milhões. Nos dois modelos de venda estão excluídas as dívidas da companhia, estimadas em R$ 7,9 bilhões. Será vendido no leilão de hoje o modelo que receber a maior oferta. Entretanto, no caso de propostas iguais para os dois modelos, vence a feita pela Varig Operações --que inclui rotas domésticas e internacionais”. Se não houver oferta no valor mínimo estipulado para venda da empresa no leilão, o juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial do Rio, poderá definir um novo preço para outro leilão que será realizado no mesmo dia”. É, eu não ia escrever sobre a Varig. Já tinha na agulha uma matéria – dividida em três – sobre a verdadeira situação da classe média brasileira, que contrasta frontalmente com a inesperada manchete do jornal O GLOBO de domingo, que fala de mais dois milhões que “subiram para a classe média”. Essa matéria é um estudo que preparei para a minha campanha este ano, mas toda essa impiedosa sucessão de ignomínias me tirou do sério. A bem da verdade, já nem sei sobre o que escrever, porque só vejo nesse leilão da Varig o próprio leilão do Brasil.
Os abutres da Varig são os coveiros do Brasil Coluna de PEDRO PORFÍRIO de 10 de julho de 2006 na TRIBUNA DA IMPRENSA “Só o Poder Executivo está aparelhado para tomar providências urgentes. Uma intervenção breve e imediata evitará a calamidade que se prenuncia. Mesmo que pareça uma estatização. Não há outra saída, danem-se os liberais que viajam de jatinho”. Alberto Dines, 23 de junho de 2006 (ver artigo transcrito em www.palanquelivre.com) O que eu mais temia está acontecendo: a definição sobre a Varig vai sendo mandada para as calendas e parte da imprensa já não fala mais nisso. Fico pasmo e revoltado. E culpo também a mim por toda essa tortura. Porque não posso fazer mais do que escrever. E isso é muito pouco para a gravidade do crime. De uma coisa não tenho dúvida. Isso tudo é uma tremenda conspiração contra todos nós: os abutres da Varig são os coveiros do Brasil. Porque ela, como escreveu Alberto Dines, “muito mais do que a Petrobrás, representa o país no exterior e muito mais do que qualquer outra, simboliza a unidade nacional propiciada pelo desenvolvimento da nossa navegação aérea”. A insolvência da Varig vem sendo gerada ano a ano, tanto por loucuras de sua administração, simbolizadas pela passagem de 7 executivos por sua presidência em dois anos, como, principalmente, pela insensatez dos sucessivos governos, desde Fernando Collor. Mas por que associo o cambalacho contra Varig ao Brasil? Por que nossa empresa tem carisma, tem pessoal altamente qualificado e massa crítica própria, capaz de assegurar sua sobrevivência com independência por mais de um século. Globalização de encomenda Veja bem: a festejada globalização é um projeto estratégico de consolidação de um sistema. Passou a ser, como está na moda dizer, uma preocupação RECORRENTE, exatamente depois do desmonte do bloco socialista europeu, que servia de biombo para toda e qualquer ignomínia. À falta do “poderoso inimigo”, como não fabricaram outro a tempo (bem que tentam com os muçulmanos e o triângulo do mal), resolveram construir um modelo internacional, cujo maior objetivo é a apropriação pelas multinacionais das riquezas dos países “de segunda linha”. Desde o século passado, gravitamos em torno do dólar. Isso nos impediu de dar um grande salto, levou Getúlio Vargas ao suicídio, condicionou as próprias metas de JK e deu no golpe de 1964, quando João Goulart assimilava os diagnósticos da CEPAL e trabalhava com projetos de afirmação nacional. Como toda economia, a norte-americana exauriu-se. Quem tiver dúvida e tempo para ler, pode deslindar toda essa história lendo “Formação do Império Americano”, de Moniz Bandeira. Está claro para os poucos norte-americanos que detêm os dados estratégicos de sua economia em frangalhos que a sobrevivência de seu “american way of life” passa pela expansão dos seus tentáculos e a consolidação de sua hegemonia sobre os países satélites. Onde entra a Varig nessa “digressão”? Ao contrário do que respondeu irritado o visivelmente míope senador Jefferson Perez, a nossa mais tradicional empresa de aviação é um estorvo para o projeto colonial, que vem sendo executado com zelo estratégico e passa pelo confinamento de nossa atividade econômica. A afronta ao modelo A Varig é uma das poucas tentativas de capitalismo social com altos índices de competência profissional. Sobre isso, veja o que escrevi aqui na TRIBUNA DA IMPRENSA, em 10 de abril de 2006: “Ao contrário do que você possa imaginar, a Varig não é nenhuma empresa moribunda, apesar dos seus 79 anos. TEM OS MELHORES ÍNDICES TÉCNICOS DE OPERAÇÃO, INCLUINDO SEGURANÇA DE VÔO, PONTUALIDADE E QUALIDADE DOS SERVIÇOS. Sua taxa de participação no mercado só caiu porque teve de reduzir a frota e em face do noticiário terrorista contra ela. A própria ministra Dilma Rousseff pôs mais lenha na fogueira, ao passar a idéia, após a reunião de sexta-feira, dia 7, que a Varig está em fase terminal e que o consenso é dar o “tiro de misericórdia, com a sua falência”. A sobrevivência da Varig é inconveniente para o sistema internacional exatamente pelo que pelo que simboliza como sinônimo de potencialidade de um país e pela garra dos seus funcionários, que impediram o seu assassinato no primeiro leilão e mostraram com coragem rara que podem tocá-la nos mesmos invejáveis padrões. Em toda a América Latina e em muitas nações de outros continentes, quem não se cartelizou foi engolido por capitais do “primeiro mundo”. O que cunha a nova face do capitalismo é exatamente a empresa sem alma, mais pragmaticamente indiferente à sorte dos seus empregados. Quando “investidores” falam em “sanear” a Varig pensam logo em duas coisas: demitir mais gente (ela já reduziu seu pessoal de 25 mil em 1995 para 11 mil, hoje) e sacrificar os aposentados com a danificação do seu fundo de pensão. Sob os olhares do “mercado”, o máximo que sobraria seria a marca indelével que significa Brasil com outras letras. O massacre dos seus competentíssimos profissionais é visto como uma regra básica do “saneamento”. Podem até fazer como em outras empresas: demitem, “penduram” as obrigações trabalhistas e depois recontratam alguns como “terceirizados” por metade dos salários de hoje. Parece igualmente claro, que o governo federal não pode fugir às suas responsabilidades, sob pena fazer um grande mal ao Brasil de hoje e de amanhã. Finalizo por hoje com um trecho do artigo de Alberto Dines, publicado no “Último Segundo”: Lula e seus conselheiros estão cometendo um erro trágico, de conseqüências imprevisíveis, ao aferrar-se cegamente à decisão de não intervir na situação da Varig. Fiado nas garantias de que “o mercado” daria conta do problema, interessado em exibir ao público externo um perfil liberal, não-intervencionista e, com medo de correr riscos no início da campanha eleitoral, o presidente Lula capitulou. Foge da raia. Confunde prudência com omissão, deixa-se enganar pela máquina burocrática que aposta na inação para não ser testada em emergências. O governo Lula está cometendo um crime de lesa-pátria ao permitir a implosão da empresa que, muito mais do que a Petrobrás, representa o país no exterior e muito mais do que qualquer outra, simboliza a unidade nacional propiciada pelo desenvolvimento da nossa navegação aérea”. coluna@pedroporfirio.com
Para entender o "inferno astral" da VARIG
“Os trabalhadores da Varig financiaram a Varig. Não o governo, como se alega, incorretamente, nem a sociedade”. Paulo Rabello de Castro, economista, O GLOBO, 20.4.2006. Como ainda tenho esperança de que a Varig, uma empresa aérea de 80 anos que atravessou tantas tempestades, supere esse turbilhão letal, gostaria de convidar você para uma reflexão conjunta. Acredito piamente que esse exercício será positivo. Com certeza não chegará aos que, podendo intervir, se revelaram pusilânimes por incompetência, por miopia ou por compromissos escondidos por baixo do pano. Mas entre nós pode haver uma compreensão inteligente porque, se mantemos por tanto tempo esse encontro, conservamos o respeito mútuo, mesmo quando em posições divergentes. No caso da Varig, quem se opõe a uma intervenção do poder público e da própria sociedade para mantê-la cumprindo seu papel estratégico argumenta: 1. É uma empresa privada e o governo não pode dar crédito a ela, como não pode sair socorrendo empresas que estejam em dificuldades. 2. A Varig chegou a essa situação por culpa própria, devido à má gestão, por não ter procedido a demissão de grande parte do seu pessoal. 1. É uma empresa privada e o governo não pode dar crédito a ela, como não pode sair socorrendo empresas que estejam em dificuldades.
Vamos aos fatos: 1. A Varig é mais que uma empresa qualquer, pelo papel que desempenhou e desempenha no fomento da vida econômica de dezenas de cidades brasileiras e pelo que representou, e ainda representa, no exterior. Na década de 70, quando as receitas internacionais somavam 70% de seu faturamento, chegou a ter 111 escritórios fora do Brasil, que funcionavam como extensões das nossas embaixadas. Se fosse uma fábrica de cigarros, por exemplo, nada teríamos a lamentar a não ser a perda de empregos. Mas a nossa “estrela” é, como lembrou um leitor, parte do nosso patrimônio cultural, presente nos cinco continentes, mesmo quando uma linha para Tóquio era deficitária. Governos de todo o mundo, inclusive dos Estados Unidos, têm socorrido suas empresas aéreas, estatais ou não, segundo visões estratégicas de defesa da soberania. Em setembro de 2004, o Congresso norte-americano aprovou uma Lei proposta por Bush, autorizando US$ 5 bilhões em compensações por perdas relacionadas ao atentado de 11 de setembro de 2001 - três vezes mais do que os prejuízos reais causados pelos atentados, segundo críticos da medida - e mais US$ 10 bilhões em garantias financeiras. Essas cifras representam mais do que os valores em Bolsa de oito das principais companhias norte-americanas. Quanto a demissões de pessoal, só se for para desfigurá-la de vez. Em 1995, a empresa contava com 25 mil trabalhadores. Em 2001, quando demitiu mais 1.600, já tinha menos 16 mil. Nesse ano, como conseqüência dos atentados das torres gêmeas, as companhias de aviação do mundo demitiram 130 mil. Atualmente, a Varig tem 11 mil empregados no grupo, mas na semana passada a Sata, divisão de movimentação aeroportuária do grupo, informou que deverá cortar entre 1.800 e 2 mil funcionários em todo o país. Atualmente, a Sata conta com 5.700 funcionários para prestar serviços de check-in e movimentação de equipamentos e bagagens para a Varig e outras companhias aéreas. O presidente do Sindicato dos Aeroviários de São Paulo, Uébio José da Silva, disse que, dos cerca de 8 mil aeroviários da Varig, mais de 70% - ou 5.600 pessoas - não serão absorvidos pelo mercado em caso de falência da companhia. Isso porque, segundo ele, as companhias domésticas que herdarão vôos e slots só têm capacidade para empregar menos de 30% do total. E ainda há um problema: as outras empresas, como a TAM e a GOL, oferecem salários bem mais baixos. Um complô de 15 anos 2. A alegação de que a Varig paga exclusivamente por seus erros é outra inverdade. Desde o governo Collor, ela vem sendo bombardeada. Em 1991, uma grande negociata, envolvendo PC Farias, deu na privatização da VASP, então a segunda maior transportadora brasileira. Naquele ano, Wagner Canhedo apoderou-se de 60% das ações da empresa que pertenciam ao Estado de São Paulo, por US$ 44 milhões. Então, a VASP tinha 31 aviões e um respeitável desempenho como segunda maior empresa do país. Consumado o negócio e querendo também abrir nossos aeroportos para outras empresas estrangeiras, Collor autorizou linhas internacionais para a VASP, a Transbrasil e a TAM. Apesar desse presentão e sob gestão privada (que não era de nenhuma fundação) a VASP foi levada à insolvência, num processo deprimente pelo qual Canhedo chegou a passar alguns dias na cadeia. Não foi diferente a crise da Transbrasil, saída das entranhas da Sadia, que teve um desfecho igualmente nebuloso. Enquanto a empresa registrava uma dívida de R$ 900 milhões, seu presidente, Antônio Celso Cipriani, exibia, entre outros “bens pessoais” , um resort de esqui no Colorado, e uma mansão na Itália. Em todos os casos, essas companhias sofreram perdas decorrentes de imposições ilegais do governo, as quais já foram julgadas pelo STJ. Só a Varig é credora de R$ 4,6 bilhões do governo federal, segundo cálculos da Fundação Getúlio Vargas. Ela é titular também de R$ 1 bilhão em ICMS pagos a maior a alguns Estados, causas já decididas pela Justiça. 3. Finalmente, cabe lembrar que a posição do governo atual em relação à Varig é não por acaso. Além do conflito da empresa com a Consultoria Trevisan, de um dileto amigo de Lula, a Varig teve de livrar-se de Roberto Teixeira, compadre do presidente, em função de uma auditoria interna. No caso da Trevisan, ela levou pânico à companhia ao divulgar um plano de parcelamento de sua dívida em 35 anos. Na época, a deputada gaúcha Yeda Crusius, presidente do Grupo Parlamentar de Defesa da Varig, declarou: “"Essa proposta é totalmente acintosa e sua divulgação com certeza beneficia partes interessadas em desvalorizar o preço da Varig no mercado. Precisamos apurar quem são os interessados nessa ação criminosa." Sobre a bicada do compadre do presidente, quando a empresa sofria todo tipo de pressão, a revista EXAME publicou no último 23 de março: “Se não fosse por uma auditoria, realizada pela administração da época, Teixeira seria beneficiário de um polpudo contrato. A título de serviços de consultoria, o advogado poderia receber até 105 milhões de reais. A transação foi descoberta em uma operação pente-fino que revelou dez acordos em condições suspeitas” “Pelo acordo, o compadre de Lula teria direito a 450 000 reais, divididos em três parcelas, e uma bolada caso a manobra desse certo -- 15% do total dos créditos da empresa (os tais 105 milhões). Com a suspensão do contrato, após o parecer da auditoria, Teixeira recebeu pelo menos 300 000 reais pelo trabalho”. Depois desses dois incidentes com amigos do presidente o que é que a Varig poderia esperar? Ainda teria muito a relatar, mas o espaço já esgotou. Só espero que você pense bem no desdobramento desse “inferno astral”, que poderá afetar a muitas gerações de brasileiros.
Se a Varig parar, aí sim, teremos porque chorar!
“Vocês precisam
fazer uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... na
boa... na moral... Estamos todos no centro do insolúvel. Só que nós
vivemos dele e vocês... não têm saída”
A falência da
Varig é a falência da auto-estima do Brasil. Pensei muito antes de
chegar a essa patética conclusão: mas não há outra leitura para esse
complô que se arrasta por anos e parece chegar ao seu grotesco epílogo
agora, quando a nação apaixonada está ligada de corpo e alma nos
gramados da Alemanha.
Que Deus salve a Varig e o governo não a abandone
Coluna de Pedro Porfírio na TRIBUNA DA IMPRENSA de 10 de abril de 2006
"O grande culpado (pela crise da Varig) é o governo federal. A Varig tem 78 anos e passou por diversas mudanças de planos econômicos"’. Ozires Silva "Nessa hora, aparecem aventureiros de todo tipo querendo comprar a maior companhia aérea do Brasil" Uébio José da Silva, presidente do Sindicato dos Aeroviários em São Paulo.
O governo federal tem OBRIGAÇÃO de salvar a Varig, através de uma intervenção com base no Art. 188 do Código Brasileiro de Aeronáutica e inspirado no inciso VIII do Art. 170 da Constituição. Tem que agir hoje mesmo, por razões de Estado, revertendo o complô contra a aviação brasileira, deflagrado em 1990, quando Collor, a pretexto de abrir mercados externos para a Transbrasil e a Vasp, escancarou nossos céus às mega-empresas estrangeiras (Veja mais em http://www.palanquelivre.com) A esta altura, quem tem que assumir pessoalmente uma atitude de estadista é o próprio Presidente da República. Se a Varig ficar no chão, estará selada a sorte da nossa aviação comercial e não vai demorar, modificarão a legislação para permitir operações de empresas estrangeiras em nosso mercado doméstico, além de desnacionalizar inteiramente os vôos internacionais, através dos quais a empresa quase octogenária (criada em 7 de maio de 1927) fatura anualmente 1 bilhão e 200 milhões de dólares para o Brasil. A propósito, o governo, que já prevê a extinção da empresa, admitiu que tem um “Plano B”, que inclui autorização “temporária” de novas freqüências às companhias estrangeiras que voam para o Brasil. Com a eventual paralisação de suas atividades, perderíamos também os "slots" (horários reservados para chegada e saída nos aeroportos estrangeiros). A perda dos “slots” da Varig deixaria nosso país com poucas chances de ter outra empresa brasileira operando os vôos internacionais. Se o governo lavar as mãos, estará sendo configurado o desprezo pela própria soberania nacional. Guardadas as proporções, seria o mesmo que entregar a Petrobrás à Esso ou franquear a Amazônia às ONGs estrangeiras. Se o governo, ao contrário, agir com competência e rapidez, não estará usando indevidamente o “dinheiro do contribuinte” como fez para repassar 1 bilhão de dólares para a norte-americana AES cobrir os furos da Eletropaulo privatizada. Governo deve à Varig A Varig, como já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, é credora de 4 bilhões de reais do governo, em face das perdas provocadas pelo congelamento de tarifas entre 1985 e 1992. E tanto os planos da empresa, como os bem fundamentados projetos dos seus empregados, reclamam um financiamento que não chega a 750 milhões de reais. Ao contrário do que você possa imaginar, a Varig não é nenhuma empresa moribunda, apesar dos seus 79 anos. Tem os melhores índices técnicos de operação, incluindo segurança de vôo, pontualidade e qualidade dos serviços. Sua taxa de participação no mercado só caiu porque teve de reduzir a frota e em face do noticiário terrorista contra ela. A próprio ministra Dilma Rousseff pôs mais lenha na fogueira, ao passar a idéia, após a reunião de sexta-feira, dia 7, que a Varig está em fase terminal e que o consenso é dar o “tiro de misericórdia”, com a sua falência. Esse “consenso” representa o desemprego sumário de 12 mil profissionais altamente qualificados, formados numa empresa que é de longe a mais exigente escola da aviação civil brasileira. Atualmente, a Varig ainda opera a maior e mais completa rede de linhas do Brasil, servindo a 40 cidades. Para o exterior voa diretamente para 26 destinos em 20 países, em quatro continentes. Ostenta números que a consagram como a maior companhia do país e da América Latina e uma das líderes do mercado mundial: Ao longo de quase 79 anos de existência, transportou mais de 210 milhões de passageiros, voou mais de 7 milhões de horas, realizou mais de 2 milhões e quinhentos mil vôos e seus aviões deram cerca de 115 mil voltas ao redor da terra. Em 1999, recebeu o prêmio de Melhor Companhia Aérea da América Latina, Central e Caribe e também da Melhor Transportadora de Carga Aérea das Américas no Século 20. A Varig não é nenhum Banco Rural. É a espinha dorsal da aviação comercial brasileira e tem soluções concretas para se recuperar, exatamente neste momento em que o setor vê boas perspectivas em todo o mundo. O tráfego aéreo mundial deve crescer 5 % ao ano até 2010. A taxa prevista para a América Latina é de 7,9 % ao ano, superada apenas pela da China. A marcha da salvação Eu não estou aqui para dizer que a empresa não tem seus próprios problemas de gestão. Ela paga o preço do seu modelo de governança corporativa, concebido a partir da fundação criada pela visão social de Rubem Berta e distorcido por alguns aproveitadores. Mas, espera aí: até o atentado das torres gêmeas, há quatro anos, afetou sua vida econômica, como de todos os transportes aéreos do mundo. Só que nos Estados Unidos, o governo adotou um plano de emergência e socorreu suas empresas. Aqui, não. Desde aquele 11 de setembro, por injunções externas, já obrigaram a Varig a trocar sete vezes de presidente. Todos os empregados da Varig estão sendo convocados para a MARCHA DA SALVAÇÃO, nesta terça-feira, dia 11, com uma concentração junto aos três poderes, em Brasília. Mas a sua preservação não interessa apenas a eles, aos segmentos sérios do setor e aos próprios credores. Interessa, sobretudo, sem exagero, ao Brasil. Se o governo ceder ao “consenso da falência”, como o anunciado em O GLOBO de sábado, estará dando mais uma gigantesca demonstração de incompetência e de falta de patriotismo. Os próprios credores públicos, tão tolerantes com as multinacionais privatizadas, ficarão a ver navios (e não aviões), porque o fechamento da empresa não garantirá o pagamento de suas dívidas. Se, ao contrário, optar por salvá-la com uma intervenção, terá à mão todas as ferramentas para a reconstrução de uma empresa que não tem dono privado - os donos dela somos nós, os brasileiros. Varig: hora de intervir Por Alberto Dines 23 de junho de 2006 http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/cultura/2424501-2425000/2424960/2424960_1.xml
“Em time que está ganhando não se mexe” disse o presidente Lula nesta sexta-feira em Florianópolis ao confirmar o convite a José Alencar para continuar como vice na chapa da reeleição. Pisou na bola, Sua Excelência. Parreira, o Professor, mexeu drasticamente numa seleção que ganhou dois jogos e, depois de uma vitória extraordinária contra o Japão, dá a entender que mexerá novamente ao colocar em campo contra Gana o velho esquemão. Parreira alterou um time que ganhava porque o resultado do jogo contra o Japão só teria efeitos morais. E não poderia fingir que ignorava a voz rouca das ruas clamando por mudanças. É próprio de estadistas prestar atenção ao sentimento da sociedade, mesmo como concessão, numa oportunidade secundária. Transmite a imagem de agilidade, desfaz qualquer impressão de caturrice, birra, teimosia. Anima, sobretudo, aquele que toma a decisão ao aumentar a sua autoconfiança. Lula e seus conselheiros estão cometendo um erro trágico, de conseqüências imprevisíveis, ao aferrar-se cegamente à decisão de não intervir na situação da Varig. Fiado nas garantias de que “o mercado” daria conta do problema, interessado em exibir ao público externo um perfil liberal, não-intervencionista e, com medo de correr riscos no início da campanha eleitoral, o presidente Lula capitulou. Foge da raia. Confunde prudência com omissão, deixa-se enganar pela máquina burocrática que aposta na inação para não ser testada em emergências. O governo Lula está cometendo um crime de lesa-pátria ao permitir a implosão da empresa que, muito mais do que a Petrobrás, representa o país no exterior e muito mais do que qualquer outra, simboliza a unidade nacional propiciada pelo desenvolvimento da nossa navegação aérea. É simplesmente ridícula a providência do Ministério da Defesa de disponibilizar os dois sucatões da F.A.B. para resolver a dramática situação dos 28 mil brasileiros que neste momento estão completamente desamparados nos principais aeroportos do mundo, sem possibilidade de retornar imediatamente ao país. Quantas semanas seriam necessárias para transportar essa gente em duas carroças voadoras, lentas capazes de transportar no máximo 300 passageiros em cada vôo ? Alguém fez esta conta ? Alguém teria uma calculadora de 10 reais para emprestar ao presidente ? A mídia revela todos os dias o número de vôos cancelados pela Varig. Mas não mostra o desespero nas enormes filas nos balcões da TAM e da Gol (as concorrentes melhor aparelhadas), incapazes de assumir, em tão curto prazo, as lacunas deixadas por uma empresa gigantesca com mais de meio século de existência. O juiz Luiz Roberto Ayub, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, não tem condições de administrar um problema destas proporções e com tamanhos desdobramentos. Sua função é julgar. E ele a está desempenhado com rara competência e senso de responsabilidade. O Judiciário não tem condições de operar, no máximo pode decretar a falência, promover outro leilão ou aceitar novas propostas para comprar o espólio. Isso levaria semanas. Alguém precisa agir. Imediatamente. Os funcionários estão empenhadíssimos em salvar a empresa que ajudaram a construir. Mas é preciso reconhecer que os funcionários são parte do problema. Só o Poder Executivo está aparelhado para tomar providências urgentes. Uma intervenção breve e imediata evitará a calamidade que se prenuncia. Mesmo que pareça uma estatização. Não há outra saída, danem-se os liberais que viajam de jatinho. É preciso deixar de lado a obstinação burra e a sua principal aliada, a preguiça dos incompetentes. A questão deixou a esfera da teoria econômica e das aparências políticas. O placar eleitoral não pode comandar as decisões diante de uma emergência nacional que afeta dezenas de milhares brasileiros, aqui e no exterior. Lula, paz e amor, está correndo o risco de parecer um carrasco omisso e impiedoso. Está na hora de mexer no time e no esquema. A alternativa é o desastre.
NOTA DE ESCLARECIMENTO DA TGV
Os funcionários da Varig têm sido um exemplo nacional de profissionalismo, dedicação e unidade. Trabalhando sem salários há vários meses, os funcionários da Varig não têm poupado esforços para ajudar a empresa a sair da crise, até mesmo se dispondo a capitalizar a própria Empresa e buscar meios alternativos para evitar sua falência. Pena que contra esta postura exemplar dos trabalhadores, de suas associações profissionais e sindicatos tenha havido uma campanha ideológica incansável, por parte do Governo Federal e também do Judiciário, criando-se dificuldades e barreiras injustificáveis para a sobrevivência da Varig.
Os trabalhadores impedem a falência
Quando foi apresentada a famigerada proposta de divisão da Varig em uma parte doméstica e outra internacional, um projeto que de imediato provou-se inconsistente, os trabalhadores, de forma organizada e eficaz, a impediram, assim como já haviam impedido a fusão com a TAM. Em seguida, anteciparam o leilão sob a desculpa de que havia 14 fortes interessados e a Varig deveria ser vendida o mais rápido possível. Como nenhuma proposta foi apresentada, a Varig iria sofrer a decretação de falência, o que só não ocorreu porque os funcionários resolveram unir esforços e apresentar uma proposta de compra.
A "manobra'' contra a recuperação da Varig
Mais uma vez, enfrentamos as mesmas barreiras de sempre. Publicamente, os mesmos interessados em impedir a recuperação da companhia passaram a questionar a existência de um investidor para apoiar a proposta dos trabalhadores. Mas, o investidor só poderia aparecer, por força dos contratos de confidencialidade, e como parece óbvio, após consumado o negócio. Caberia, então, legalmente ao juiz homologar a oferta dos trabalhadores, mas ele não o fez e suspendeu a homologação. O que muita gente não sabe, todavia, é que o juiz rejeitou a homologação não por causa da questão do investidor, como foi alardeado na mídia, mas em razão do questionamento indevido e infundado sobre a utilização de debêntures como moeda de pagamento. Debêntures estas que, aliás, foram utilizadas amplamente nos processos de privatização, ou seja, nada mais legítimo. Foi neste exato momento que os entendimentos com os investidores se enfraqueceram, já que nada havia em que investir, pois os trabalhadores "ganharam, mas não levaram". Além disto, e este foi o maior e mais intolerável absurdo desta história, somente após longos 12 dias, o Juiz resolveu se dignar homologar a proposta dos funcionários. E com as mesmas debêntures de antes! Só que já era tarde demais. Com a dura perda de 23 aeronaves, e grave dano à imagem da companhia, os interessados passaram a exigir maiores garantias e a situação só não piorou ainda mais graças ao julgamento prudente, este sim, do Juiz da Corte de Falências de Nova Iorque.
O enorme dano causado e a "manobra" continua
A pergunta que não quer calar é: afinal, por que o Juiz levou 12 dias para homologar a proposta? E quem vai se responsabilizar pelas enormes perdas sofridas pela companhia durante este período? Se o leilão havia sido concluído, como é possível que o Judiciário estivesse abonando "negociações paralelas" com outros interessados? Enfim, após enorme deterioração do valor econômico da companhia durante 12 dias de total insegurança jurídica, o Juiz finalmente homologou a proposta dos trabalhadores, o que só ocorreu graças à intervenção oportuna de vários deputados da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, sobretudo dos Deputados Paulo Ramos e Vivaldo Barbosa, que alertaram o Juiz quanto ao mar de destruição criado e aos absurdos que se acumularam nesta história vergonhosa.
Só que o escândalo não parou por aí. Mesmo após a homologação tardia do leilão, quando os assessores e consultores da NV Participações se reuniram na sede da Varig, inclusive e ainda, com alguns pretendentes investidores, o Juiz determinou ao Presidente da Varig, por meio do Administrador Judicial, a expulsão de todos do prédio da Varig, num gesto absolutamente incompreensível e inaceitável. Além do imediato afastamento, mais uma vez, dos investidores, este ato impediu também a conclusão do Plano Emergencial de Negócios que também iria ser encaminhado ao BNDES, tornando inviável a obtenção dos dados financeiros e corporativos necessários, além, é claro, do nocivo cenário de insegurança que continuou a existir. Todos estes fatos compõem um mosaico, cujo cenário geral é um gigantesco absurdo. A palavra mais sincera que os Funcionários da Varig podem externar neste momento é decepção. Decepção com todos os agentes públicos e privados envolvidos na recuperação da Varig. Decepção com a falta de isenção e isonomia das instituições e dos poderes constituídos. Decepção com a enorme barreira ideológica contra a proposta dos Trabalhadores, a única que de fato agrega a questão do Aerus e o compromisso dos funcionários com a recuperação da companhia, através dos seus próprios sacrifícios. Perspectivas
Agora, com a nova proposta aventada, os inimigos se insurgem novamente. O SNEA, capitaneado pelas empresas congêneres começa a tentar engessar esta nova via, que, obviamente, contará com o apoio dos trabalhadores na medida em que trouxer estabilidade financeira e jurídica ao processo de recuperação judicial, com respeito aos direitos dos trabalhadores e aposentados. Devemos continuar unidos em torno da preservação da Varig e do Aerus. As últimas semanas foram de dura batalha e, apesar dos pesares, de todos adversários e falsos anjos, ainda estamos de pé, confiantes na recuperação de nossa Empresa e no resgate do nosso Aerus. Vamos seguir em frente, com a mesma seriedade e objetividade com que temos nos posicionado até aqui. Não nos permitamos cair na tentação dos atos desesperados e das propostas milagrosas. Nossa coerência, profissionalismo e dedicação inequívoca à Empresa é o que nos têm mantido dentro do jogo e confiantes na vitória, ainda que na prorrogação.
TGV
Péssimo Negócio
Paulo Rabello de Castro, economista
Artigo publicado em O GLOBO de 20 de abril de 2006
Alguns
querem “deixar” a Varig quebrar. Outros prefeririam
ajudá-la. As opiniões estão divididas. Mas nem uma coisa,
nem outra.
Saiba mais sobre a Varig
Fonte: http://www.portalbrasil.net/aviacao_varig.htm
A Varig foi criada em 07 de maio de 1927 pelo piloto da força aérea alemã Otto Ernst Meyer. Sua primeira aeronave foi um hidroavião Dornier Wal que iniciou as operações da empresa na "Linha da Lagoa" ligando Porto Alegre à cidade do Rio Grande. Aos poucos foi ampliando sua frota e suas rotas, principalmente nas décadas de 40 e 50 a empresa contou com um estrondoso crescimento. Foram adquiridos os primeiros Boeing 707 e os jatos franceses SE-210 Caravelle. Na década de 70, chegaram os primeiros jatos 727-100, 737-200 e DC-10-30, que foram introduzidos nas rotas intercontinentais da empresa. Já na década de 80 recebeu seus primeiros 747-200 que primeiramente foram colocados nas rotas para Nova Iorque, Los Angeles e Tóquio. A Varig foi a única companhia aérea brasileira a operar o Jumbo. Nos anos 90 a empresa começou a adquirir novas aeronaves, como os Boeing 737-300, 767-200ER, 767-300ER e MD-11, para substituir os modelos mais antigos, como os Electras II da ponte aérea, os 727-100 e os quadrirreatores 707. Nesta época a empresa lança suas novas rotas: Orlando, Washington, Atlanta, Hong Kong e Bangcoc Em 1997 a empresa se juntou com outras cinco empresas internacionais, formando a Star Alliance, em um acordo que visa basicamente oferecer vários benefícios aos usuários. Hoje já são mais de 10 empresas associadas, entre elas: Air Canada, Air New Zealand, ANA, Ansett Australia, Austrian Airlines, British Midland, Lauda Air, Lufthansa, Mexicana de Aviación, SAS, Singapore Airlines, Thai, Tyrolean Airlines, United Airlines. Além destas empresas o Grupo Varig é composto pela Rio Sul, Nordeste e Pluna. Com a forte crise que abalou o mercado internacional em 1997 a Varig viu-se obrigada a reestruturar sua área operacional, organizacional e financeira. A frota foi reduzida em 14 aeronaves, sendo retirado de serviço os Boeing 747 e os McDonnell Douglas DC10-30. Contudo a oferta de assentos foi reduzida em 20% nos vôos internacionais e em 17% nos domésticos. Atualmente, a VARIG opera a maior e mais completa rede de linhas do Brasil, servindo a 40 cidades. Para o exterior voa diretamente para 26 destinos em 20 países, em quatro continentes. E a partir do seu ingresso na Star Alliance, a maior aliança de companhias aéreas do mundo, passou a oferecer ainda maiores facilidades para o seu passageiro que agora pode alcançar com rapidez e conforto qualquer ponto do globo terrestre. Hoje, a pioneira VARIG - primeira empresa de avião comercial do Brasil - ostenta números que a consagram como a maior companhia do país e da América Latina e uma das líderes do mercado mundial: Ao longo de mais de 78 anos de existência transportou mais de 210 milhões de passageiros, voou mais de 7 milhões de horas, realizou mais de 2 milhões e quinhentos mil vôos e seus aviões deram cerca de 115 mil voltas ao redor da terra. Em 1999 a Varig recebeu o prêmio de Melhor Companhia Aérea da América Latina, Central e Caribe e também da Melhor Transportadora de Carga Aérea das Américas no Século 20. A Fundação Ruben Berta, controladora da companhia, tem como principal objetivo prover o bem-estar dos funcionários de um conglomerado de empresas criadas a partir de um tronco principal: a VARIG. A criação da holding FRB-Par, destinada a cuidar permanentemente dos investimentos no Grupo, entre outras vantagens, permitiu maior transparência para divulgação de cada empresa; foco em cada atividade de negócios; autonomia de decisões; maximização do retorno aos acionistas e criação de oportunidades de captação de investimentos. O Grupo FRB-Par, por sua vez, controla outras três holdings: • VARIG S/A (Viação Aérea Rio-Grandense) que controla a VARIGLOG, a PLUNA e a VEM; • VARIG Participações em Transportes Aéreos S.A. (VPTA) que controla a RIOSUL, e NORDESTE; • VARIG Participações em Serviços Complementares S.A. (VPSC) que controla a SATA, REDE TROPICAL HOTELS E RESORTS BRASIL e AMADEUS BRASIL. Ao todo são 14 empresas controladas pelo GRUPO FRB-PAR. A frota da VARIG em junho de 2005 era composta de 73 aeronaves (inclusive os encomendados), sendo 06 Boeing 777/200 (versões com 240, 276 e 285 lugares) - 2 Boeing 777.222ER e 04 Boeing 777-2Q8/236ER -, 15 Douglas MD-11 (versões de 264 e de 285 lugares em três classes), 08 Boeing 767/300ER ((221 lugares em duas classes) - sendo 04 Boeing 767-341ER, 02 Boeing 767-375ER, 02 Boeing 767-3Y0ER -, 04 Boeing 757.256 (176 lugares em duas classes), 25 Boeing 737-300 (128 lugares) e 02 Boeing 737.400 (146 lugares) - de passageiros e mais 02 Boeing 737.85F, 04 Boeing 727-200F, 04 Boeing 727.100C e 03 Douglas DC-10/30F (cargueiros), cerca de 60 de passageiros e 13 cargueiras. Os 04 Boeing 727.100C, 04 Boeing 727.200F e os 03 Douglas DC-10/30F cargueiros, são utilizados pela VARIG LOG - empresa criada para operar e administrar serviços exclusivamente cargueiros. O grupo VARIG todo, que inclui também a Rio Sul (22 aeronaves) e a Nordeste (07 aeronaves), compõem juntos, um dos maiores conglomerados da aviação civil do hemisfério sul com um total de 102 aeronaves em operação. (Dados de junho de 2005). Entre janeiro e abril de 2005, no mercado interno, a VARIG transportou 3.016.564 passageiros, obtendo a 3a posição, após a TAM e a GOL (4.167.890 e 3.149.505 passageiros transportados respectivamente). Há uma negociação junto a empresa portuguesa TAP, comandada pelo antigo Presidente da Rio Sul, Engenheiro Fernando Pinto, que deseja adquirir 20% do capital da companhia de forma a injetar recursos e conseguir financiamentos internacionais para viabilizar a empresa que passa por delicada situação financeira, tendo devolvido aeronaves, diminuído a malha interna e, com isso, perdendo fatias importantes do mercado, difíceis de se recuperar. RI O S U L - A Rio Sul foi fundada em 1976, após a crise iniciada na década de 60 que resultou no encerramento das atividades de 52 companhias aéreas, que atendiam cerca de 360 cidades no Brasil. O setor de aviação comercial ficou, então, restrito à atuação de quatro grandes companhias aéreas, que serviam 40 cidades. Na época, o Brasil passava pelo chamado "milagre econômico" e o Ministério da Aeronáutica decidiu dividir o país em cinco regiões - Norte, Nordeste, Central, São Paulo/Centro Oeste e Sul - e oferecer às companhias de táxi aéreo sua exploração comercial como empresas regionais. Os grupos interessados resolveram buscar apoio logístico e know-how nas grandes companhias nacionais. No Rio de Janeiro, a Top Táxi Aéreo associou-se à Varig dando origem à Rio Sul Linhas Aéreas, com uma frota inicial de quatro aviões Piper Navajo e um Bandeirante. O primeiro vôo da nova companhia foi realizado no dia 9 de setembro de 1976, na linha Porto Alegre/Rio Grande/Pelotas. O nome Rio Sul foi escolhido baseado na estreita relação da empresa carioca com o Rio Grande do Sul. Durante dez anos, as companhias aéreas regionais enfrentaram sérios problemas econômicos. A situação só melhorou quando o Ministério da Aeronáutica permitiu que as empresas regionais explorassem linhas bem mais rentáveis entre aeroportos centrais de grandes cidades, tais como os aeroportos de Congonhas, Santos Dumont, Pampulha e Afonso Pena, em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba, respectivamente. Em 1992, a Conferência Nacional de Aviação Civil extinguiu as áreas geográficas, criando o conceito de rotas nacionais e regionais e liberando todo o país para a operação das empresas regionais. Esta medida foi extremamente importante para a consolidação da Rio Sul - que na época já contava com frota e malha de linhas extensas - como uma das principais companhias aéreas do Brasil. Durante muitos anos a companhia operou várias tipos de equipamentos, entre eles o Embraer EMB-110 e o Fokker F27 em rotas no centro-sul do país. Nos anos 90 a empresa conquistou o mercado regional do país e ampliou sua atuação nos aeroportos centrais Em 1997 recebeu seu primeiro jato ERJ-145 batizado de "Jet Class". O equipamento substitui os F50 que operavam nos trecho Rio/Belo Horizonte. Atualmente a Rio Sul opera com os modelos: ERJ-145 que atuam nas principais linhas da companhia em conjunto com os Boeing 737-500, o 737-300 e o 737.700. Com a dificuldade de encontrar os modelos 737-500 para arrendar a Rio Sul iniciou suas operações em 2000 com os Boeing 737-300. Com a crise de 1999 a empresa enfrentou uma situação difícil no início do ano, assim como as demais empresas do setor. As despesas tiveram um aumento de 30% com a mudança cambial. Os descontos dos bilhetes foram reduzidos de 52% para 12%. A Rio Sul participa juntamente com a Varig da chamada ponte Varig/Rio-Sul que foi criada em 1998, detém hoje cerca de 55% do mercado entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Os vôos partem com média de ocupação de 70%. Além desta linha a ponte Varig/Rio-Sul também voa para Brasília e Belo Horizonte. O principal alvo da ponte são os executivos. A frota da companhia em junho era composta de 02 Boeing 737-700 (136 lugares), 9 Boeing 737-500 (120 lugares), 04 Boeing 737-300 (128 lugares) e 07 Embraer ERJ-145, num total de 22 aeronaves. N O R D E S T E - A Nordeste Linhas Aéreas iniciou suas operações em 1976, com uma frota formada por aviões Embraer EMB-110 Bandeirante. Na época seus acionistas eram a TransBrasil e o Governo do Estado da Bahia. Em 1995 a empresa foi adquirida pela Rio Sul Linhas Aéreas, pertencente ao Grupo Varig, sendo mais um passo importante na sua trajetória de sucesso, ao realizar a aquisição da empresa. Hoje, a Nordeste administra um exército de mais de 500 funcionários, uma frota de 14 aeronaves e uma malha que atende vôos para mais 38 cidades distribuídas por 16 estados. São mais de 126 decolagens por dia. Números que fizeram a Nordeste destacar-se como uma das 25 maiores empresas da Bahia e figurar entre as 40 maiores empresas regionais do mundo. No ano de 1999 a Nordeste teve um aumento de 26% nos seus custos. Nas rotas onde há baixa geração de recursos a companhia reestruturou sua atuação, e naquelas onde há mercado potencial, como Salvador e Recife, a Nordeste está melhorando seus serviços. A companhia está enfrentando uma pequena guerra tarifária na região norte do Brasil, mais especificamente nas localidades mais distantes, onde outras empresas têm boa participação. Porém, para competir com as companhias da região norte, a Nordeste tem oferecido horários e freqüências diferenciadas, visando atender a necessidades de seus passageiros. Em 1999 a empresa colocou em prática dois antigos planos. Inaugurou uma rota entre Salvador e Recife, com escalas em Aracaju e Maceió, além de um vôo sem escalas entre Salvador e Vitória. Estas linhas estão sendo feitas com os turboélices Fokker F50, com capacidade para até 50 passageiros. A companhia está absorvendo todos os Fokker F50 da Rio Sul, devendo voar com este tipo de equipamento até a sua substituição pelos jatos regionais ERJ-145, sendo que eis destes modelos já voam nas cores da Nordeste. Recentemente a Nordeste iniciou suas operações para Goiânia, Palmas, Uberlândia, Uberaba e João Pessoa, além de ter retomado os vôos para Natal. A expansão é resultado da aquisição de mais um Boeing 737-500, configurado para 108 passageiros. A estratégia é reforçar as localidades onde a demanda de passageiros tem aumentado. As ligações intercapitais são mais um produto arrojado da Nordeste para a integração regional do país, oferecendo a vantagem de ir e voltar no mesmo dia. A frota da Nordeste, é composta por 04 Boeing 737-500 e 03 Boeing 737.33A, totalizando 07 aeronaves. (Dados de junho de 2005).
A Varig segundo seus empregados
Fonte: http://www.apvar.org.br/
A Varig nasceu no Rio Grande do Sul e tornou-se patrimônio do povo brasileiro. Esta empresa representa a imagem do país no exterior, trazendo anualmente para o Brasil mais de 1,2 bilhão de dólares de divisas. Além de gerar mais de 25 mil empregos de alta qualificação, detém uma cultura e um conhecimento técnico-operacional e de segurança de vôo reconhecidos mundialmente. Vale ressaltar que o seu colapso implicaria numa “abertura dos céus” do Brasil às empresas estrangeiras, devido à perda dos "slots" (horários reservados para chegada e saída nos aeroportos estrangeiros). A perda dos “slots” da Varig deixaria nosso país com poucas chances de ter outra empresa brasileira operando os vôos internacionais. No âmbito doméstico, desaparecerão as linhas não rentáveis que fazem a integração nacional. Do ponto de vista econômico, a União, que é credora de grande parte da dívida da empresa, estará abrindo mão de receber o que lhe é devido se a Varig for extinta. Com a preservação da empresa ganham o país, o consumidor, o trabalhador e a sociedade. Sim, apesar de seu enorme passivo. Segundo a consultoria Trevisan, “ a Varig foi a empresa de aviação que trabalhou com margem operacional mais positiva em 2003 e, em 2004, deu lucro operacional repetindo o desempenho em relação às concorrentes ". O fato é que a companhia mantém indicadores favoráveis, entre os quais: - um dos melhores índices de ocupação por passageiro/quilômetro; - redução do seu endividamento bancário e com fornecedores estatais (Banco do Brasil, Petrobrás e Infraero); - tem mantido, embora com dificuldade crescente, elevados indicadores de pontualidade e regularidade, além da garantia da segurança nas operações de vôo, fruto da cultura dominante desde a fundação da empresa; - é responsável por 31% do tráfego aéreo nacional e de 86% do internacional realizado por empresas brasileiras. Não, apenas mais um fator agravante. O 11 de setembro afetou todas as empresas da aviação comercial, principalmente as norte-americanas. Nos EUA, a ajuda governamental às empresas aéreas evitou o colapso da indústria. Tal atitude, firme e consciente, demonstrou uma política do Governo norte-americano para o setor, ao oferecer recursos condicionados à aprovação de planos de negócios consistentes. No Brasil, o quadro é outro. Quase 4 anos após aquele atentado terrorista, a Varig já trocou 7 vezes de presidente e o agravamento cada vez maior da crise econômico-financeira ameaça a sobrevivência da empresa. A ausência de uma gestão ágil na Varig é decorrente de um modelo anacrônico de governança corporativa, que impede a empresa de responder às demandas de um mercado tão dinâmico. O quadro atual, em questão de tempo, levará a empresa ao estrangulamento total – o que normalmente é antecedido pela perda de participação no mercado. Mas a acentuada perda do controle financeiro e o corte de crédito nas praças nacionais e internacionais não são decorrentes do 11 de setembro. São conseqüências de inquestionável má gestão da Varig (evidente que o controlador, que é a Fundação Ruben Berta, está por trás desta má gestão) e uma série de políticas equivocadas para o setor.
Convém lembrar que, dentre essas políticas equivocadas, destaca-se
aquela implantada em 1990, quando o Governo Collor determinou, no 5º
Conaer (Congresso Nacional de Aeronáutica), a abertura dos vôos para o
exterior a outras duas empresas nacionais (Transbrasil e Vasp). Os equívocos do passado e a atual falta de uma política governamental definida para a indústria do transporte aéreo colocam em risco esta atividade estratégica, representando hoje um dos maiores desafios para os homens públicos deste país. De um lado, o endividamento da empresa é fruto de uma série de maus negócios realizados pelas sucessivas administrações da Varig e pela incapacidade de sua controladora (a Fundação Ruben Berta) de cobrar resultados desses administradores – em decorrência, exatamente, do modelo inadequado de governança corporativa. Contudo, há ainda o fato inquestionável de que os governos e suas indevidas interferências, através de planos econômicos e congelamentos tarifários, contribuíram para o colapso da Transbrasil, da Vasp e para a atual situação da Varig. As novas empresas, surgidas nos últimos anos, ainda não enfrentaram estes problemas, mas em breve sofrerão as conseqüências de uma falta de uma política definida para o setor.
O nobre espírito de vanguarda de Berta não impediu que, após sua morte, ocorresse uma complexa disputa interna pelo poder da FRB. À medida que a Varig crescia, aumentava também a disputa pelo poder político-econômico. Com o tempo, formou-se um verdadeiro império de poder dentro da FRB. O Colégio Deliberante da Fundação, outrora representativo dos funcionários-beneficiários, teve o acesso ao seu quadro restrito por meio de alterações em seu Estatuto, viciando sua composição. Passou-se a depender do aval da alta direção da FRB para participação no órgão. Com estas características antidemocráticas, quando se elege o órgão executivo da FRB, composto por sete Curadores (o Conselho de Curadores da FRB é o órgão máximo de poder na Fundação), cinge-se a “homologar” a força política hegemônica presente na organização. Qualquer oposição é sumariamente afastada, desde o menos graduado funcionário na cadeia hierárquica até os presidentes e diretores das empresas do grupo, quando ousam discordar do Conselho de Curadores, que os nomeia e destitui ao seu livre arbítrio. A Fundação Ruben Berta é detentora de 87% das ações de controle da Varig e de 55% do capital total da empresa. As demais ações estão pulverizadas. Este fato não deve servir de pretexto para que órgãos oficiais – e que têm competência legal para cobrar e agir –, deixem de cumprir com o seu dever de ofício. A Comissão de Valores Imobiliários (CVM), a Secretaria de Previdência Complementar (SPC), a Curadoria de Fundações e o Governo Federal, como poder concedente, já deveriam ter tomado atitude mais forte há algum tempo. A proposta de recuperação da Varig, inicialmente elaborada pelas consultorias especializadas contratadas pelas associações de trabalhadores da Varig, foi aperfeiçoada. Atualmente, é a proposta defendida pelo Congresso Nacional, depois que diversas Comissões do Senado e da Câmara debateram amplamente esta questão. A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Varig congrega hoje mais de 390 parlamentares de todos os partidos políticos. A Varig tem enorme dívida e grande necessidade de capital de giro. Os trabalhadores defendem que, tendo os credores oportunidade de instalar na empresa uma gestão comprometida com o sucesso, a maior parte do passivo poderia ser convertida em ações e investidores privados se disporiam a capitalizar a empresa reorganizada. Simples assim, a lógica da proposta sustenta qualquer exame. Todas as consultorias que examinaram o assunto, sem exceção, apontam a má gestão corporativa como responsável pela crítica situação da Varig. A empresa é consistente detentora dos melhores indicadores de pontualidade, regularidade e segurança, e do maior lucro operacional do setor. O balanço da Varig demonstra que a maior parte da sua dívida é com a União (fiscal e tributária) – e a própria União vem sendo reiteradamente condenada na Justiça a lhe pagar. Outros 30% são devidos ao fundo de pensão dos seus trabalhadores (o Aerus), que estão dispostos a converter parte significativa em ações e financiar o restante em longo prazo. Cabem, ainda, 15% da dívida aos fornecedores, que têm todo interesse na continuação dos negócios da empresa. E os restantes 10% pertencem a bancos – que sempre aceitam deságios em créditos duvidosos como, sem dúvida, são os existentes contra a Varig não reestruturada. Os principais credores se beneficiariam, muitíssimo, com a continuidade do negócio. Tanto pela oportunidade de receber parte dos seus créditos, como mantendo a empresa que, por décadas, vem garantindo, na casa dos bilhões, lucros aos fornecedores, divisas ao país e impostos ao governo. Os investidores poderão participar de uma das principais transportadoras aéreas do mundo, saneada e pronta a remunerar o capital investido. Os trabalhadores já apresentaram ao governo empresários respeitáveis, dispostos a bancar até 50% do capital necessário à recuperação da Varig. A outra metade, desejam ver financiada com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, contra a garantia de 30% da Varig reestruturada, por ações detidas pelos trabalhadores e caucionadas ao BNDES. Tudo isto, sem atacar o dinheiro do contribuinte e por um valor investido que será a metade da quantia já cogitada pelo governo para liquidar a empresa. Para muita gente essa solução complica, pelos motivos a seguir enumerados: • no campo trabalhista, a proposta não permite que se pratique mais um golpe contra os direitos acumulados dos trabalhadores, que seriam esbulhados se a Varig fosse liquidada para depois “ressurgir”, livre de ônus, nas mãos de concorrentes ou de oportunistas. • No campo previdenciário, a proposta dos trabalhadores não esconde o rombo bilionário no Sistema de Previdência Complementar e as falhas na sua fiscalização, nem permite que futuros controladores escapem da obrigação de honrar pecúlios. • No campo financeiro, a proposta evita que o Estado banque o risco de interesses particulares, como pretendido por quem quer proteger-se da inexorável sucessão de responsabilidade. • No campo societário, respeita todos os acionistas e credores, limpa o patrimônio da Varig e garante o pagamento da dívida tributária e fiscal, mas não deixa espaço para lucros especulativos e ganhos injustificados. • No campo político, reforça os papéis dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em sua função de garantir a Lei e preservar o mais elevado interesse nacional – mas, assim, contrapõe-se a manobras espúrias. • No campo do interesse público, a proposta dos trabalhadores impede a redução da concorrência, beneficiando os usuários com a sadia manutenção da sua mais tradicional transportadora; aumenta o ingresso de moeda forte na balança de divisas do país e preserva a participação brasileira no mercado internacional; mas não permite favorecimentos a “amigos do rei”. Ou seja, a proposta dos trabalhadores do Grupo Varig choca-se frontalmente com um modo arraigado de fazer negócios em nosso país. Contraria práticas questionáveis na condução de assuntos que envolvem muito dinheiro e os cofres da Nação. Embora solicitada sistematicamente há mais de três anos, a Fundação Ruben Berta não apresenta um único plano de recuperação para a empresa e ainda dificulta qualquer plano de reestruturação. A cada dia que passa, a empresa fica mais vulnerável. O vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar, defende a aplicação da recém-aprovada Lei de Recuperação de Empresas para salvar a Varig das conseqüências de um endividamento monstruoso. Já os funcionários vêm defendendo a intervenção temporária do governo porque não dá mais para esperar. A Lei nº 11.101, de 9/2/2005, só passará a vigorar em 9 de junho – será preciso esperar por mais de dois meses pela vigência da lei (tempo necessário para sua regulamentação) e, a partir daí, procurar fazer, em 180 dias, um acordo entre os credores em torno de um plano de recuperação para a Varig. É completamente fora de tempo. A empresa está em tal situação de colapso que até os prazos para a vigência da nova lei seriam uma sentença de morte. A “Lei de Falências”, como é conhecida, dificulta soluções que já foram usadas para empresas quebradas no Brasil, como a transferência de parte do controle da empresa para os funcionários. O que pode e deve ser feito é usar os princípios da nova lei em um projeto para agora. O governo deve nomear um interventor que tenha a capacidade técnica para comandar o processo de reestruturação da empresa. O melhor seria a nomeação de um administrador com credibilidade e experiência, que, auxiliado por um Conselho de Administração composto por empresários reconhecidos, possa apresentar um plano de reestruturação consistente para aglutinar todos os interessados na recuperação da Varig. A base legal está no artigo 188 do Código Brasileiro de Aeronáutica, que dá ao Governo Federal o poder e o dever de intervir em empresas que estejam na situação da Varig. A intervenção nas concessionárias ou autorizadas pode ser feita quando a situação financeira, econômica ou operacional ameaçar a “continuidade dos serviços, a eficiência ou a segurança do transporte aéreo”. Fundação Ruben Berta anuncia “soluções” sem apresentar publicamente um plano de reestruturação, um plano de negócios e investidores que realmente estejam comprometidos com a continuidade da Viação Aérea Rio Grandense - Varig. A dura realidade é que a FRB não tem proposta. O discurso da “fusão” com a TAM, anúncios de aportes de dinheiro público a fundo perdido, de minas de ouro como garantia e a proximidade com conhecidas “aves de rapina” do mercado, tiraram toda a credibilidade da FRB – embora não tenha diminuído o apetite de seus curadores para permanecer no poder e no controle da empresa. Estão previstos no Código Civil os casos em que deverá haver uma intervenção numa fundação. Só o fato de ter se desviado da finalidade prevista em seu estatuto é motivo mais que suficiente para uma intervenção. Diferentemente da proposta aprovada pela categoria em suas assembléias, a direção do SNA acredita que a solução da Varig deve vir a reboque de uma ampla reestruturação do setor aéreo. Esta visão equivocada de que primeiro se deve reestruturar o setor para depois reestruturar as empresas – e isto levará muito tempo – já fez desaparecer a Transbrasil e, mais recentemente, a Vasp. Os principais pontos da proposta da direção sindical são: carência e alongamento da dívida. Cumpre ressaltar aqui que o governo federal já declarou que o alongamento e carência já foram concedidos, através do REFIS e PAES. A Varig tem dívidas com o Governo Federal e créditos a receber já julgados pelo STJ, porém a Advocacia Geral da União já recorreu da decisão e isto poderá levar muito tempo. O Banrisul ou qualquer outra instituição bancária que tenha credibilidade pode participar deste processo. A reestruturação tem que ter transparência e se faz necessário um agente que consiga aglutinar todos os interessados na recuperação da Varig. O Banrisul não necessita aportar capital, nem ter " expertise " em reestruturações de empresas. Basta que atue como fiel depositário das ações da Fundação Ruben Berta, viabilize um ''acordo de credores" e que novos investidores aportem capital. O Banrisul pode ser uma boa opção . O Poder Executivo deve decretar intervenção imediata na Varig ou seus gravíssimos problemas podem ser resolvidos através da alienação do controle da companhia a investidores privados, nacionais e/ou estrangeiros, e do equacionamento de parcela substancial de suas dívidas com fundamento na Lei de Recuperação de Empresas (LRE)? A “solução de mercado”, sempre desejável numa economia capitalista, e a composição consensual de dívidas, factível quando perseguida a tempo e a hora, são inexeqüíveis no caso da Varig. Primeiro, porque a Varig não pode permanecer nove meses sem que ocorra uma mudança drástica em sua diretoria e no seu conselho de administração (três meses até a entrada em vigor da LRE e mais seis para aprovar o plano de reestruturação e saneamento). Segundo, porque eventuais interessados na aquisição do controle societário da Varig só concluirão a compra após perfeito, completo e cabal conhecimento da situação dos negócios sociais, atestada por uma ou mais empresas de auditoria de primeira linha com base em parecer técnico com milhares de informações e instruído com centenas de documentos, o que demandará árduo trabalho e, de novo, um bom tempo. Terceiro, porque a definição precisa de todas as cláusulas e condições contratuais possíveis, particularmente quanto às contas ativas e passivas e ao patrimônio líquido, exigirá meticulosos estudos e detalhada análise de riscos, os quais consumirão também vários meses. Quarto, porque a venda do controle de uma empresa em estado de crise econômico-financeira baseia-se no princípio da transparência, ao qual é contrária a Fundação Ruben Berta, como se tornou público e notório com a decisão de não autorizar seus competentes assessores técnicos a comparecerem e a prestarem esclarecimentos sobre o plano de recuperação da companhia na Audiência Pública, realizada na Câmara dos Deputados no dia 10 de março último. Mesmo após haver se comprometido com o vice-presidente José Alencar e com a deputada Yeda Crusius, coordenadora dos trabalhos do Grupo Parlamentar Misto em Defesa da Varig. Quinto, porque o “padrão de qualidade Varig”, nos vôos nacionais e internacionais, vem caindo assustadoramente dia após dia, o que exige medidas rápidas e eficazes, incompatíveis com o ritmo lento de um processo judicial, lastreado em uma nova legislação, sofisticada em sua forma, complexa em sua execução. Assim, à suposição de que à Varig só resta a “solução de mercado” nos autos de uma ação de recuperação judicial, invocamos a lição do filósofo alemão Gadamer, falecido em 2002 aos 102 anos, segundo o qual “a realização dos fins justos não podem ser totalmente calculados de antemão, mas dependem de cada situação específica” (José Ricardo Cunha, “A Justiça diante da lei na razão jurídica contemporânea”), de cada caso concreto. Na Itália, com respaldo na “Justiça do caso concreto”, o Poder Executivo, para salvar a Parmalat, editou lei especial, destituiu todos os administradores e nomeou interventor. Alguns meses depois, para socorrer a Volare, companhia aérea de pequeno porte, com pouco mais de 400 empregados, modificou a citada lei, que só se aplicava a empresas com mais de mil empregados, encontrando-se hoje ambas as companhias no caminho do reerguimento. No Brasil, sendo a Varig uma concessionária de serviço público de transporte aéreo de passageiros e cargas, não há mister promulgar lei alguma, bastando que o Poder Executivo, inspirado nos princípios constitucionais da ordem econômica, em especial o do pleno emprego (Constituição Federal, art. 170, VIII), cumpra, fiel e exemplarmente o art. 188, do Código Brasileiro de Aeronáutica, que lhe atribui o “poder-dever” de intervir nas companhias aéreas quando a sua “situação operacional, financeira ou econômica ameace a continuidade dos serviços, a eficiência ou a segurança do transporte aéreo”. Intervir para, de imediato, afastar os atuais gestores e, na forma da Lei das Sociedades Anônimas, no momento próprio, convocar assembléia geral extraordinária de acionistas, para decidir os destinos da companhia e de sua acionista controladora. Intervir não para liquidar e dissolver, mas para reestruturar, sanear e recuperar a maior empresa de aviação do país e da América Latina, um dos símbolos da nacionalidade e, durante anos a fio, modelo de organização, eficiência e qualidade, conforme ressaltado por inúmeros ilustres deputados federais na sessão do último dia 10 de março. Por isso, sob a segura e esclarecida orientação do vice-presidente José Alencar, vitorioso empresário e notável homem público, numa eloqüente demonstração de que, hoje, entre nós, “o Direito é uma força viva, movida pela luta e baseada na idéia de Justiça” (Rudolf von Ihering), o Poder Executivo deve decretar, imediatamente, a intervenção na Varig. Jorge Lobo, mestre, doutor e livre docente em Direito Comercial, em artigo publicado no Jornal do Brasil – 14.4.2005
Em
sentença proferida pelo D.D.Juízo do TRT/RS, destaca-se: " ...A atitude
dos dirigentes da Varig violou direito constitucionalmente assegurado
(art. 5º da CF) bem como ao direito de defesa dos interesses
econômicos e profissionais previsto em lei (art. 511 da CLT). Os
gestores da Varig, numa atitude autoritária e ao arrepio da lei e das
normas de um Estado Democrático, ignoraram o artigo 7 da Constituição
Federal, que visa a proteção do emprego contra atitudes arbitrárias do
empregador extrapolando desta forma o direito potestativo que lhes é
assegurado. Entraram no campo do abuso de direito e de violação aos
direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição Federal,
além de infringirem normas coletivas e regulamentares". A história do processo de perseguição política na Varig está relatada em documentos que circulam hoje nos gabinetes de parlamentares estaduais e federais. O "Dossiê da Perseguição", como ficou conhecido o documento elaborado pelas Associações de Trabalhadores que integram o corpo funcional da empresa, contém toda a documentação comprovando as práticas administrativas utilizadas pelos gestores da Fundação Ruben Berta e pelas diretorias que passaram pela empresa desde 2002. Com o objetivo de impedir quaisquer discussões que "ameacem" o poder absoluto dentro da Varig, as administrações vêm utilizando métodos terroristas para intimidar os funcionários, demitindo sumariamente lideranças das associações para desorganizar aquilo que sempre foi um dos maiores pilares da cultura da empresa - a sua organização associativa, sempre voltada para a discussão das questões profissionais do grupo de trabalho. O questionamento da decisão de demitir pilotos na Varig e, depois, fazer uma contratação de pilotos na Rio-Sul e Nordeste, no ano de 2002, foi motivo para a demissão de 3 2 pilotos, entre eles toda a diretoria da APVAR (Associação de Pilotos da Varig) e a Comissão de Negociação, em fevereiro daquele ano. Esses pilotos foram demitidos por alegada "justa causa" e tiveram seus retratos colocados nos postos de polícia dos aeroportos brasileiros, numa das maiores afrontas às liberdades democráticas em vigência neste país. Em setembro daquele ano, outros 31 pilotos foram demitidos, em conseqüência do questionamento que se fazia aos números declarados da dívida da empresa para com o Fundo de Pensão Aerus. O total de 6 3 pilotos demitidos demonstra o comportamento da administração da empresa, intencionalmente voltado para esconder a gravidade do quadro econômico-financeiro, ainda que para isso tenham lançado mão de métodos fascistas para "silenciar" a voz dos trabalhadores . A retaliação se estendeu às entidades representativas dos trabalhadores – APVAR, ACVAR (Associação dos Comissários) e AMVVAR (Associação dos Mecânicos de Vôo). Na tentativa de asfixiar financeiramente as associações, cortando-lhes os recursos diretos com os quais financiavam a mobilização dos funcionários em defesa da companhia, a diretoria da Varig determinou que fosse suspenso o desconto em folha de pagamento dos sócios em favor dessas entidades – uma prática consagrada pelo uso. O mesmo procedimento foi adotado pelo Instituto de Seguridade Aerus em relação à APRUS, associação que reúne os Participantes e Beneficiários do Aerus, todos com idade entre 60 e 90 anos, num flagrante atentado contra pessoas, hoje idosas, que ajudam a construir a companhia. Um detalhe: a diretoria do Instituto Aerus é indicada pela Varig – a empresa aérea permanece como patrocinadora do Fundo pois, para deixá-lo, deve saldar sua dívida e seu déficit com os beneficiários e pensionistas, ou seja, com os funcionários da Varig, da ativa e aposentados. O Aerus foi fundado em 1983, para proporcionar maior segurança e bem-estar aos trabalhadores da aviação, no momento da aposentadoria por tempo de serviço ou incapacidade para o trabalho. No caso dos funcionários da Varig, quem aderisse ao Fundo tinha um desconto mensal compulsório no salário e a empresa aérea participava com um percentual. Os trabalhadores que ingressaram na Varig a partir da fundação do Aerus assinavam um termo de adesão compulsória ao Fundo. A criação do Aerus também foi incentivada pelo governo, através do repasse de 3% do valor das passagens domésticas. Este incentivo foi cancelado no Governo Collor, o mesmo que promoveu a abertura dos céus brasileiros à concorrência predatória internacional. Aos poucos, as outras patrocinadoras (Transbrasil e, posteriormente, por pouco tempo, a TAM) deixaram o Instituto. A partir dos anos 90, a Varig começou a atrasar sua contribuição com o Fundo e, ao longo dos anos seguintes, fez quatro repactuações da dívida – por lei, em caso do não pagamento da contribuição como patrocinadora, o Instituto Aerus seria obrigado a pedir a falência da empresa aérea. Os funcionários, contudo, continuaram sendo descontados pontualmente. Na primeira pactuação, em 1994, foi acordado o índice de correção da inflação pelo IGP, mais 1% ao mês. Na segunda, em 1996, utilizou-se o mesmo índice e periodicidade da correção dos benefícios, mais 1% de juros ao mês. Na terceira, em 1999, foi utilizado o INPC, mais 1% de juros ao mês. Na quarta e mais recente, em abril de 2003, passou-se a utilizar novamente o IGP-M, mas aviltando os juros para 0,48% ao mês. Para se ter uma idéia da perda, a diferença de juros em R$ 1 bilhão significa cerca de R$ 70 milhões de perda por ano, para uma folha mensal de assistidos de cerca de R$ 21 milhões. No entanto, este déficit não fez parte da repactuação, contrariando lei que determina sua contratação como dívida. Segundo alegação do presidente do Aerus, “em caso de fusão (da Varig com uma outra empresa), esse déficit ficaria com a FRB-Par”. E, em outras ocasiões, a direção do Instituto também afirmou que “Varig e Aerus aguardam resultado do destino da Varig”, pois há a expectativa de um elevado número de demissões – o que diminuiria ou eliminaria esse déficit. Em 1º de janeiro de 2003, a Varig extinguiu os Planos de Aposentadoria Aerus, deixando, portanto, de contribuir com o Fundo de Pensão. A partir dessa retirada, os futuros beneficiários sofreram um brutal achatamento do benefício que virão a receber um dia. Hoje, a dívida da Varig para com o Aerus é de R$ 1,5 bilhão. O déficit, em torno de R$ 1 bilhão. Já o patrimônio do Aerus, próximo a R$ 1 bilhão, é constituído, em 50%, de imóveis que não têm liquidez. Para agravar o quadro, a rentabilidade estimada dos investimentos do Aerus foi muito superior ao considerado razoável pela Secretaria de Previdência Complementar, que seria de 6%. O Aerus considerou uma taxa de 9.56%. Esta diferença representa dezenas de milhões de reais no passivo dos balanços. Por tudo isso, os pensionistas e trabalhadores da ativa, na condição de credores, têm urgência numa solução que respeite e garanta seus justos direitos – ou, por que não afirmar, seus honestos investimentos. Panair: a história se repete 41 anos depois Repassando o e-mail do engenheiro Franklin Albagli, de Ilhéus
A Panair foi a mais
amada empresa aérea do Brasil a seu tempo. Famosa por trazer avanços e
novidades, instituiu o que ficou conhecido informalmente como "Padrão
Panair", garantia de excelência técnica-operacional. Pioneira sob
diversos aspectos, poderosa, charmosa, a companhia mereceu até eulogias
em prosa e verso: "Nas asas da Panair", canção imortalizada por Elis
Regina e Milton Nascimento, comprova isto.
Prosseguimos na saga
da Panair do Brasil. Desta vez, analisamos os problemas enfrentados
pelka empresa e seu fim escandaloso.
Que a Varig e a finada
Cruzeiro (com todo o respeito e admiração que merecem) nos perdoem, mas
trazem em suas asas parte da culpa, que o vento que por elas passa não é
capaz de desfazer.
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