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Editor   PEDRO PORFÍRIO

Editado pela FÁBRICA DO CONHECIMENTO - Rio de Janeiro  porfirio@palanquelivre.com

"Estou condenado a ser livre. Isso quer dizer que nenhum limite para minha liberdade pode ser estabelecido, exceto a própria liberdade"                                                                      JEAN PAUL SARTRE, filósofo francês, O SER E O NADA (1943)

 

   
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  Atualizado em: 9.6.05
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Sua opinião

TEREZA CRUVINEL – O GLOBO 22.07.07
A gula das aéreas e a inépcia estatal

As companhias aéreas vão chiar. Com as medidas baixadas pelo governo na sexta-feira, elas vão ganhar menos dinheiro. Vão gastar mais para redistribuir os vôos que concentraram em Congonhas. TAM e Gol tiveram lucros gordos na crise, enquanto eles minguavam lá fora. Desafogar Congonhas é uma medida corajosa, mas, com esta Anac servil às companhias, será difícil.
Mais difícil ainda será enfrentar a resistência da Infraero à abertura de seu capital e à construção do novo aeroporto de São Paulo pelo regime de PPPs.
Para especialistas, as medidas são boas, mas têm dois graves defeitos. Um, não
terem sido adotadas antes. Para isso, só faltou decisão ao governo. Outro, não
terem vindo acompanhadas da unificação da gestão num só comando.
Com o remanejamento dos vôos de Congonhas, os primeiros cálculos indicam que a TAM perderá mais de cem conexões e cerca de 200 escalas. A Gol, quase o mesmo número, e a Pantanal, menos de cem. Elas não estão acostumadas a obedecer, e sim a convencer a Anac. Obtiveram o aumento de cerca de 40% dos pousos e decolagens em Congonhas, nos últimos três anos, e a liberação da pista reformada antes das ranhuras prontas. Como irá esta Anac amiga impor mudanças que vão reduzir os ganhos? Pode ser preciso trocar alguns diretores, admite um ministro de Lula. O governo agora excomunga a Anac, mas foi ele mesmo que nomeou seus diretores por critérios políticos. Recentemente, a ministra Dilma brecou, escandalizada, uma proposta de recesso (fora as férias) para servidores da agência, cujo presidente é ligado à ministra.
É verdade que, com o fim do monopólio TransbrasilVarig-Vasp, e a entrada da Gol em cena, a competitividade aumentou, os preços baixaram e mais gente passou a voar. As tarifas caíram cerca de 40%, embora o preço do petróleo tenha subido.
A demanda aumentou 12% em 2006 e 13% só no primeiro semestre deste ano. Mas as companhias levaram também para o setor uma mentalidade de empresas de transporte coletivo: ônibus cheio, faturamento alto. Se nos últimos cinco anos os passageiros saltaram de 40 milhões para 57 milhões ao ano, a frota nacional encolheu, de 366 para 230 aeronaves. A receita para manter o faturamento nas alturas foi operar em regime de “ônibus cheio”: cerca de 72% de ocupação média dos assentos. Às vezes, como no caso do avião que explodiu em Congonhas, 100% de ocupação. E cortando custos com a centralização das conexões em aeroportos centrais como Congonhas.
Estas são críticas às empresas, feitas por uma autoridade do governo que não é da Anac, naturalmente.Agora, vejamos o que diz do governo um alto executivo do setor. Ele supõe que o acidente de São Paulo não teve relação com o apagão, não teria acontecido se o avião com defeito no reverso tivesse ido logo para a oficina. Não foi porque a empresa não podia prescindir da aeronave. Mas apagão mesmo virá, diz ele, se o Estado não for além do já prometido. A Infraero, com a governança atual, leva dez anos para tirar uma decisão do papel e começar uma obra. Este novo aeroporto de São Paulo não sairá nunca. Com a abertura do capital, a gestão da empresa terá que mudar, aposta o governo. Mas é preciso mudar a mentalidade: a Infraero gosta mesmo é de investir em terminais de passageiros.
Não gosta de fazer nem reformar pistas, não gosta de obras pequenas, porém
necessárias. Talvez porque isso não dê propina, diz o aeroteca. A pista
principal de Congonhas pede reforma há cinco anos, mas só saiu na emergência.
Obra cara e sem licitação.
Melhor do que abrir o capital da Infraero, diz ele, será adotar o modelo da
Inglaterra, onde todos os aeroportos são privados. Ou o de Nova York, onde um
ente público, a Port Authority, concede a exploração do serviço a quem constrói
a infra-estrutura. A gestão, ele concorda com o que se discute no governo, terá
que ser centralizada e tendo a Anac como cabeça do sistema, mas chefiada por um gestor buscado no mercado de talentos.
Pode haver acertos e impropriedades nestas considerações sobre o setor aéreo.
Mas, agora, tudo é subsídio. O tema para especialistas entrou na esfera pública.

MERVAL PEREIRA – O GLOBO 22.7.07

As falhas do Governo

O diagnóstico do governo de que a Agência Nacional de Aviação
Civil (Anac) foi “capturada” pelos interesses das companhias aéreas,
desaconselharia, neste momento, a privatização de atividades do sistema aéreo
comercial, embora essa possa vir a ser uma solução depois que o setor estiver
reorganizado. O que parecia ser a vitória do capitalismo, com o aumento da
produtividade das empresas aéreas, está se revelando uma atuação selvagem, no
“limite da irresponsabilidade”.
O economista Paulo Rabello de Castro, que atuou como consultor da associação dos
pilotos da Varig no período em que a empresa tentava encontrar uma saída para a
crise financeira, afirma que a segurança de vôo está “umbilicalmente ligada à
qualidade e nível de manutenção dos equipamentos, como também aos apoios de
infra-estrutura em terra”.
Mas ele chama a atenção para o fato de que “principalmente, e antes de tudo”, a
segurança na aviação comercial depende “da qualidade técnica e nível de
treinamento do pessoal envolvido na operação, a começar pelos pilotos e
co-pilotos em cada vôo e à capacidade e experiência das empresas aéreas”.
A oferta do serviço aéreo comercial ficou grandemente prejudicada a partir de
meados de 2006, num momento em que a demanda passou a se expandir vigorosamente.
Mas Paulo Rabello lembra que “a oferta minguou no mesmo período, primeiro pela devolução de aeronaves perdidas pela Varig, praticamente toda sua frota doméstica, não reposta com facilidade pelas concorrentes, agora transformadas num duopólio da aviação doméstica”.
Além disso, Paulo Rabello de Castro lembra que houve a “exportação de centenas de comandantes, dentre os mais experientes e bem treinados”. Segundo ele, hoje existem cerca de 400 pilotos e co-pilotos brasileiros trabalhando em companhias aéreas européias e do Oriente.
Liberal convicto, Paulo Rabello de Castro questiona o papel do mercado na
solução da crise aérea aberta com o desaparecimento da Varig: “Onde esteve o
planejamento de uma mudança de tal relevância e grau de dificuldade?” .
Ao contrário da opinião predominante, Paulo Rabello discorda do “caráter quase
mágico atribuído ao ‘mercado’ como supridor de soluções rápidas e indolores para
a crise aérea brasileira”. Para ele, “a seqüência de eventos que, entre 2005 e
meados de 2006, determinou o definhamento dos serviços da Varig, guarda absoluto
nexo causal com os sinistros aéreos que têm ocorrido agora”.
Paulo Rabello critica o fato de o “mercado” ter considerado natural “o
desaparecimento virtual da Varig, tida como ineficiente e deficitária, e a
assunção do serviço e do seu mercado pelas ‘concorrentes’ lucrativas”.
Na aviação comercial, diz ele, “certamente haveria que se considerar as
conseqüências da interrupção da empresa líder do serviço aéreo brasileiro, sendo
o fator humano essencialíssimo para a segurança de vôo”.
Segundo o economista, o problema não cessará “simplesmente por haver o governo
anunciado esta ou aquela demissão ou prometido verba bilionária. O apagão geral
é, sim, de responsabilidades, de planejamento inteligente, de antecipação de
situações”.
Para ele, trata-se, sobretudo, “de uma pane da legalidade e de um colapso da
ética no trato dos interesses da sociedade brasileira. Suscita, portanto, nos
foros adequados, a discussão da cadeia de responsabilidades, legais e judiciais,
associada ao sinistro de 17 de julho”.
Ele acha que, mais que apontar as causas próximas do recente acidente da TAM, “o
fundamental é buscar as causas remotas, que são as mais relevantes”. O governo
deveria estar atento ao conjunto do serviço em si, “à operação da malha aérea, à
capacidade das empresas de resistir a pressões para voar além dos limites
admissíveis, a perícia e o exaustivo treinamento dos aeronautas e
controladores”.
Paulo Rabello considera fundamental “questionar à exaustão por que não foram
atenuados os fatores de risco controláveis, aqueles para os quais há sempre o
recurso da ação humana preventiva, isto é, a aplicação das regras do setor e sua
rígida fiscalização, as rotinas e procedimentos das companhias, que, em
conjunto, conseguem mitigar grandemente o risco inicial da aviação comercial”.
Ele lembra que existe na aviação o MEL — do inglês “minimum equipment list” —
que deve ser observado estritamente.
“Mesmo os elementos de risco ditos nãocontroláveis, como a chuva forte, podem
ter seus piores efeitos significativamente amenizados por regras de prudência”,
ressalta.
Evidentemente, diz Paulo Rabello de Castro, “cada procedimento mitigador ou
atenuante de riscos tem um custo econômico, razão pela qual um juízo de
equilíbrio deve ser emitido pelos responsáveis da atividade, a cada momento,
sobre como proceder, de modo a manter os riscos e os custos de controlálos, em
níveis considerados ‘aceitáveis’, tanto em termos de vidas em jogo, quanto de
custos operacionais”.
Uma das decisões anunciadas pelo presidente Lula, de exigir que as companhias
aéreas tenham sempre aviões e tripulações de reserva para situações de
emergência, era procedimento rotineiro quando a Varig operava, conta Paulo
Rabello de Castro. O fato de as companhias aéreas que estão operando atualmente
não adotarem essa medida seria sinal de que estariam trabalhando no limite de
seus equipamentos, sem margem de segurança, o que aumenta o risco.
É nesse ponto, mais uma vez, que se estabelece a culpa do governo pela crise
aérea que estamos vivendo há quase dez meses, que atingiu simultaneamente os
controladores de vôo e as companhias aéreas, revelando uma degradação do sistema
aéreo do país como um todo.
Se as companhias aéreas falham, se os controladores falham, falha antes a
supervisão do governo.

 

  As falhas do governo 


 

Dá para avançar no segundo turno?

 

Marcos Pinto Basto

Não dá! Porque os debates, assim com as pesquisas de opinião pública, têm falhas grosseiras propositais, de modo a deixar continuar a farsa eleitoral. Os candidatos digladiam-se com acusações que já deveriam ter servido como base a ações na Justiça. Prometem e, depois de ganharem o pleito, esquecem tudo o que foi dito na campanha!

Ao registrarem suas candidaturas ao cargo de presidente da República, deveriam apresentar seus projetos de governo, que seriam obrigados a implementar logo após a posse, sendo avaliados após 6 meses no cargo e aprovados pela sociedade ao final de um ano.

A desaprovação da sociedade representaria o fim do mandato. A lei que deveria reger a eleição presidencial seria um artigo intocável da Constituição, só podendo ser alterado em plebiscito popular. Este artigo deveria incluir parágrafos fundamentais ao exercício da democracia, como voto livre, idoneidade do candidato, conduta moral, conduta no cargo sem imunidades que não fossem as inerentes à conduta de eterno denunciante de todos os crimes de lesa-pátria.

Do jeito que está, não dá para avançar no segundo turno. Milhões de reais desperdiçados, tempo perdido e dezenas ou centenas de conhecidos figurões sugando a fortuna bilionária que pagamos anualmente de impostos.

O mais difícil será encontrar um grupo de cidadãos patriótas suficientemente numerosos e ardorosos defensores da liberdade, capazes de arregimentar a Nação inteira a promulgar esta lei que modificaria completamente o panorama político administrativo da Nação.

marcospintobasto@superig.com.br

 

Os Tentáculos do poder e a força do Polvo

Lídia Dourado

A pergunta deixou de ser aquela do mote da campanha de segundo turno do tucano: "de onde vem o dinheiro?" Agora, o importante é saber aonde vamos parar. Por que a respeito da veracidade do conteúdo do tal dossiê ninguém ainda provou nada. O Serra encerrou dizendo que era mentira e ponto final!
A rede Globo aglutinou seus interesses ao fato, fez o povo acreditar e
determinou a ida do Alckimin para o segundo turno.
E agora, 15 minutos diários do Jornal Nacional são destinados á
proliferação de novos nomes, suspeitos e envolvidos. Deveriam incluir mais alguns aí, como suspeitos de parcialidade clara e extrema: Ali Kamel,Fátima Bernardes, William Bonner, Carlos Azenha, os eficazes chefes do marketing político dos Tucanos da GW produções, Fausto Macedo, Paulo Baraldi (onde está o áudio com a conversa com o delegado?) entre tantos e tantos outros. Mas eles só estão cumprindo o seu papel de jornalista! E uma pergunta nova desponta: Qual o verdadeiro papel da imprensa? O Que é a profissão e quem são os jornalistas?
Com toda essa trama, já não é a primeira vez que comparamos os políticos e suas guerras partidárias às gangues das periferias mais violentas e suas técnicas de extermínio do rival. Agora, esses jornalistas entram na dança e se tornam os traficantes de informações e mentiras, manipulam os fatos junto aos seus comparsas partidários e ludibriam o povo com seus furos de escopetas televisivos e suas denúncias de compra e venda de uma droga de dossiê. Só que esta rasteira no favorito da corrida presidencial já é um golpe antigo, lá do tempo da corrida maluca da Penélope Charmosa.
A decisiva influência da mídia já levou nosso país a muitos golpes de
retrocesso, o maior deles foi o de 1964. Mas não vamos longe, nas eleições passadas houve um. Com a história da filhinha do Sarney e o dinheiro suspeito na empresa do seu digníssimo marido. Mas o dinheiro, depois das eleições, era limpo. Não que fosse um grande avanço ter a charmosinha na disputa da presidência da república, mas a democracia serve para isso.
Lorenzetti, sanguessugas, ambulâncias, ex-ministro da casa civil, Gilberto Carvalho, a indagação/acusação de que o presidente sabe de onde vem o dinheiro e até churrasqueiros e seguranças particulares são citados ao léu, presos sem mandatos, tudo para atingir o homem, tudo para não deixar o homem trabalhar. Por quê? Por que são inegáveis os índices de crescimento social nos quatro anos de Lula.
O tiroteio continua e a Polícia Federal agora também tem que investigar seus próprios funcion
ários, é muito trabalho. Já não basta o PCC? Que tal fazer a CPI da imprensa?! O problema da liberdade de expressão é justamente quando ela vira libertinagem de expressão. E o povo, com sua sabedoria proveniente de não sei de onde, sabe que essa manobra cheia de tentáculos jornalísticos não vai pra muito longe. Vai ser Lula de novo, com a força do Polvo.

Lídia Dourado, estudante de Teatro, 18 anos - Salvador - Ba.
lidiacarla_@hotmail.com

Um não rotundo

Marcos Curado

Minha escolha sugere, dramaticamente, assumirmos o esforço e o sacrifício de uma mobilização democrática pelo voto nulo, um não rotundo. Pois, a continuada manutenção dese modelo econômico, na verdade, legitima a corrupção e, mais fundamentalmente, a permanência no poder da oligarquia que nada tem haver com os interesses nacionais.

Não se pode votar livremente. A manutenção dessa ordem que convêm as classes dirigentes, condiciona a mentalidade da população, evidenciada, mais uma vez, no resultado eleitoral e em tantos outros interesses do capitalismo neoliberal do livre mercado globalizado das multinacionais e banqueiros.

Enfrentar essas forças poderosas que se beneficiam desse drástico status quo da realidade nacional, que teimam em manter e conservar. Iremos assistir os porta-vozes dos EUA nos acusarem de subversivos, comunistas, terroristas e até nos rotular de destruidores da amazônia e, nos intrigar com o resto do mundo, além de sofermos aqui em nossa própria nação uma gigantesca massa de propaganda, feroz, para nos intimidar e anular.

Trazer à luz um fragmento da nossa história em que a oligarquia perdeu, provisoriamente, o poder do governo federal, para daí, considerarmos como preocupações às ameaças potenciais. Todavia, é importante frisar que certamente será desagradável e inaceitável; absurdamente reprovável e intolerável para quem preserva esse status quo.

A interferência indébita no processo eleitoral pelos meios de comunicação, principalmente pela RedeGlobo, instrumento de alienação e deformação da consciência, tem proporcionado ao povo brasileiro as maiores frustrações e indignação. Pois, o povo cheio de espeança com as diretas jà e a continuidade democrática, se vê, já manipulado na primeira oportunidade com o estelionatário plano cruzado servindo-se de fiscal do Sarney. Depois, o jovem atleta, simbolo da renovação e modernismo, a farsa que confiscou a poupança do brasileiro e acabou cassado pelos mesmo que o elegeram, numa influência e interferência da Rede Globo que persuadiu a juventude estudantil cozinhada na estufa da ditadura para ir a rua de cara pintada.

Apartir daí, então, praticamente extinguida a possibilidade de reverter o quadro político nacional, pois, a população da frustração e da indignação se deixou levar pelo conformismo e pela apatia. A mediocridade foi implantada na mente de grande parcela da população para aceitar nada mais que insignificantes migalhas. Assim sendo, ardilosamente foi programado a derrogada do voto consistente, livre e emancipado, e, em seu lugar foi aprovado, em favor desse mesmo voto, somente os limites necessários para o povo ir as urnas eletrônicas que não permite a recontagem de voto, exercer sua obrigação de votar: elegendo os políticos, numa maioria esmagadora, que mantém garantido permanentemente os interesses que o elegeram.

Somos um doente crónico que não faz nada além de respiar. Nossa voz retorna boca adentro ao rechaçar nas cabeças configuradas pelos programas da Rede Globo, seus semelhante, similares e simpatizantes. Nos restando, somente processar a fotossíntese.

Enfim, como a democracia no país é algo de valor incalculavel pela sua raríssima raridade. Peço que desconsidere meu apelo pelo voto nulo. Vou votar pela democracia mesmo sendo uma trágica escolha entre o diabo e a coisa ruim.

Marco Curado

curadodobrasil@yahoo.com.br

 


 

Cotas nas universidades

 Os comentários enviados sobre nossas colunas

Os artigos de Pedro Porfírio denunciando o "contrabando made in USA" na proposta de cotas raciais para as universidades públicas mereceram os mais diversos comentários. Veja a seguir:

Não pare de escrever

Porfirio,

Parabéns pelas matérias sobre cotas nas universidades.
Não pare de escrever sobre o assunto. Talvez consiga
impedir o andamento e conclusão deste processo. Tenho
um filho universitário (UERJ), que já teve amigos
prejudicados no vertibular graças ás cotas.

Ana Concli
anaconcli@yahoo.com.br

Uma excrescência do Congresso

"Meu caro Pedro Porfírio

O sistema de Cotas para negros foi criado nos EUA como uma reação contra o apartheid que até então lá havia, segregando os negros, e como uma tentativa de apaziguamento dos protestos raciais.
Mas ela foi derrubada pela Suprema Corte, inclusive com o significativo voto de um juiz negro, que o considerou como uma forma de racismo.
Aqui surgiu como uma excrescência do nosso Congresso.
Considero que não irá contribuir para melhorar a nossa sociedade mas, muito ao contrário, irá rebaixar o nível do ensino nas universidades, como você muito bem abordou:
“privilegiar um número significativo de candidatos despreparados (negros ou brancos, ou verdes) leva ao rebaixamento do nível das aulas, e contribui para o desmantelamento da cultura do país.  Os alunos mais despreparados não têm escolha outra do que lutar para passarem, independentemente de terem assimilado o material ou não.  A pressão política torna-se insuportável para os professores e para a administração, e mesmo que esta não entre, existe a pressão humana, porque normalmente os professores preferem aprovar os alunos por uma questão de empatia com os alunos”.
O nível do nosso ensino já está muito baixo. Note que nas provas de aptidão da OAB a reprovação é superior a 70%. Índice igual seria obtido se todas as Ordens e Conselhos de classes adotassem o mesmo sistema de exames para permitir o exercício profissional.
O que precisamos não é de diplomados, mas sim de profissionais competentes, que sejam capazes de contribuir para o desenvolvimento do pais, a exemplo do ITA, cujos engenheiros foram capazes de construir uma EMBRAER, que compete em situação de igualdade com as melhores empresas aeronáuticas do mundo.
Pedro Paulo Rocha - Eng.
Curitiba" -p.rocha@terra.com.br

 

Ensino básico, nada

É, caro Pedro, as cotas são aquela velha maneira de resolver, sem de fato resolver, os problemas com uma canetada. 

Não dá trabalho! Assina-se um decreto ou Mp e pronto!  

Agora, cuidar do ensino básico dá um trabalhão, remunerar bem os professores sai caro, então, viva as cotas!

 Entrar na universidade, os cotistas entrarão, mas sair(diplomados e aptos) é que serão elas.

Luiz Leitão - luizleitao@allsites.com.br

Um vírus exportado

Caro senhor Porfírio:

Tendo vivido nos EU há 33 anos, onde fui professor de física (hoje sou aposentado), eu tenho algumas observações sobre as quotas.  Fazendo curta uma longa história, existe um problema, o qual é a queda forçada do nível dos cursos.  Acredito que qualquer professor lhe confirmará que cada turma numa mesma instituição tem um nível médio ligeiramente (no Brasil) diferente.  Isto dá oportunidade ao professor de se aprofundar mais (quando melhor nível) ou impede o progresso desejável (quando pior nível).  Nos Estados Unidos a variação intelectual de uma turma para outra, dentro da mesma universidade e curso, variação apenas de ano para ano, é muito maior do que no Brasil, tabém dentro da mesma universidade e curso, opinião compartilhada por colegas brasileiros que ensinaram aí e aqui, assim como a variação intelectual dentro de qualquer turma (diferença do nível dos alunos dentro de uma turma) é muito mais larga nos Estados Unidos do que no Brasil.  Se bem que eu não tenha experiência de professor no Brasil, eu me lembro do meu tempo de estudante.

Ora,
privilegiar um número significativo de candidatos despreparados (negros ou brancos, ou verdes) leva ao rebaixamento do nível das aulas, e contribui para o desmantelamento da cultura do país.  Os alunos mais despreparados não têm escolha outra do que lutar para passarem, independentemente de terem assimilado o material ou não.  A pressão política torna-se insuportável para os professores e para a administração, e mesmo que esta não entre, existe a pressão humana, porque normalmente os professores preferem aprovar os alunos por uma questão de empatia com os alunos.

Os grupos de análise nos Estados Unidos, o que êles chamam de «think tanks», estão a par do resultado, porque isto aconteceu nos país deles, em que as cotas foram introduzidas em consequência das revoltas sociais dos anos 60.  Na minha opinião este foi o terceiro fator em importância no desmantelamento do sistema de ensino americano.  Se nos Estados Unidos as cotas foram um fator menor no desmoronamento do sistema de ensino, isto não quer dizer que todos os analistas concordem com a minha análise, mesmo porque para um americano branco é mais agradável aceitar isto como o fator primordial, um fator psicológico que afeta alguns analistas.  Mas de uma forma ou de outra, quer que se considere a mistura forcada como o fator principal ou não, qualquer analista americano que olhe o problema americano, reconhecerá que a mistura forcada contribuiu para o desmoronamento do sistema de ensino nos Estados Unidos, e portanto os analistas americanos estão a par de que a mistura forçada contribui para a destruição do sistema.

Se o senhor pensa que os EU não são tão maliciosos para plantar este vírus no Brasil, por favor leia o «Confessions of an Economic Hitman» («Confissões de um Assassino Econômico») do John Perkins.  Perkins trabalhava clandestinamente para a NSA (National Security Agency) e para a CIA, ostensivamente para uma companhia particular encarregada de construções pelo mundo afora.  Mas o objetivo era outro, de destruir as economias locais, o que o Perkins explica com detalhes e sem meias palavras.  Ou, de uma forma mais sutil, e em um livro que foi traduzido para o português, o Joseph Stiglitz em «Mundialização e os seus Opositores» (? «Globalization and its Discontents») escreve que não entende como os economistas do FMI e do Banco Mundial forcem nos países do terceiro mundo medidas que são reconhecidamente destrutivas, como ensinado nos cursos mais elementares de economia.  O Stiglitz é ou ingênuo ou malicioso, porque acredito que os economistas sabiam perfeitamente bem o que aconteceria na Korea e países vizinhos no final dos anos 90, ou na Argentina recentemente, etc.

Se o senhor tiver tempo eu teria prazer em discutir o assunto com o senhor na minha próxima ida ao Rio.

Saudações

Sergio Monteiro


ProfessorSerge@Yahoo.com

 

MonteiroSerge@Yahoo.com

 

Demagogia política

 

Caro Sr. Porfírio,

Triste é o país em que direitos, ou mesmo falsos direitos, tenham que ser
obtidos mediante a necesidade do cidadão ter que manifestar sua origem
racial.
Não tinhhamos diferenças raciais no Brasil, agora por conta da demagogia
política, os descendentes de negros deixam de lado critérios que privilegiam
a meritocracia para abraçar critérios que favorecem alguns brasileiros.

Gerhard Erich Boehme
gerhard@boehme.com.br


 

Professor a favor das cotas

Caro Pedro

 
 
O tema das "cotas" é mais que oportuno. Tive a oportunidade de participar de um debate oficial no ano passado sobre temas universitários,  porquanto candidato a Reitor da Universidade Federal de Campina Grande. A proposta do oficialismo esteve incluída em todos os debates, mas, na verdade, não entusiasmou a comunidade universitária. Particularmente firmei minha posição, em divergência com os concorrentes, hipotecando irrestrito apoio ao que chamei de seleção racial. Isso não impede, entretanto, de emprestar  minha solidariedade ao seu pensamento, que considero um facho de luz que incide sobre o debate.
 
Penso, contudo, que, a despeito da origem da proposta, ela pode ser bem aproveitada em meio  a contraditória realidade vivida no nosso sistema educacional. Nesse sentido, seria o caso de fazer adaptações na proposta do oficialismo e implementá-la sem transgredir o critério de seleção por mérito que  garante a solidez da Instituição Universitária. Propus, por exemplo, que as vagas oferecidas no vestibular fossem aumentadas em 20%; acréscimo este destinado a selecionar os afrodecendentes por ordem de classificação até o número de vagas suplementares. Assim, mesmo considerando a exclusividade, não se destacaria a questão da reserva beneficiando a população negra, e sim o aumento de número de vagas, perfeitamente assimilável na atual estrutura do sistema público de ensino superior. Do ponto de vista do mérito, posso te garantir não haver qualquer prejuízo. A título ilustrativo veja o seguinte exemplo. A UFPB inscreve de 3000 a 4000 candidatos para as 100 vagas do curso de medicina. São classificados 500 (5 x número de vagas) para realizarem uma segunda fase onde serão escolhidos os 100 com as melhores notas. Ocorre que a diferença  numérica é tão pequena que não se pode dizer qualitativamente quem são os 100 melhores candidatos. Ou seja, se tivesse que escolher 20 negros, além dos 100, nesse universo, não haveria qualquer prejuízo no que concerne ao mérito intelectual.
 
Concordando consigo, o problema do sistema educacional brasileiro está na base. Brizola e Darcy foram as únicas almas políticas que ousaram na tentativa de combater essa chaga que compromete o destino do Brasil como nação independente, depois da decadência imposta pelo conservadorismo golpista de 64. Neste norte, querer maquiar o problema, substituindo-o por um programa de "cotas" é um escárnio à inteligência do nosso povo. Sem deixar de declarar essa necessidade, pode-se, perfeitamente, aproveitar a chamada "ação afirmativa" para alcançar, como medida suplementar, aqueles que cresceram e não tiveram direito a uma escola digna, como forma de, a curto prazo, mudar um pouco a cor dos universitários e dos profissionais de nível superior brasileiros.
 
PS   Problema sério, que merece maior destaque é a cota pra escola pública. Aí eu cito Darcy, é querer congelar a estrutura do jeito que ela aí está. Outro, não menos sério, que merece uma reflexão da sociedade, é a ação nefasta da indústria da educação (e dos cursinhos), a que tenho chamado de espécie de "pedofilia acadêmica" em face do mal que tem causado aos nossos jovens, por meio do  controle da gerência dos concursos vestibulares das instituições públicas.
 
 
Romulo Paz -romulo@camboriu.jpa.com.br
 
 

Cotas para os legislativos

Caro Pedro.

A principio eu sou ou seria a favor das tais cotas quando se pensa em escolas públicas normalmente com acesso aos mais abastados e não aos pobres e entre eles os negros e minorias, etc., embora eu realmente ache que o assunto deva ser debatido antes que se cometa algum absurdo e saltemos num caminho escuro que ao invés de resolver um problema abriremos outro que ainda não temos, mas esta sua comparação com o legislativo acabou sendo divertida porque fiquei imaginando a reação dos deputados e senadores diante de tal medida que se for coerente para as escolas públicas também o sera para o legislativo, e com isto para todas as áreas e como ficariamos no futuro ?
Realmente estaríamos organizando a sociedade não por classes ou condições sociais que sequer se organizou até agora embora a maioria seja de pobres e trabalhadores humildes em geral, mas também por critérios raciais e acabei recordando destes países que tem bancadas de cristãos, muçulmanos, e por ai afora, que as vezes acabam em armas e se aqui estamos já caminhando para isto com bancadas evangelicas e daqui a pouco católicas e outras mais, embora já tenhamos a de ruralistas, banqueiros, etc., e se pode uma podem outras, é verdade, e nada se pode impedir numa democracia, quanto a isto, menos grupos se armarem para tentar suprimir outros grupos, como parece que de certa forma os ruralistas até já tentaram ou tentam fazer, mas que no Irã, por exemplo, um grupo majoritário já suprimiu faz tempo os demais grupos que não sejam islamicos xiitas, ou em alguns paises da Africa com expulsões de brancos, e a tomada dos seus bens, só fico pensando no que isto realmente poderia dar, no futuro, e se até agora o Brasil conseguiu mais ou menos evitar isto porque a constituição proibe qualquer tipo de discriminação de raça, cor, sexo, religião, etc., talvez estariamos realmente de uma forma inversa caminhando para isto, na medida em que pela lei uns são melhores do que outros em função de raça ou cor ou origem, embora não tenha nada contra medidas do Estado em defesa dos menos favorecidos, mas confesso que é complexo o tema e mereceria no mínimo maiores debates pela sociedade. Talvez falte isto no Brasil para despertar coisas que até agora estão adormecidas em nossa história e setores como os indios e negros , por exemplo, ainda não tomaram consciência de sua importancia até pela falta de importancia que as elites ou classes dirigentes do pais deram a eles . Enfim pouco se reconheceu até agora a contribuição dos indios e negros na construção e histórica do Brasil, porque caso contrário veriamos nas escolas desde pequeno com mais intensidade esta parte de nossa cultura e formação, e não vemos, e talvez isto devesse começar pelas escolas talvez até ensinando a lingua tupi-guarani e mais detalhes dos povos indios e porque não das origens africanas.
Até agora nossa formação foi totalmente branca e elitista ou europeia e parece que todos viemos da Europa sem ter quase nada a ver com indios e negros que são maioria no Brasil se considerarmos a mistura de raças chegando a quase 70% do povo brasileiro.
Na verdade esta história de cotas em geral sempre me pareceu estranha porque os politicos querem fazer caridade com o chapeu alheio e aprovam medidas para se beneficiarem eleitoralmente mas a conta sempre fica para os outros, para a sociedade, e notamos isto no transporte público em geral quando o cidadão comum paga um preço elevado por sua passagem porque existe cotas de deficientes, velhos, desempregados, e não sei mais o que, mas ainda não existe para negros e indios, e entendo que o estado deve garantir o transporte público de boa qualidade e preço mas não sei se da forma como  a atual, onde uns pagam mais do que outros ou alguns não pagam, e talvez o critério fosse garantir cotas realmente para quem esta em situação econômica precária em geral, não importa se negro, indio, branco, desempregado, velho, deficiente, etc., Embora o deficiente seja um outro caso.
Precisamos tomar cuidado com o democratismo facistoide que sempre ameaça ganhar os votos das maiorias impondo o que desejam ou acham melhor, como no Irã, porque democracia na verdade precisa garantir os direitos de todos, mesmo das minorias, embora no Brasil até agora estejamos garantindo os direitos mais de uma minoria de privilegiados do que da maioria, mas realmente é um terreno perigoso de se entrar e talvez deveremos entrar algum dia sobretudo quando se tenta resolver as coisas de forma democratica de fato. 
A verdade é que a questão do indio e do negro no Brasil ainda é tabu para a sociedade.
Existe realmente preconceitos arraigados.
Só digo que achei divertido a sua colocação porque desta vez a coisa se voltaria rapidamente contra os deputados e senadores e fiquei imaginando se estariam dispostos a estenderem isto para o legislativo...
Foi uma sinuca de bico.
Prefiro aguardar de camarote para ver o que resolvem mas pelo visto estão tentando cozinhar isto no banho maria e engavetar.
Acho que pode publicar sim embora é algo polêmico e se for mal interpretado realmente complica mas acho que expliquei claramente tudo. 

ongniceimariamadalena@uol.com.br

 

Esperava o quê das elites?

PORFÍRIO:  ( ABAIXO LITTLE BOY. VIVA O LULA.)

MEU CARO:  É MUITO FÁCIL , DEPOIS DE 300 ANOS DE ESCRAVIDÃO,IMPUTAR AOS NEGROS  A RESPONSABILIDADE PELA FALTA DE PROGRESSO DELES... E AS OPORTUNIDADES IGUAIS? NEGRO TEM A MESMA CHANCE QUE BRANCO? SOU BRANCO E SEI QUE POSSO ENTRAR ONDE QUISER, SEM SER QUESTIONADO, NEM MESMO PELO OLHAR DE ALGUÉM. PRETO PODE? VAI ME DIZER QUE  O DIREITO É IGUAL PRA TODOS?  NA PRÁTICA NÃO É  ASSIM. TEMOS UMA DÍVIDA COM OS AFRICANOS QUE É IMPAGÁVEL. E NÃO ADIANTA PEDIR DESCULPAS,SOMENTE. TEM DE AMPLIAR AS OPORTUNIDADES. E ISSO AS QUOTAS TENTAM FAZER.PODE SER ERRADO, TALVEZ INADEQUADO,MAS CERTAMENTE É MENOS INJUSTO DO QUE DEIXAR COMO ESTAVA, TUDO NUM MESMO BURACO,O SEM FUNDO DA DESIGUALDADE SOCIAL AVULTADA NO BARASIL, O PAÍS MAIS DESIGUAL DO MUNDO. DO MUNDO! E VOCÊS, SEUS LEITORES, ETC ATACANDO AS TENTATIVAS DE MELHORIA...

ESPERAR O QUE DAS ELITES, ESSAS QUE TÊM ATÉ, "ATÉ", FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA?

PORFÍRIO: 

VC PRECISA SE INFORMAR MELHOR A CERCA DAS QUOTAS. ELAS SERÃO DADAS AOS DE DIREITO APENAS, APENAS, DEPOIS DE TODOS, TODOS,PASSAREM NO TESTE INICIAL. DAÍ, SIM SERÃO DADAS AS QUOTAS, JUSTAS AO MEU VER, QUE SOU ALEMÃO OU POLACO, MAS NÃO AGUENTO MAIS VER TANTA GENTE POBRE, SEM NENHUMA CHANCE,QUERENDO PULAR DENTRO DA MINHA CONTA BANCÁRIA, DO MEU CARRO IMPORTADO E DA MINHA FAMÍLIA PRA VENDER COCAÍNA. POR QUE SERÁ QUE TENHO QUE GOSTAR DE VANDRÉ, DE CHÁVEZ,DE STÉDILE, MEU DEUS! POR QUE NÃO ME COMPORTO COMO TODO CARA PARECIDO COMIGO? BRANCO, RICO, COM SAUDE, COM UNIVERSIDADE, TRABALHANDO NO GOVERNO,COM TODAS A SGARANTIAS? POR QUE NÃO PENSO COMO TODOCARA QUE TEM GRANA. POR QUE GOSTAR DO CHÈ, DO FIDEL, POR QUÊ? PRA QUE LER CHIAVENATTO, DOM QUIXOTE, SÉRGIO BUARQUE, ATÉ DARCI RIBEIRO E COMPRAR A CAROS AMIGOS? POR QUE SR ASSIM? QUERIA TANTO SER CANALHA, GOSTAR DE TUDO O QUE É BOM SEM CULPA, SEM MEDO, SEM RESERVAS, CURTIR A VIDA NUM CARRÃO, TIPO UM DOS MEUS. MAS NÃO ! TENHO QUE ME PREOCUPAR COMM PRETO, COM POBRE ! TENHO QUE DEFENDER OPORTUNIDADE PRA TODOS ...  NUM PAÍS ONDE SOMENTE A ELITE TEM DIREITO. POR QUEM E PRA QUEM FORAM FEITAS AS UNIVERSIDADES? CLARO,PRA ELITE MASI SÓRDIDA. UNS OUCOS , COMO EU, ENTRAM NELA DE TEIMOSOS, DE INCONFORMADOS. E AÍ FICAM RICOS, E AINDA POR CIMA FICAM CIENTES DAS VERDADES DO MUNDO E NÃO ACEITAM A VOZ DE COMANDO DE CIMA, ISSO DE JEITO NENHUM. TEMOS LEITURA E LEITURA PROFUNDA. DE BOA QUALIDADE. ENTÃO, MEU CARO, FICO COM AS QUOTAS. PODEM NÃO SER A  MELHOR COISA, MAS TEM COISA MELHOR? FICO COMM ESSE COMEÇO, ESSE INÍCIO DE QUESTIONAMENTO, QUE O "MEU GOVERNO" ESTÁ TENTANDO FAZER. E VIVA O LULA EM 2006 !

VIVA A DIFERENÇA DO SERRA-FUTURO-BEM-NO-MEIO DE 10 PONTOS ! VIVA ! NÃO É O QUE QUERÍAMOS, MAS JÁ E´UM COMEÇO. JÁ PENSOU SE ESSE CANALHA DO SERRA TIVESSE GANHO? OU SE ENTRA O ALCKMIN OU FHC OU O PRÓPRIO SERRA? OU LITTLE BOY COM SEU DEUS-JESUS? QUE TRAGÉDIA PROS POBRES, QUE TAMBÉMM SAÕ DONOS DANAÇÃO?  VIVA  O LULA !!!! VIVA 10 PONTOS !!!
 

 


 

Descaso com ensino básico

edgar\.edmundo"  edgar.edmundo@bol.com.br  

Pois é, daqui a pouco as universidades terão que contratar o Mel Gibson e gravar o filme a "Paixão da Universidade" - O racismo historico da sociedade CAI SOBRE a universidade. O descaso do governo com o ensino basico CAI SOBRE a univrsidade....dará um excelente filme.

 

A imprensa nada comentou sobre o PL que iria REDUZIR o salario dos professores  - veja -http://www.andes.org.br/ o projeto de lei de reajuste (negativo) dos servidores das IFES.

Veja o salrio basico proposto pelo gov para os professores - ESSE PAIS TEM FUTURO ?

 

 

Recentemente (31012006) ate a FSP no Editorial falou que os recursos da Uniao estao "engessados". COMO? Segundo o proprio jornal o governo esta batento recordes sucessivos de arrecadação. O jornal chegou a propor um novo imposto que, no final das contas, vai virar superavit primario - que digam a CIDE e a CPMF (aquela que de provisoria só tem a aliquota). 

 

Jornais como a FSP (que parecem que estao sem assunto) deveriam incentivar os alunos que nao passam no exame da OAB a entrarem com uma ação no PROCON - pagaram por um ensino "mercadoria" - e formaM enganados - NAO RECEBERAM

Crítica correta e corajosa..

Renato de Oliveira  rde_oliveira@uoc.edu

Meus mais sinceros e efusivos cumprimentos por seu texto sobre
cotas nas universidades brasileiras, publicado na ediçao de hoje
da Tribuna da Imprensa. Trata-se de uma crítica absolutamente
correta e corajosa, sobre um tema de extrema importância para a
sociedade brasileira.
Na realidade, sob o cínico argumento da inclusao social, o que o
governo está fazendo é uma administraçao da exclusao, sob risco de
desencadear um racismo ativo nas universidades, o que hoje
manifestamente nao existe.
Nao há exclusao de negros na universidade brasileira : há exclusao
de jovens - negros, brancos, índios, enfim, de todas as etnias. O
número de estudantes de ensino superior no Brasil mal ultrapassa
10% da populaçao entre 18 e 24 anos de idade. Obviamente a
exclusao começa pelos pobres, sejam eles negros, brancos,
agricultores sem-terra...
Com esta demagogia perigosa, o governo tenta esconder o óbvio :
nao tem qualquer política para o ensino superior, e muito menos
qualquer intençao de aumenta r a oferta de vagas no ensino superior
público. ..

...Há um outro aspecto que merece ser abordado : o programa "Universidade para todos", pelo qual o governo concede isençoes de determinados impostos a instituiçoes privadas de ensino superior que concedam bolsas a estudantes que nao possam pagar suas mensalidades. O paralelo com um programa da ditadura militar na área da saúde é esclarecedor : em 1966, com a extinçao dos antigos Institutos de Aposentadorias e Pensoes e criaçao do INPS, o governo institucionalizou uma imensa demanda social por assistência médica antes reprimida, uma vez que até entao essa demanda institucionalizada era restrita ``as profissoes que contavam com IAP. Nao tendo meios de atender a demanda, o governo bolou uma soluçao "provisória" : compra de vagas na rede hospitalar privada para os seus segurados. Resultado : a rede hospitalar privada, que até entao era relativamente marginal, consolidou-se a ponto de inviabilizar qualquer política pública na área de assistência à saúde no Brasil!

Hoje o ensino superior privado brasileiro, um dos setores mais rentáveis da economia (ver matéria no jornal Valor Econômico de 10/11/2005 - "Ensino superior dá lucro e tem dívida baixa"), está batendo no seu teto de expansao, pois os novos contingentes que emergem da expansao do segundo grau nao têm condiçoes de pagar mensalidades. Entao entra o "Universidade para todos"...

No início da gestao Cristóvam Buarque no MEC, foi organizado um seminário com apoio da Unesco, sob o título "Universidade : o que fazer?" Participei do seminário e minha sugestao para uma estratégia de reforma da universidade brasileira está publicada nos anais daquele evento.

Com meus sinceros cumprimentos,

Renato de Oliveira
Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Professor Visitante na Universidade Aberta da Catalunha -
Barcelona, Espanha.

Projeto antigo da Ford Foundation

Caro Porfírio, estou de pleno acordo. O sistema de cotas é outro contrabando fabricado nos Estados Unidos. Há muito tempo a Ford Foundation tentava introduzí-lo e finalmente o conseguiu com Cristóvão Buarque e seus sucessores mantiveram.

Esse sistema de cota introduz exatamente o racismo, em um país com grandes maioria de mulatos e no qual nunca houve aparthekid, como nos Estados Unidos. Tive inúmeros professores e colegas negros e também mulatos. Um deles, o notável geógrafo Milton Santos, que foi meu professor no Colégio da Bahia. Depois ele foi para a USP.
Forte abraço, Moniz Bandeira

 

Tremenda picaretagem

João Lúcio  de Oliveira  luciobr@globo.com

Meu caro Porfírio, esse negócio de cotas nas Universidades é uma tremenda picaretagem. Prá começar, elenco apenas isso: minoria no Brasil é a raça branca, aquela sem nenhuma miscigenação. Não será difícil um rapaz ou moça de olhos azuis declarar-se negro porque seu bisavô era um mulato que casou-se com uma branca, que por sua vez já era uma mestiça já clareada por outros viezes.  Ainda vai ter juiz dando liminar à favor. Vai dar uma zona geral. Há!  E os albinos? Como ficam? Não têm cota?

Excelente matéria

Gilmar de Macedo - Campo Bom - RS - eletricamacedo@sinos.net

Mais uma vêz sou obrigado a lhe parabenizar por esta excelente matéria a respeiro da exigência racista das malditas cotas. A questão do racismo incomoda tanto, que para quem nasceu e cresceu junto às colônias de imigrantes , parece que estamos sendo exilados dentro do próprio País. Para mim pouco importa de o indivíduo é preto, branco, vermelho ou côr-de-rosa, o que vale e constrói de verdade uma nação mista como o Brasil é a difícil separação entre o que presta e o que não presta. Como os detentores de cargos públicos e auto-intitulados "doutores do bem" re-descobriram a "revelação suprema da verdade", já estou imaginando no que vai dar, e daí para frente projetando uma maneira de defender-se desta onda destrutiva que é o Comunismo idiota destes ladrões da vergonha Nacional, aconselho meus filhos a aprender língua extrangeira ( Alemão, Italiano, Inglês e mandarim) para na primeira oportunidade se "mandarem a lá cria, pois aqui o talento e dedicação é expropriaado via impostos e taxas por um bando de vagabundos barbudos. Não vejo futuro neste Brasil, e quem sabe agora o Separatismo será entendido por seus adversários como única saída para minimizar os desmandos deste País-continente ingovernável, saqueado, vendido e entregue às hienas e abutres que vivem dos cadáveres da sociedade morta pela asfixia governamental. De qualquer forma, teus escritos acalman uma boa parcela do povo que sofre manietado pelo Estado. Que Deus lhe dê muitas e muitas camperiadas no potreiro da existência. Gilmar de Macedo - Campo Bom - RS - eletricamacedo@sinos.net

Cotas Necessárias

Fábio Arruda e Silva <fabioarrudaesilva@yahoo.com.br


Prezado jornalista.
É evidente que seria muito melhor que a adoção de um sistema de cotas para ingresso na universidade não merecesse discussão. No entanto, num país injusto como o Brasil, tanto é necessária a adoção das cotas, como é preciso discutir mais profundamente as questões relacionadas ao afro-brasileiro.
Quando você, permita chamá-lo desta forma, cita as notas obtidas nas provas do vestibular sem apontar fontes seguras, deixa de considerar o que a própria UERJ divulgou em seu site. Lá está escrito: “O resultado de um levantamento feito pelo coordenador do PAE e professor do Instituto de Matemática e Estatística (IME), Cláudio Carvalhaes, quebra alguns dos principais mitos relacionados à polêmica de cotas. A idéia de que os alunos que ingressaram na UERJ por meio da Leis de Cotas e oriundos de escolas públicas teriam desempenho abaixo dos demais calouros foi derrubada pelos números apresentados por Carvalhaes. Em seu estudo, ele comprovou que, no primeiro semestre de 2003, os cotistas tiveram um percentual de evasão escolar menor do que os demais e um desempenho acadêmico igual ou maior, com exceção da área de tecnológicas. A avaliação levou em conta os 2.850 calouros da Universidade. Deste total, 1.197 ingressaram pelas cotas referentes às escolas públicas e 541 pelo sistema de cotas raciais.” (http://www2.uerj.br/~emquest/emquestao82/quebram_mitos.htm)
Desnecessário seria dizer que a qualidade do profissional, a ser formado, não pode ser garantida por boas notas num vestibular. Haveremos de convir que notas obtidas durante um curso são indicadores muito mais confiáveis. Como pôde ver, o estudo elaborado pela UERJ quebra o mito de que alunos que ingressam pelo sistema de cotas comprometeriam a qualidade do ensino prestado, o que se configura numa total inversão de valores. Quem pode comprometer tal qualidade é o professor mal remunerado, sem perspectivas de ascender profissionalmente.
Ademais, caro jornalista, onde você guardou os dados levantados pelo IBGE e os estudos do Ipea? Simplesmente você os ignorou. Brancos pobres existem, é verdade. Mas em que proporção? Por que não citou o IDH de negros e brancos no Brasil ou a diferença de remuneração auferida por trabalhadores brancos e negros, em desfavor destes, mesmo tendo a mesma formação?
Você disse: “Até a libertação de 1888 foi usada capciosamente para lançar milhares de negros ao relento e ao desemprego.” Hoje o que vemos é a conseqüência de um fato que você mesmo levantou. A história para o afro-brasileiro não foi a mesma vivida pelo branco, isto está claro. Apenas como lembrança, não poderia deixar de citar o incentivo dado à importação de mão-de-obra européia desde o fim do século 19, e os malefícios causados, pela imigração, a uma expressiva parcela da população brasileira.
Neste ponto permita-me perguntar, ainda: que lei, baseada em qual das constituições que este país já teve, garantiu “direitos iguais” ao negro brasileiro? Não seria hora de promover acesso a quase 50% da população brasileira aos “princípios constitucionais pétreos que asseguram direitos iguais, independente de raça, cor ou credo?”

Fábio Arruda e Silva

Guaçuí (ES

Racismo disfarçado

Silvio Rocha" <silviodarcorrea@hotmail.com

Sou contra essas cotas, embora reconheça que há no Brasil um racismo disfarçado que prejudica muito os negros.  Por exemplo, há aqui em Juiz de Fora, onde moro, um Shopping grande, bem localizado e importante.  Pois você anda nas portas de suas lojas e não vê uma só vendedora mulata ou negra.  Isso é rasicmo, mas ninguém consegue provar.


Educação de base

flurocker <flurocker@ig.com.br

PORFÍRIO

Existem alguns equívocos em relação à política de cotas nas universidades. Há um certo preconceito por parte de alguns movimentos sociais que, ao defenderem tal política, discriminam quem é contra, taxando-o como racista - inexoravelmente.

Por outro lado, há também o controverso argumento de que, com as cotas, resgataria-se a dívida histórica para com os afrodescendentes.  

O resgate dos excluídos se dará apenas com educação de base - a realidade é muito mais fria do que a mera retórica da inclusão mestiça - para todos os brasileiros pobres, sejam eles negros, brancos ou orientais.  

Portanto, concordo em gênero, número e grau com as suas colocações. Se o governo quisesse mesmo priorizar a educação, ampliaria os CIEPS e priorizaria o ensino básico  e médio por excelência, que historicamente são as raízes de nossa miséria educacional.

Abraço grande,

Saulo Andrade 
 

Nação racista

George_Martins" <georgmar1@yahoo.com.br

Caro senhor Pedro,

Quero manifestar minha discordância com o artigo abaixo.Tenho certeza que somos uma nação racista, e principalmente o racismo econômico.Sou favorável sim as cotas para os negros. Sou favorável inclusive ao fim da universidade gratuita, porque somente os filinhos de papai conseguem pagá-la. Em suma o governo investe bilhões pra quem não precisa e deixa o ensino fundamental a mingua, e os que só podem freqüenta-lo, são mal formados e não tem chances de entrar no ensino superior.Isto sim é uma grande ação diversionista para manter tudo como está.Com pensamentos invertidos como o do Sr. Kamke continuaremos racistas por muito tempo. Não importa como VC entrou na universidade, o vestibular é um sofisma. Importante é como VC se forma!

George Martins 

O caminho certo

"Pedro Paulo" <p.rocha@terra.com.br

Meu caro Porfírio

MEUS PARABÉNS PELA BRILHANTE MANIFESTAÇÃO QUE ME ENVIOU.
A ela só cabe um reparo. NOS ESTADOS UNIDOS ESTA MEDIDA FOI DERRUBADA PELA CORTE SUPREMA, INCLUSIVE COM O VOTO DE UM JUIZ NEGRO. Não durou muito.
Realmente, o Brizola estava trilhando pelo caminho certo, quando pregava a melhoria do ensino. Esse é o caminho.
PERMITA-ME DIVULGÁ-LA PELA MINHA LISTA.
O MEU ABRAÇO
Pedro Paulo
Proposta que desqualifica

Hideraldo Schirmer Cardoso hideraldo.cardoso@fazenda.mg.gov.br

Prezado Porfírio, saudações brizolistas.

 
Irretocável sua análise sobre as tais "cotas" nas universidades.
Estabelecer cotas para minorias equivale a dizer: "Vocês são inferiores e, por isso, vamos reservar umas poucas vagas para que alguns de vocês, mesmo sendo idiotas, possam conseguir um canudo."
O próximo passo será reservar cotas para os que não podem pagar. Teremos, então, o sepultamento do ensino público neste país.
Quanto à lista do Dimas, será que dar nalguma coisa? Penso que não, pois, essa investigação não interessa nem aos "Petralhas" nem aos "Tucanalhas". O país está entregue à bandidagem brasiliana. Está de quatro.
Um forte abraço.
 
Hideraldo Schirmer Cardoso
(neto de Carlos Schirmer, preso, torturado e morto em 01/05/1964)
Oportunidades para minorias
 Roberto Benevolo" <rbenevolo@terra.com.br

A base da democracia é a igualdade para todos os cidadãos.

Como não vejo sentido na discriminação, também não vejo sentido no favorecimento.

A Constituição Brasileira estabelece como objetivo fundamental da República Federativa do Brasil promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. 3º, IV, da Constituição).

A mesma Constituição dispõe que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (art. 5º da Constituição).

As oportunidades para minorias, como a reserva de vagas em faculdades, não estão de acordo com os princípios democráticos; além do mais, as minorias em alguns casos são maiorias, como as mulheres.

Não vejo coerência em conceder-se oportunidade para os candidatos da raça negra e não se pretender, por exemplo, que as mulheres ocupassem, pelo menos, a metade das vagas de senador, deputados, vereador, etc; evidentemente, essa oportunidade não seria aceita pela minoria dos congressistas, homens, que fazem as leis.

Os concursos, públicos ou privados, devem selecionar os melhores candidatos, sem considerar suas origens.

Há um ano, a Universidade Federal da Bahia destina 43% do total de vagas em todos os cursos para afrodescendentes e 2% para indígenas ou seus descendentes, vira e mexe com impugnações, por fraude dos que não são e pretendem ser, apenas para ingressarem nas faculdades; duvido que o Instituto Rio Branco, do Itamaraty, as academias militares, os concursos para juízes e promotores, apenas para citar alguns, seguiriam o mesmo caminho.

Também, creio que a medida poderá vir a prejudicar a imagem dos futuros profissionais que dela se valeram, os quais seriam considerados como incapazes, que somente se diplomaram por favorecimento.

Em conclusão, não considero honesta a reserva de vagas para descendentes de negros e de índios nas faculdades, nem acredito que a medida venha a reduzir desigualdades sociais.

AS COTAS DA INDIGNIDADE

Eurico T.S.        eshu@uol.com.br

Há uma forte suspeita (até...) entre os próprios petistas de que essa história de cotas para negros, índios e estudante oriundos de escola pública, tenha nascido da cabeça premiada de Duda Mendonça. É uma jogada de marketing das boas... do tamanho do cinismo e da velhacaria que ela contém. Mas se dá voto ela deve ser boa. Afinal, não foi os bolsas-esmolas que reelegeram FHC e elegeram Lula...

Mas, antes de tudo, é preciso ficar claro: a escravidão é mais do que uma das faces das conhecidas relações sociais de dominação. Da destruição de uma identidade humana, passando à mercadoria. O racismo é apenas o dado mais abrangente dessa não-relação entre o branco colonizador, o branco proprietário e o negro destituído de tudo. Toda a cultura dita ocidente e cristã baseada na culpa tenta reinventar o humanismo. Uma forma de aplacar a consciência. Porque os ex-escravos que sustentaram sua abundância hoje continuam entregando também sua alma.

Exatamente por sermos um pais mestiço é que poderíamos ser o único povo capaz de construir uma Nova Roma, como queria Darcy Ribeiro. Mas as na terra das Xuxas, das Bunchen, onde meninas de 10 anos tingem o cabelo de louro, olhamos para o negro e o índio – nossas duas matrizes etnológicas mais importantes – com os olhos da comiseração. E o debate sobre as causas da desigualdade obscena em nossa sociedade (?) são encobertas pelo besteirol do politicamente correto. Todo o aparato intelectual sofisticado da academia e do Parlamento não passam de embromação. As cotas são mais um tipo de bolsa-esmola.
Como se não bastasse a odiosa discriminação que sofrem negros e mestiços por parte do chamado “andar de cima”, agora querem que ele continue a sofrer humilhações no falido sistema acadêmico.

Há uma outra explicação que pode ser mais sinistra, mas, com certeza mais plausível. Dessa gente se pode esperar tudo. Ou na melhor das boas vontades: eles não sabem o que fazem, mas o diabo é que fazem.
O sistema de cotas degradaria tanto a Universidade Pública brasileira que não faria mais sentido mantê-la.
Assim como é dogma dessas agências que exercem de fato o poder que se privatize tudo. Mas, de leve. Que tal começar a fazer as cabeças com a história de que “só rico estuda em universidade pública”, que o fundamental é o ensino fundamental, e tantos outros papos para despistar a essência. E a essência é que uma nação só será verdadeiramente autônoma se tiver uma Universidade pública, gratuita, destinada a construir a excelência do conhecimento.

É emblemático que o Banco Mundial tenha criado um vocabulário tenha sugerido ainda nos tempos de FHC uma “rede de inclusão social”. O mantra vem sendo batido desde os anos 80. A expressão é “diminuição da pobreza”, que passa para os memorandos técnicos do FMI e BIRD com a “redução sustentável da pobreza”.
A coisa ficou escancarada quando FHC criou o Fundo Social de Emergência em 1994 (hoje ele tem outro nome, creio que seja DRU – tomar 20% dos estados e municípios para criar as tais “políticas compensatórias”. Quem pode se esquecer dos saques aos caminhões com a própria esmola governamental...
Na época o que mais se lia nesses memorandos era a “engenharia social” para “administrar a pobreza” – acalmar a agitação social com um custo mínimo para os credores.
E aí estão os programas chamados “solidariedade”, “fome zero”, bolsa-escola, bolsa-família, bolsa-gás e genéricos para esses mandamentos do mercado e seus capatazes.

É o seguinte... Os banqueiros estão levando o seu com toda garantia e até adiantado – numa espécie de pedágio de confiabilidade que o PT-Governo tem de pagar por seu passado esquerdóide – mas não convém que a colônia seja cenário de miseráveis saqueando armazéns ou a explosão de um conflito étnico. Era só o que faltava. Algo mais ou menos óbvio num país que libertou os escravos apenas na lei, mas que é incapaz de lhe dar a escola, o salário, a saúde, a terra que possam representar sua emancipação.

Quando Brizola construiu os CIEPs foi um escândalo. Onde é que já se viu oferecer aos filhos da pobreza, favelados, na maioria negros, na maioria discriminados por ser pobre e negro, uma escola de UM MILHÃO DE DÓLARES, uma escola linda, inesquecível para qualquer criança, onde se ofertava o ensino emancipador, assistência médica e odontológica, esporte, três refeições e banho tomado. Uma proposta generosa que já havia previsto o chamado Ginásio Público, onde os egressados do CIEPs prosseguiam os estudos pela sexta a oitava séries primários e todo o curso de nível médio. Nunca os filhos da pobreza – e, por isso mesmo, condenados a serem pobres – tiveram uma chance tão grande, tão factível, de redenção.

Para Lula, a “boa escola” podia ser oferecida até embaixo de uma árvore. Cansou de repetir esta estupidez. Aliás o discurso petista tem mania de adjetivar já que lhe falta o substantivo da realidade. Falam o tempo todo em “ensino de qualidade”. Ora, bolas! ou tem qualidade ou não tem ensino. E o que tempos hoje é uma gincana estatística torpe, enquanto 60% das escolas públicas do país sofrem todos os dias algum tipo de violência, mais de 35 mil não têm banheiro, outras tantas não tem eletricidade... e vai por aí ...

Para o PMDB, PFL e genéricos, era um perigo. Escola que se pode chamar de escola cria bons cidadãos. E aí o povo deixa de ser massa ignara cabresteada até a urna eletrônica. E começa a perguntar por que o plim plim da urna é o mesmo da telinha... essas coisas, até descobrir que o poder público propriamente dito é poder organizado por uma classe para oprimir a outra. Não precisa nem ler Marx para descobrir por si só essa empulhação secular. Aí, o pau come...

Outro dia alguém no Senado comparou o senador Paulo Paim com Martin Luther King em sua luta pelo Estatuto da Igualdade Racial. Faz sentido. A manutenção da dominação se faz com os conciliadores de sempre. Ficam aí brincando de pai-joão, com frescura de chamar negro de afrodescendente como se fosse possível encobrir sua negritude que ainda é só sofrimento. Essa mesma negritude que inspirou movimentos de libertação no Haiti, em Angola, Moçambique, Tanzânia (ainda quando se chamava Tanganica) e tantos outros lugares. E só esta negritude – chutando a cotas da indignidade – poderá inspirar os condenados da terra conquistar – por qualquer meio – o usufruto daquilo que lhe foi roubado secular e violentamente.

Ora, por que não apelidam o polaco de polacodescente, o portuga de lusodescendente, o alemão de germanodescente...

Como é nojento o colonialismo e mais abjeto ainda as cabeças colonizadas. Quer esconder que toda riqueza dos colonizadores – de fora ou de dentro – foi conquistada com o sangue de índios, negros e a toda gente jogada fora da sesmaria de ontem, do agronegócio de hoje. Darcy Ribeiro fazia uma conta desse destino funesto que construiu aquilo que os bem-alimentados, os que têm posses e poder, gostam de chamar de nação. Gastamos – dizia ele – quatro ou cinco milhões de índios, depois gastamos outros três ou quatro milhões de negros. E para que? Para que o homem branco que se apoderou de tudo, possa oferecer a cota que ele vai ocupar no mundo ainda encharcado pelo seu sangue. ..

Serve Luther King, mas não Malcolm X. Para a classe dominante das colônias e neocolônias pode-se justificar o militarismo, o genocídio, todo tipo de violência praticada pelos colonizadores e invasores de ontem e de hoje. O que não se pode tolerar é a reação igual dos rebeldes. Agora, são chamados de terroristas. No funeral da viúva do pastor King, Loreta, semana passada, estavam lá Clinton, Bush e outros criminosos conhecidos. Estavam em festa de campanha, mas comemoravam o quê? ... senador Paulo Paim.
Eurico t.s.


 

Questão de Justiça

Carlos Coradassi Buff" <carloscbuff@pop.com.br>

PORFÍRIO, MEU REI: 

VC PRECISA SE INFORMAR MELHOR A CERCA DAS QUOTAS. ELAS SERÃO DADAS AOS DE DIREITO APENAS, APENAS, DEPOIS DE TODOS, TODOS,PASSAREM NO TESTE INICIAL. DAÍ, SIM SERÃO DADAS AS QUOTAS, JUSTAS AO MEU VER, QUE SOU ALEMÃO OU POLACO, MAS NÃO AGUENTO MAIS VER TANTA GENTE POBRE, SEM NENHUMA CHANCE,QUERENDO PULAR DENTRO DA MINHA CONTA BANCÁRIA, DO MEU CARRO IMPORTADO E DA MINHA FAMÍLIA PRA VENDER COCAÍNA. POR QUE SERÁ QUE TENHO QUE GOSTAR DE VANDRÉ, DE CHÁVEZ,DE STÉDILE, MEU DEUS! POR QUE NÃO ME COMPORTO COMO TODO CARA PARECIDO COMIGO? BRANCO, RICO, COM SAUDE, COM UNIVERSIDADE, TRABALHANDO NO GOVERNO,COM TODAS A SGARANTIAS? POR QUE NÃO PENSO COMO TODOCARA QUE TEM GRANA. POR QUE GOSTAR DO CHÈ, DO FIDEL, POR QUÊ? PRA QUE LER CHIAVENATTO, DOM QUIXOTE, SÉRGIO BUARQUE, ATÉ DARCI RIBEIRO E COMPRAR A CAROS AMIGOS? POR QUE SR ASSIM? QUERIA TANTO SER CANALHA, GOSTAR DE TUDO O QUE É BOM SEM CULPA, SEM MEDO, SEM RESERVAS, CURTIR A VIDA NUM CARRÃO, TIPO UM DOS MEUS. MAS NÃO ! TENHO QUE ME PREOCUPAR COMM PRETO, COM POBRE ! TENHO QUE DEFENDER OPORTUNIDADE PRA TODOS ...  NUM PAÍS ONDE SOMENTE A ELITE TEM DIREITO. POR QUEM E PRA QUEM FORAM FEITAS AS UNIVERSIDADES? CLARO,PRA ELITE MASI SÓRDIDA. UNS OUCOS , COMO EU, ENTRAM NELA DE TEIMOSOS, DE INCONFORMADOS. E AÍ FICAM RICOS, E AINDA POR CIMA FICAM CIENTES DAS VERDADES DO MUNDO E NÃO ACEITAM A VOZ DE COMANDO DE CIMA, ISSO DE JEITO NENHUM. TEMOS LEITURA E LEITURA PROFUNDA. DE BOA QUALIDADE. ENTÃO, MEU CARO, FICO COM AS QUOTAS. PODEM NÃO SER A  MELHOR COISA, MAS TEM COISA MELHOR? FICO COM ESSE COMEÇO, ESSE INÍCIO DE QUESTIONAMENTO, QUE O "MEU GOVERNO" ESTÁ TENTANDO FAZER. E VIVA O LULA EM 2006 !

VIVA A DIFERENÇA DO SERRA-FUTURO-BEM-NO-MEIO DE 10 PONTOS ! VIVA ! NÃO É O QUE QUERÍAMOS, MAS JÁ E´UM COMEÇO. JÁ PENSOU SE ESSE CANALHA DO SERRA TIVESSE GANHO? OU SE ENTRA O ALCKMIN OU FHC OU O PRÓPRIO SERRA? OU LITTLE BOY COM SEU DEUS-JESUS? QUE TRAGÉDIA PROS POBRES, QUE TAMBÉMM SAÕ DONOS DANAÇÃO?  VIVA  O LULA !!!! VIVA 10 PONTOS !!!
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LEIA O ARTIGO DE PEDRO PORFÍRIO  "Cotas na Universidade, mais um contrabando "made in USA".

 

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